quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

POETA DA PEDRA BRANCA



É concha de preguai onde começa o jundu.

                Eu conheci o velho Antunes fazendo companhia ao seu parceiro Amaral, no Bar dos Inocentes, perto da Pedra Branca da Enseada. Era um dos pontos onde o vovô Armiro entregava a nossa farinha de mandioca quinzenalmente. Depois, através dos escritos de seu filho João Batista, o JOBÀN, aprendi a olhar nas entrelinhas da poesia a angústia humana diante das transformações do mundo. Se pensarmos que esse tempo foi na segunda metade da década de 1970, então podemos dizer que não faz tanto tempo assim. Hoje, relendo uma coletânea do caiçara da Praia da Enseada, escolhi a poesia...

                DIVAGANDO

                A cada corpo que morre
                nasce uma estrela no céu
                Os homens como crianças
                querem estrelas nos dedos
                O chão armou-se de flores
                pra combater o cimento
                Quem quer estrelas nos dedos
                também quer brincar no vento
                No ventre da Terra-mãe
                gerou-se o filho do tempo
                Cansei de contar estrelas
                dormindo sob o sereno
                Deitado sobre o cimento
                dormi o sono do medo
                Sereno da madrugada
                aninhou-se em meu cabelo
                O sol menino indiscreto
                tirou-me do devaneio
                Lavei o rosto na poça
                represada no passeio
                Desta rua escondida
                no meio dos meus anseios...
                ...e um poeta sofrido
                nasceu-me dentro do peito...

                Por onde andará o poeta nascido entre sapinhauás, bem no lagamar?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

UM PRINCÍPIO DE AUTENTICIDADE

Que maravilha! É o Perequê-açu!


                Hoje eu esperava  encontrar com o Júlio Mendes, o carnavalesco que prossegue a Saga do Vô Lindolfo, o “Prega fogo”.  A minha  intenção – faço agora! – é parabenizá-lo pela participação nas marchinhas do coreto. Foi ótima a música e a representação do Juvenal e sua tuba. Também adorei as outras composições que pude acompanhar. Parabéns  a todos os participantes!

                Um pouco antes do início do concurso, apreciei a animação do matinê com Mário Gato e sua trupe, todos caiçaras que estavam relegados, esquecidos em suas casas. É muito importante isso! Na ocasião seguinte, dois dias depois,  vi o mesmo grupo puxando as marchas carnavalescas embaixo de uma amendoeira, na Praia Grande. Que bom, pessoal!

                Toda essa gente, de gerações distintas, mas caiçaras que adoram festar, estão mostrando que, conforme escreveu Shinyashiki, “precisamos ir ao encontro de nós mesmos, da nossa originalidade e autenticidade”.  Também afirmou num dia desses o amigo Júlio:  “Os nossos ritmos e as nossas letras são de uma beleza muito particular. O festival  de marchinha a cada ano reforça isso”. Eu aposto que sim!

                As primeiras manifestações carnavalescas desta vida, conforme já disse, eu presenciei no clube do Anchieta Futebol Clube, a “Cocheira” conforme o repúdio da dona Aparecida, no Perequê-mirim. Porém, naquela mesma época, começo da década de 1970, o ritmo “corria solto” no Bar do Peres (Lázaro), na Zenaide, Jacundino e Araca (Enseada); no  alto do morro, entre a Enseada e a Toninhas, estava na moda  A Caverna, do Newton Ciryllo. No "perímetro urbano", bem na margem do rio Acarau, a folia total acontecia no Le Bateau. Já na avenida Yperoig, a mocidade causava deslumbres nas proximidades do Patapraia e do Princesa.  Finalmente, após enfrentar um acesso barrento, eis o Rancho do Galo e o Hotel Jangadeiro no Perequê-açu.  
           Tempo bom! Era festa, suor e cerveja! Tudo na maior limpeza!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

RELATOS DA ILHA

Que paraíso!  (Arquivo Chieus)


