terça-feira, 20 de abril de 2021
UM CAIÇARA QUE DEU CERTO
segunda-feira, 19 de abril de 2021
AOS MORADORES PRIMEIROS
O 19 de abril remete ao dia em que delegados indígenas, representantes de várias etnias de países como o Chile e o México, reuniram-se, em 1940, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano.
Essa reunião tinha o propósito de discutir várias pautas a respeito da situação dos povos indígenas após séculos de colonização e da construção dos Estados Nacionais nas Américas.
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| Arte: Eudes (Arquivo JRS) |
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| Arte: Marta (Arquivo JRS) |
domingo, 18 de abril de 2021
AS RUAS DA CIDADE (V)
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| Praça da Matriz no início do século XX (Arquivo Ubatuba) |
A 4 de julho de 1875, por iniciativa dos paulistas José Bernardo Gonçalves Duarte e Alfredo Augusto da Silveira, foi fundado o Gabinete de Leitura Ateneu Ubatubense, cujo fim era a instrução dos seus associados, mantendo uma biblioteca particular para uso exclusivo da associação. Teve a glória de iniciar a vida social a diretoria composta dos seguintes senhores:
Presidente: tenente-coronel Francisco Gonçalves Pereira; vice-presidente: Alfredo Augusto da Silveira; 1º secretário: Francisco Maria da Costa e Paiva; 2º secretário: tenente Antonio Marçal dos Santos; tesoureiro: Francisco de Paula Soares Viana; bibliotecário: José Bernardes Gonçalves Duarte; procurador: Luiz Domiciano da Conceição.
A introdução deste cabe a Esteves da Silva e foi escrito quando acabava o século XIX. Mas por que comecei com esse recorte? É porque a rua que nos interessa hoje é a Coronel Domiciano, aquela que cruza o centro da cidade, passando defronte a Biblioteca Pública, na praça 13 de Maio, a duzentos metros da praia. Pensei no personagem da nossa história; reparei que ele estava como procurador no nascimento do primeiro espaço voltado à leitura, aos leitores, na vida desta Ubatuba. Até sublinhei o texto. O acaso dá sentido à rua que lhe homenageia por passar na entrada da nossa biblioteca!
Dele escreveu o dr. Antônio Paulino de Almeida, em 1937, por inauguração da rua em seu nome, substituindo a denominação anterior de Esperança. É de seu texto que extraímos a seguinte informação:
Filho de Ubatuba, Luis Domiciano da Conceição se tornou farmacêutico e professor, chegando ao cargo de diretor do grupo escolar Dr. Esteves da Silva. "Conheci-o já velho e enfermo. Foi por uma manhã do mês de Agosto de 1916, quando dirigindo-me à esta cidade a fim de assumir o exercício do cargo de promotor público da comarca, encontramo-nos a bordo de um pequenino navio costeiro. Vinha ele de sujeitar-se à melindrosa intervenção cirúrgica, na Capital, onde havia permanecido por vários meses. Ao pisarmos as areias brancas de nossas praias, tive ensejo de notar o grau de estima que os ubatubenses lhe devotavam, pelo elevado número de pessoas que compareciam ao seu desembarque no porto da Prainha. Desde esse dia não mais nos separamos, porque o cel. Luis Domiciano era como que o oráculo da cidade, cujas palavras eram por todos acatadas, cujos conselhos eram por todos ouvidos.
Aos seus atos de benemerência, direi apenas que, por muitas vezes era ele encontrado, em altas horas da noite, afrontando as ventanias, para, de lanterna em punho, apoiado em uma bengala, socorrer a algum enfermo nos mais distantes arrabaldes da cidade, - ele, que bem o sabia, estarem próximos os seus dias.
Aposentado, mantinha sua modesta farmácia, quase que exclusivamente destinada aos pobres. Mal podendo comunicar-se pela palavra falada, servia-se de uma pequena lousa, em que escrevia o que queria. E porque não o amedrontasse a lembrança da morte, - todas as noites reunia os amigos em sua residência, distraindo-se ao lado dos jovens que rodopiavam pela sala, ao som da música, - hábito que conseguiu manter até a véspera de seu falecimento, fosse para iludir-se ou para disfarçar a tristeza íntima que envolvia o seu espírito".
Interessante mesmo é o final do texto:
"E se algum dia, alguém perguntar-lhe quem foi o coronel Domiciano, poderão vocês, - crianças de Ubatuba - responder com firmeza:
- Não tivemos a felicidade de conhecê-lo. Mas, de um peregrino que por aqui passou, soubemos ter sido um Ubatubense Ilustre, e, sobretudo, - um justo e um bom".
Enfim, o fim! Ainda não encontrei nada se referindo à atuação política de Coronel Domiciano, mas sabemos que, quem tinha título assim, da nobiliarquia republicana, representava uma força politica importante. Quem sabe alguém se interesse em pesquisar, em ir muito além deste resumido texto que aqui deixo. Quem sabe ?
sábado, 17 de abril de 2021
AS RUAS DA CIDADE (IV)
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| Ilustração no livro de Hans Staden (Arquivo JRS) |
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| Ilustração no livro de Hans Staden (Arquivo JRS) |
sexta-feira, 16 de abril de 2021
MOMENTO LITERÁRIO
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| Fazendo balaios (Arquivo JRS) |
Mais um Momento Literário dentre tantos outros que vivemos e ainda esperamos viver enquanto houver vida. Tudo começou de forma gratuita, na família, com as histórias narradas por nossa mãe, por nosso pai. Quem não viveu aqueles momentos noturnos, quando a imaginação corria solta ouvindo as aventuras, os medos e as alegrias que nos introduziam no sono e nos sonhos? Tudo era gratuito! Que viagem! Quantas viagens!? Nem um tostão se gastava. "Os tempos são outros", ouço repetidamente. E daí? As coisas podem se modificar, evoluir ou regredir, mas as pessoas são as mesmas, permanecem na mesma espécie sapiens!
