"Pergunto-me como é possível ver a injustiça, a miséria e a dor sem sentir a obrigação moral de mudar o que se vê". (José Saramago)
Eu já escutei
algumas pessoas, pouca coisa mais velhas do que eu, dizerem que não vão mais
votar porque não são mais obrigados por lei, está como opção. “Agora eu voto se quiser”. No entanto, todo mundo sabe, cada voto faz diferença num resultado final. Estou no time
das pessoas esperançosas de que os idosos, conscientes da fragilidade da
democracia brasileira, possam exercer com toda firmeza seus direitos, sua
cidadania, para alcançarem um final de vida com a maior dignidade possível. Por
outro lado, aqueles que permanecerem alienados, fariam um favor à nação se não
comparecessem no momento solene das urnas, nas eleições.
No contexto do início
acima, viajando de ônibus um dia desses de Ubatuba para Taubaté, várias pessoas
embarcaram no mesmo veículo na rodoviária de São Luiz do Paraitinga. Dois
idosos se acomodaram nas poltronas próximas da poltrona onde eu estava. Pelo
visto eles se conheciam apenas de vista, mas logo estavam na melhor prosa. Era
gente de roça, mas conversavam sobre tudo, entraram na área da política e demonstravam que estavam a par dos últimos acontecimentos. Até do “Pangaré
Obscuro” já condenado e inelegível trocaram opiniões. Eu, como bom escutador,
atentava aos detalhes, queria saber em quem votariam nas eleições que se
aproximavam, mas parecia que os dois não ousavam revelar. Talvez porque não eram
suficientemente amigos, mas apenas conhecidos. Só que eu percebia o quanto os
dois eram críticos das propagandas mentirosas, comentavam sobre o horário
eleitoral da televisão. Num dado momento o senhor que parecia mais idoso disse
isto: “Eu não sou mais obrigado a ir
votar, mas é minha obrigação exercer o meu direito. Eu sei quem é melhor para o
meu país, quem está fazendo mais pelos pobres. Buscar um mundo melhor é minha obrigação!”. Aí o outro exultou: “Então você também vai votar no Lula?”.
Ou seja, só depois de quase uma hora de viagem eles se revelaram. Daí em diante
pude notar que ficaram mais empolgados, avançaram ainda mais em detalhes,
revelaram suas paixões por uma linha de governo que alimentava suas esperanças naquela etapa da vida. Que bom! Eles nunca podiam imaginar que alguém logo ali era
todo ouvidos na prosa e estava torcendo para serem afinados nos mesmos ideais.
Concluindo: essa
categoria de idosos não pode se ausentar nas próximas eleições na qual a nossa
soberania corre grande risco.
Que os mais jovens
sigam bons exemplos de cidadania!

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