                Eu, menino crescido na Praia do Perequê-mirim, escutei muitas histórias da Ilha Anchieta, desde o tempo dos caiçaras, antes do presídio, até detalhes da rotina e do levante da ilha em 20 de junho de 1952. Em volta dela pesquei muitas vezes.
                Aprendi que antes do presídio, no tempo em que aquele lugar era a Ilha dos Porcos, vivia ali mais de cem famílias. Depois que o governo requisitou o local para fazer o presídio, por volta de 1910, toda essa gente foi espalhada pela costa do município. Lembro-me  muito bem do saudoso Dito Coimbra e de suas lembranças do tempo em que morava na ilha. “O governo mandou que a gente se virasse, encontrasse um lugar para morar porque ali ninguém podia ficar. Nós não recebemos nada”.
                Conheci alguns dos caiçaras que trabalharam no presídio (Rodolfo Cabral, Benedito Góis, Francisco Cruz...), ouvi detalhes do lugar que tinha padaria, plantações, inclusive de legumes  e verduras, onde, após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, ficaram detidos os membros da Shindo Remei (que não aceitavam a derrota do imperador de status divino). Disse-me a dona Rita:  “Aqueles japoneses da horta trabalhavam com afinco, sem precisar ser vigiados. Eram muito educados e respeitadores.  Eles produziam muita coisa na Praia Grande da Ilha”.
                Do velho Henrique eu escutei o caso de um italiano inocente, mas que ficou vários anos confinado na ilha: “Dava dó ver aquele homem que se atrapalhava na nossa fala. O que ele contava tinha fundamento, mas ninguém da Força Pública fazia esforço para resolver a sua situação”. Bem mais tarde, lendo um livro me ofertado pelo estimado professor José Hércules Cembranelli, cuja autora era a vizinha do seo Dito Freitas, a dona Idalina Graça, encontrei uma referência ao mesmo caso, feita por Willy Aureli, o jornalista que descobriu a escritora caiçara. Ah, como eu gostaria que os estudantes dos dois estabelecimentos que a homenageiam soubessem um mínimo dessa  valorosa mulher!

                “Foi em janeiro de 1931 que conheci Ubatuba, quando a serviço da ‘Folha da Noite’, realizei uma reportagem na Ilha dos Porcos, onde para mais de 400 infelizes se encontravam detidos.
           Tinha alcançado aquele presídio de tão tristes recordações, a bordo de um naviozinho da ‘Costeira’, que, por uma deferência  toda especial à minha condição de jornalista, fez uma atracação fora do programa na ilha, que agora tem o nome do taumaturgo Anchieta. Lá permaneci uns dias, entrando em contato com todos os presos, ouvindo deles as lamúrias, as queixas, os apelos. Entre eles havia nada menos do que 16 completamente inocentes, vítimas da sanha de certos policiais desalmados.   Um era oficial de um transatlântico italiano e fora apanhado na faixa do cais de Santos, atordoado pelas bebidas, e que, depois de despido da sua brilhante farda, descalço, sem nenhum documento e espoliado do seu dinheiro, tinha sido metido no porão do navio que levava presos para a ilha. Trabalhava como motorista do diretor do presídio, enquanto a sua família, em Gênova, continuava desesperada pelo sumiço misterioso do ente querido”.

                Se inteirando de notícias assim, sabendo da superpopulação e de outras injustiças, fica fácil entender a revolta dos presos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

SÃO TODOS INCRÉUS!