O derradeiro tema, por sugestão de tanta gente boa, foi em torno de lendas, um dos gêneros literários que gostamos muito. Na verdade, muitas dos nossos primeiros encantamentos literários provém de lendas. Mas de onde vem esta palavra? Por isso parti da etimologia, da origem do termo.
Lenda deriva do latim, a raiz da nossa língua portuguesa e de outras mais. Legenda deu origem à palavra lenda. Significa, literalmente, "a serem lidos", de legere "ler". Era hábito nos mosteiros, sobretudo durante as refeições, alguém ficar lendo, de um púlpito, aos demais. Eram narrativas sobre as vidas dos mártires, dos santos, dos momentos significativos à vida da Igreja Católica. Esse conjunto de histórias se agruparam no livro de Jacopo de Varazze, Legenda Áurea, do século XIII. São mais de mil páginas a cultivar um desejo pelo maravilhoso, pelo paraíso prometido. Encurtando a prosa: de legenda vem lenda.
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| Livro nosso (Arquivo JRS) |
Quem nunca ouviu uma lenda? Elas fazem parte do repertório de histórias populares de uma determinada sociedade; são repassadas oralmente pelas gerações; também servem de base na evolução do processo civilizatório, querem passar uma moral, um preceito, uma advertência etc. Por exemplo, quando vovó nos contava a lenda da Gruta que chora, estava reforçando a ação do padre que livrara a comunidade da serpente, do dragão que apavorava aquela gente. Seria legenda caso estivéssemos na Idade Média, a ser lida; agora se vestia de lenda contada por nossos saudosos entes queridos.
Assim como quase tudo que ouvimos e lemos, podemos notar nas lendas resquícios de narrativas mais antigas, dos primórdios. Muitas vezes ainda são preservados até mesmos os nomes antigos, de tempos que nem se sabe, de fronteiras além da Ameríndia. Ou seja, se vestem com novas roupagens, mas continuam sendo essenciais a uma espécie que permanece: a nossa, sapiens.
As lendas são construções coletivas que seguem ganhando novos significados conforme a comunidade vai passando por transformações. Ao ouvir uma lenda, logo quero saber a razão dela. Porém, me encanta mesmo é imaginar a trajetória feita por ela e me emocionar pelo conjunto. Aquelas que ficaram no papel, quando alguém quer jogar fora, eu as transformo em balaios, um saber caiçara aprendido enquanto ouvia histórias.
Gratidão ao pessoal que participou de mais um Momento Literário.
Em tempo: mitômano é o hábito patológico de mentir. Ou seja, é doença de quem não consegue viver sem mentir.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
AS RUAS DA CIDADE (III)
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| Capa do livro de Hans Staden (Arquivo JRS - Edusp, 1974) |
Agora falarei de uma rua da nossa cidade que se relaciona com os povos originários deste lugar (Ubatuba), com as pessoas que viviam neste território: os tupinambás.
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| Detalhe do mapa das ruas (Arquivo internet) |
A rua Cunhambebe, outrora Indayá, onde seria a estação ferroviária no final do século XIX, é longa, cruza a cidade de ponta a ponta; digna do bravo guerreiro Tupinambá que enfrentou os portugueses e seus aliados em meados do século XVI. Os estudos recentes defendem que Cunhambebe, cujo nome parece estar se referindo ao ser feminino (cunhã: mulher. Varnhagen explica o nome como "o voar da mulher"), era um cacique temido por sua bravura, cuja aldeia se localizava onde hoje é território fluminense (Paraty). Foi um grande líder da Confederação dos Tamoios. Dizem que morreu de peste logo depois da chegada dos franceses no Rio de Janeiro. A seguir, no livro de Hans Staden, há uma referência interessante:
Alguns dias depois, conduziram-me a uma outra aldeia, que chamavam Arirabe, ao chefe Cunhambebe. Este era o mais nobre dentre todos os chefes. Em sua morada haviam-se reunido ainda alguns outros e à sua maneira tinham preparado uma grande festa. Queriam também ver-me, por isso ordenou Cunhambebe que fosse eu trazido para lá naquele dia. Quando vinha me aproximando das choças, ouvi um grande alarido; cantavam e tocavam em seus instrumentos de sopro. Diante das choças estavam espetadas cerca de quinze cabeças sobre postes. Eram cabeças de maracajás, seus inimigos, e que eles haviam devorados.
Conforme já foi escrito, houve ao menos dois chefes com esse nome. O segundo, me parece, estava em Iperoig, foi amigo do padre Anchieta, que o descreveu na sua carta de janeiro de 1565, inserta no vol.III, das Cartas jesuíticas, publicada pela Academia Brasileira (Rio de Janeiro, 1933, página 196 e seguintes). Agora fiquei em dúvida sobre qual dos dois Cunhambebes a nossa cidade homenageia: o do local, onde foi fundada Ubatuba, aparentemente amistoso, ou o temido guerreiro?
Em tempo: o meu amigo Silvio Fonseca, do blog ubatubense.blogspot.com, mora no final da Cunhambebe, numa travessa depois da rua Liberdade. Muita gente boa mora por ali!
quarta-feira, 14 de abril de 2021
AS RUAS DA CIDADE (II)
| Siga a seta (Arquivo JRS) |












