terça-feira, 14 de novembro de 2017

FEIRA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL - RELATOS (IX)


Momentos de aprendizagem fora da sala de aulas (Arquivo JRS)


Retomo a publicar as ações de um grupo de professores na realidade do Litoral Norte Paulista, cujo resultado foi a Primeira Feira de Educação Ambiental, em 1993, na Escola “Capitão Deolindo”, em Ubatuba.

LITERATURA INFANTIL histórias de bichos – Meire Teles

               O trabalho aqui apresentado foi realizado com um grupo de crianças de terceira série da Escola da Divisa (Município de São Sebastião) e seu objetivo era propiciar a aproximação das crianças com os vários tipos de textos literários. A partir da recepção desses textos, foram desenvolvidas diversas atividades, que levavam sempre em conta a sensibilização para o que é específico da linguagem literária. É preciso que se diga que o curso foi dado em horário extra sala, uma vez por semana, durante aproximadamente três meses. O grupo era formado por vinte crianças provenientes de duas salas diferentes.  As atividades abrangiam a linguagem verbal, através da oralidade (debates, leituras, conversas e jogos de encenação) e da escrita (produção de textos) e a linguagem não verbal, através de figuras, desenhos e mímicas.
               A seleção de textos visava dar uma mostra das diversas possibilidades literárias: o conto de fadas, o conto maravilhoso, o poema e as fábulas. A música também foi utilizada e a escolha obedeceu ao critério temático. O tema que amarrava os textos era o mundo dos animais. Dentro desse mundo, o pássaro foi o mais trabalhado. Destacando-se no mundo animal como literatura, destaca-se no mundo das palavras pela forma incomum, pela beleza, pela musicalidade, pelo ritmo, pelo voo...
               Durante as descobertas foram discutidas questões como a relação do homem com o meio, tendo por base o respeito e a integração.

               “O menino é o pai do homem”

               Como professora de língua e literatura eu tenho preocupação especial com a leitura. Penso que o texto, e principalmente o texto literário, tem um importante papel a desempenhar na formação do homem, desde que entendamos que essa formação deva emancipá-lo enquanto sujeito, possibilitando-lhe autonomia e visão crítica do mundo em que vive, colocando-o, assim, em prontidão para, através da práxis, transformar a realidade. Para tanto, é essencial, desde cedo, a criança em contato com a literatura oral e escrita. O trabalho se deu a um tempo com o indivíduo e com o grupo: leitura, reflexão, debate, reflexão, ação, reflexão. A interdisciplinaridade tornou-se viável e a intertextualidade foi garantida pelo trabalho do professor que coordenou o projeto.
               As crianças da Divisa gostaram do curso e os resultados estão registrados em relatórios disponíveis aos interessados. Assim como nós, professores, merecemos muito mais do que ganhamos, eu acredito que as crianças e os jovens merecem muito mais do que livros didáticos. Está em nossas mãos propiciar-lhes o encontro com materiais mais ricos, assim como está em nossas mãos transformar a nossa atual condição.

Bibliografia:
Para professor COELHO, Betty – Contar histórias, uma arte sem idade.
                                      MEIRELES, Cecília – Problemas da Literatura Infantil

Para alunos

POESIA:       A ARCA DE NOÉ – Vinicius de Moraes
                      A TV DA BICHARADA – Sidônio Muralha
                      ISTO OU AQUILO – Cecília Meireles
                      OLHA O BICHO! José Paulo Paes
                      PÉ DE PILÃO – Mário Quintana

PROSA:        A TERRA DOS MENINOS PELADOS – Graciliano Ramos
                     A MULHER QUE MATOU OS PEIXES – Clarice Lispector
                     O MISTÉRIO DO COELHO PENSANTE – Clarice Lispector

                     COMO NASCERAM AS ESTRELAS – Clarice Lispector

domingo, 12 de novembro de 2017

TENTAÇÃO DO HOMEM

Fim da Picada: onde Totonho foi tentado (Arquivo JRS)

               Totonho do Rio Abaixo tinha um olhar bobo,  “com as castanhinhas pequenas nos céus brancos”, parecendo bonzinho. Só parecendo! O jovem da esquina, que nem o conhece há muito tempo, me disse assim:  “Na real, ele se faz de morto para engolir os vivos. É um puta pilantra, sabia?”. Sim, eu sabia. Eu sei!
               Por ter um “caráter enviesado”, conforme expressão da minha saudosa vó Eugênia, um dia Totonho passou por uma crise existencial e se converteu a uma religião evangélica. Parecia um novo homem! Vestia terno e gravata, se pegava com a Bíblia e não perdia um culto da sua igreja. Parecia um homem novo até que um dia foi tentado. Não sei dizer o motivo que o levou a me escolher para contar o seu dilema.