Olha o peru!             (Arquivo JRS)


                Ao ouvir  a notícia da renúncia de Bento, o papa, imaginei os comentários de João Pimenta, o incréu da praia do Sapê, onde eu nasci.  Eu já contei em outras ocasiões da concepção de religião para esse comerciante. Na minha memória, era com o frei Pio que ele adorava discutir. Coitado do franciscano!
                O irreverente João Pimenta, esposo da dona Quinhinha,  neste momento do magistério petrino em crise,  diria que “Bento XVI está de aviso-prévio.  Portanto, que se preocupem em procurar alguém para o cargo vacante”.
                Do papa, por ocasião de sua passagem pela cidade de Aparecida e cercanias, eu ouvi coisas engraçadas. Na cidade de Potim, na metade do caminho entre Guaratinguetá e Aparecida, por exemplo, o povo enfeitou a rua e o aguardou. Era trajeto certo, logo após deixar a fazenda do frei Hans. De repente, no horário previsto, vários carros pretos, “na maior escuridão por dentro” passaram enfileirados. Num deles estava o tão aguardado papa. Só que eles passaram bem velozes, sem dar para distinguir em qual deles estava o estimado líder dos católicos. "Nem um lencinho foi abanado!". Só deu para sentir o vento.  Imediatamente surgiram as brincadeiras. Por um bom tempo o velhinho foi apelidado de “Papa Vento XVI, o ligeiro”.
                Agora, o Brasil tem cinco votantes e candidatos em potencial. Um deles é Cláudio Hummes, já aposentado, mas que eu  conheci na época em que o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, sob a direção de Lula, forçou  a abertura democrática brasileira. Ele, liderando a Diocese de Santo André, manteve as igrejas abertas para as assembleias e sustentou a espiritualidade da Pastoral Operária. Era o representante de uma teologia coerente com o momento histórico dos trabalhadores.
                Numa ocasião, após um jantar reservado, ele nos contou a seguinte passagem que até parece um causo nosso:
                “Já faz tempo, no bairro do Pedroso, na área rural, num domingo logo após a missa, uma família muito simples me convidou para o almoço. Que beleza! Quase tudo naquela mesa era produzido ali mesmo. Tudo muito natural. Ao redor da casa, o que se via eram abóboras. Imensas abóboras!  Logo pensei, conhecendo os talentos da cozinheira de casa, que uma daquelas daria um inigualável doce em sabor e quantidade. Ai o pecado da gula! Porém, estava meio que sem jeito de pedir ao menos uma para levar para casa. Ensaiei, ensaiei ... Por fim, depois de um fumegante café servido em caneca de ágata, ao me despedi,  tomei coragem e até me ofereci para pagar por uma abóbora daquelas. Uma só bastava, disse eu. Imediatamente o chefe da casa, todo sorridente, atalhou que eu podia levar quantas quisesse. ‘Leva, seu bispo! Leva quanto puder! Tudo isso é para dar para os porcos mesmo! Só escolha daquelas que o peru ainda não bicou!’.  É assim o povo simples, o homem da roça. Que Deus olhe por eles!”.
               O comprometido pastor não acrescentou mais após um largo sorriso. O bondoso tio Totô só diria: "São todos incréus!".

SE TIVESSE MAIS EDUCAÇÃO...

Será que fantoches de cidadão sabem o que é respeito à vida?  (Arquivo  JRS)

                Passando pela sala, assisti uma reportagem do programa FANTÁSTICO a respeito dos carros equipados com potentes equipamentos de som.  Numa cidade, Aparecida de Goiânia, as autoridades tiveram que tomar outras atitudes em relação aos que demonstram tamanha estupidez humana, tirando a paz das pessoas nas ruas e em suas próprias casas, perturbando até bebês, doentes, idosos e demais seres vivos. No mesmo instante questionei se determinados miseráveis da vizinhança estariam assistindo e entendendo o assunto da televisão. Tomara que eles tenham capacidade para isso (que não é tanto!).

                O assunto fez me lembrar do amigo Jorge G., num tempo em que a sua saudosa mãe estava muito doente. Na rua onde ele morava, nas cercanias da pobre escola Aurelina, no bairro da Estufa II,  um desses carros resolveu fazer uma parada demorada perto de seu portão. Imagine só: um cidadão que não atrapalhava ninguém, que se dedicava o quanto podia à mãe, ter de aturar um “sem-noção” escroto, um miserável culturalmente falando e outros adjetivos nesta mesma direção.

