segunda-feira, 14 de setembro de 2026

"É MINHA OBRIGAÇÃO !"

 

Lá longe o mar - Arquivo JRS 

"Pergunto-me como é possível ver a injustiça, a miséria e a dor sem sentir a obrigação moral de mudar o que se vê". (José Saramago)


     Eu já escutei algumas pessoas, pouca coisa mais velhas do que eu, dizerem que não vão mais votar porque não são mais obrigados por lei, está como opção. “Agora eu voto se quiser”. No entanto, todo mundo sabe, cada voto faz diferença num resultado final. Estou no time das pessoas esperançosas de que os idosos, conscientes da fragilidade da democracia brasileira, possam exercer com toda firmeza seus direitos, sua cidadania, para alcançarem um final de vida com a maior dignidade possível. Por outro lado, aqueles que permanecerem alienados, fariam um favor à nação se não comparecessem no momento solene das urnas, nas eleições.

     No contexto do início acima, viajando de ônibus um dia desses de Ubatuba para Taubaté, várias pessoas embarcaram no mesmo veículo na rodoviária de São Luiz do Paraitinga. Dois idosos se acomodaram nas poltronas próximas da poltrona onde eu estava. Pelo visto eles se conheciam apenas de vista, mas logo estavam na melhor prosa. Era gente de roça, mas conversavam sobre tudo, entraram na área da política e demonstravam que estavam a par dos últimos acontecimentos. Até do “Pangaré Obscuro” já condenado e inelegível trocaram opiniões. Eu, como bom escutador, atentava aos detalhes, queria saber em quem votariam nas eleições que se aproximavam, mas parecia que os dois não ousavam revelar. Talvez porque não eram suficientemente amigos, mas apenas conhecidos. Só que eu percebia o quanto os dois eram críticos das propagandas mentirosas, comentavam sobre o horário eleitoral da televisão. Num dado momento o senhor que parecia mais idoso disse isto: “Eu não sou mais obrigado a ir votar, mas é minha obrigação exercer o meu direito. Eu sei quem é melhor para o meu país, quem está fazendo mais pelos pobres. Buscar um mundo melhor é minha obrigação!”. Aí o outro exultou: “Então você também vai votar no Lula?”. Ou seja, só depois de quase uma hora de viagem eles se revelaram. Daí em diante pude notar que ficaram mais empolgados, avançaram ainda mais em detalhes, revelaram suas paixões por uma linha de governo que alimentava suas esperanças naquela etapa da vida. Que bom! Eles nunca podiam imaginar que alguém logo ali era todo ouvidos na prosa e estava torcendo para serem afinados nos mesmos ideais.

    Concluindo: essa categoria de idosos não pode se ausentar nas próximas eleições na qual a nossa soberania corre grande risco.

  Que os mais jovens sigam bons exemplos de cidadania!

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