                O que fez ele?  Saiu com muita educação, como quem estava adorando aquela demonstração de inutilidade. Ao chegar perto foi logo detonando:

                - Escuta aqui, seu idiota, seu fantoche de cidadão: você tem mãe? Tem casa? Por que você não pega o seu carro e enfia dentro da sua casa ou naquele seu lugar bem escondido, onde as costas muda de nome? Não é porque você gosta de bosta que nós também devemos gostar. Pode ir comer a sua iguaria sozinho, bem longe daqui. Agora!

                Nisso, outras pessoas decentes foram se mostrando nos portões, dando maior confiança ao Jorge que se mostrava como um siri na lata. Não restou outra alternativa ao ser que parecia não ser tão racional. Sumiu dali. Ainda bem! Pelo que pude ver as pessoas já estavam procurando porretes e enxadas.

                É isso! Precisamos de pessoas assim! Não é possível que as pessoas, sendo maioria decentes, se encolham diante de tantos desaforos e de falta de respeito! Aonde vamos parar se não tivermos paz nem mesmo em nossa própria casa?

                Agora os tempos são outros! Eu espero que as corporações, sobretudo a Guarda Municipal, neste governo que se inicia em Ubatuba, não se omitam naquilo que presenciam, nem dos chamados que por ventura recebam a respeito de barulho orgulhosamente chamado de “som”.

                Como disse um dia dona Francisca, a querida "Chica", uma doce caiçara natural da Praia da Santa Rita: “Nada disso acontecia se tivesse mais educação. Sabedoria é enfrentar a vida de cara limpa, sem precisar mostrar que tem isso e isso e isso para se sentir gente”.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

MAMÃE, JÁ É TEMPO DE ORGIA?

Oba! Canoa Caiçara! Bem-vindo! Max aproveita cada madeira tombada no Camburi. (Arquivo  Canoas)


                Quando criança, graças à moral dos pregadores que passavam pelo espaço caiçara, o carnaval era diversão para ser evitada, “tempo de orgia”.
                A nossa vizinha, a dona Aparecida, uma evangélica recém-convertida, piorava ainda mais as coisas. Nomeava de “Cocheira” o local, o clube do Anchieta Futebol Clube, no Perequê-mirim, onde uns tocadores locais arrebentavam os instrumentos nas marchinhas de outros tempos. Era um termo depreciativo, onde frequentavam “as vacas, essas mulheres que não têm vergonha na cara”. Mesmo assim nós não perdíamos os matinés, se enrolando em serpentinas e confetes. A mamãe ia, discretamente, pelo cercado de bambu, olhar a nossa diversão. Afinal, não queria se indispor com a vizinha.
                Os mascarados eram atração especial nos dias de carnaval. Tratava-se de adolescentes e jovens do bairro que saíam em grupos com varas, dispostos a correrem atrás das demais crianças e descerem a guasca, provocando choro. A gente provocava muito eles, principalmente quando eram reconhecidos e todos passavam a gritar seus nomes. Depois de darem um show, se retiravam para algum lugar no mato onde se desvestiam e davam um jeito de não deixar pistas.
                Era tempo de carnaval, da festa da carne. Depois, ao chegar a quarta-feira de Cinzas, as testas ficavam marcadas e... era tempo de penitência aos católicos!
                Com o passar dos tempos, das leituras e reflexões, foi aparecendo a verdade: a festa da carne, dos prazeres, era muito mais antiga que eu imaginava. Vinha dos pagãos, dos discriminados pelo cristianismo. Desde os primórdios os homens sentem que precisam se divertir e extravasar seus sentimentos contidos pelas tarefas de rotina. Assim garantiram um ritual que cresceu e teve de ser considerado até pelo pessoal do calendário cristão.
                Ambos, o Carnaval (tempo de diversão e de prazer), uma paixão de muitos milênios, e, o Natal (dia do nascimento do sol), foram incorporados ao calendário oficial, gregoriano. Só tomando essas medidas, era possível converter os povos pagãos, devassos, adoradores de outras divindades da Antiga Europa. A ideologia nova, imposta pelo imperador romano, conseguiu trabalhar as mentes, redirecionar toda  paixão popular para um calendário litúrgico que deveria ser seguido à risca.
             Hoje, as linhas religiosas fundamentalistas ainda continuam ativas. Coitada da finada dona Aparecida que nem queria olhar para o outro lado da rua, onde ficava a “Cocheira”, um ponto de união da praia do Perequê-mirim! Agora, se não estou enganado, por falta de lugares assim, a juventude crescida na hipocrisia fundamentalista, na propaganda para um consumo desenfreado está desorientada, copiando porcarias exóticas e preferindo se drogar. Que pena! Foi-se o tempo em que nós, em plena Quaresma, perguntávamos: "Mamãe, tá ainda muito longe o tempo de orgia?". Depois, assim que passava as festas de fim de ano, novamente o desespero: "Mamãe, já é tempo de orgia?". 
               

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

DEU NO JORNAL



                No dia oito de janeiro deste ano, no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo, saiu estampada a seguinte notícia: Caiçaras ‘ganham’ ilha no litoral paulista. Trata-se da ilha Montão de Trigo, pertencente ao município de São Sebastião, defronte à praia da Barra do Una, quase na divisa com Bertioga. Quem fez questão de guardar a página do periódico foi o estimado professor Emerson.  Ele sabe do meu interesse por boas notícias ao meu povo. Só tenho a agradecer pela sensibilidade do amigo.

                A ilha Montão de Trigo, onde nasceu a saudosa dona Margarida, moradora antiga da Praia Dura, é “uma comunidade de quatorze  famílias caiçaras, todas de pescadores,  originadas há mais de três séculos e que vive sem energia elétrica, vai se tornar dona, na prática, de uma ilha na rica costa sul de São Sebastião”. São cinquenta e duas pessoas que dependem da pesca e do turismo. As comunidades caiçaras se alegram com isso. Como eu gostaria  que a dona Margarida estivesse viva para poder escutar mais coisas da sua querida ilha!

                “O documento, que deve ser expedido até fevereiro, vai impedir que a ilha seja alvo de grilagem ou especulação imobiliária de alto padrão. O domínio permanecerá da União, mas na prática isso impede que outros interessados venham requere inscrições de ocupação sobre a área, ameaçando a ocupação das comunidades tradicionais”. Quem garante é a SPU (Secretária de Patrimônio da União).
                “Desde 2010, o governo vem acelerando a concessão do TAUS (Termo de Autorização de Uso Sustentável) a grupos tradicionais, mas é a primeira vez que isso beneficia ilhéus”.

           Essa conquista deve muito à iniciativa do Instituto Guapuruvu, com o processo que se solidificou há cerca de três anos. “A medida abre caminho para que o mesmo seja feito em ilhas como a de Búzios (142 habitantes) e Vitória (50 habitantes), no arquipélago da Ilhabela”. Nestas ilhas estão os caiçaras mais intocados, sem migrantes atraídos pela construção civil. Vários dos meus parentes viveram por lá. Boas lembranças da ilha da Vitória tinha o Eugênio Inocêncio. 

                Já passa da hora de dar atenção aos caiçaras-ilhéus!

          A dona  Margarida era fantástica nas histórias de assombração da ilha Montão de Trigo. Me lembro de uma onde os pescadores, por muito tempo, deixaram de pescar depois do serão. “Um tremor batia neles, meu filho! Ninguém, por precisão que fosse, baixava canoa depois de escurecer. Um vento escuro, mas parecendo ter ardentia no bojo, vinha pelas pedras da Cajaíba. Não tinha corajoso para desafiar o mar encrespado. Isso só passou depois do padre Ramiro fazer uma reza e benzer as imediações. Foi nesse tempo que eu me mudei, vim para cá [Praia Dura] a convite da Isabel,  a minha comadre”.

                Parabéns às pessoas que lutaram e/ou foram solidárias  nessa conquista!

                Viva o meu povo da ilha Montão de Trigo!