               “Sabe, Zé, que uma noite dessas, após eu sair do templo, senti uma velha tentação: quis ir à ‘Eva’ [zona de meretrício]. Dali mesmo eu telefonei para um táxi. ‘Me leva ao Perequê-açu? O endereço eu vou indicando’.  Conforme o carro rodava, fui tirando o paletó. Deixando-o dobrado, ao lado da Bíblia Sagrada, no banco. O motorista me olhava discretamente pelo retrovisor.  Chegando no ‘fim da picada’, no jundu do Perequê-açu, paguei e pedi o cartão do motorista para o retorno. Sujeito educadíssimo, viu !?! Com o consentimento dele, deixei no assento do carro o terno e a Bíblia. Na entrada hesitei, parecia que eu estava entre duas forças. Adentrei ressabiado, a dona veio me atender. Me indicou uma mesa. Pedi uma guaraná. Em seguida vieram as ‘meninas’, cada uma mais sedutora que outra. Que maravilha! Fui me esquivando, meio que sem jeito. Pedi mais um refrigerante. Uma loirinha se encostava em mim. Troquei de mesa uma vez...mais uma vez... e uma vez mais. Queria pedir uma cachaça, um ‘rabo de galo’. Estava doido para agarrar a menina com tatuagem num ombro, de mamicas enormes!  Nisso veio uma voz na minha cabeça: ‘Não faça isso, Totonho. Não volte a cometer esse pecado’. Então pensei na minha mulher e nos meus filhos... no meu caçula que acabara de nascer. Foi quando tive forças: me levantei, pedi o aparelho no balcão e liguei para que o taxista viesse me buscar. Suando como um desesperado, paguei pelos refrigerantes –dez contos cada, acredita? -  e saí. O pessoal da zona não deve ter entendido nada do que aconteceu. Ou melhor: do que não aconteceu! Aguardei poucos minutos, recebendo aliviado o vento que vinha do mar. O tempo tava virando pra chuva no dia seguinte. No mesmo local que havia embarcado eu desembarquei: perto do nosso local de oração. Novamente paguei e agradeci pelo serviço. De tão atordoado acabei esquecendo a Bíblia e o paletó no carro. Sem ter percebido o fato, permaneci um tempo parado olhando para o céu, pensando na prova que eu passei.  Que provação! As tentações estão no mundo! E eu também estou! Alguns minutos depois um carro parou na guia, a porta se abriu e o motorista muito honrado me entregou os meus pertences. Agradeci-lhe muito pela honestidade. Ainda permaneci ali um tempinho. Voltei para casa e me resignei em esperar o tempo do resguardo, em respeitar a recuperação da minha mulher. Quem me deu forças foi Deus. FOI DEUS!”
               

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O HOMEM DO SACO

Eu e Avedis (Arquivo JRS)

               Numa distante tarde com pessoas queridas, eu e o amigo Avedis, caiçara do Perequê-açu, conversávamos sobre a simplicidade do nosso tempo de criança, onde a família extensa (avós, pais, tios...) era o eixo principal da nossa educação.  Lembramos de uma história em comum daquele tempo. Assim entramos no tema da educação.
               Educar assustando: eu desconfio que em outros lugares além do nosso existiu  (ou continua existindo) esta metodologia. Eu também escutei a história do Homem do saco! Pelo que nos falavam, era um andarilho. Ninguém sabia de onde vinha nem pra onde ia, mas uma coisa era certa: pegava crianças desobedientes.
               A nossa mãe nos alertava para não andar sozinha ao escurecer. “Um homem velho, com barba grande, fedido ao extremo, passa de vez em quando pegando as crianças que perambulam sozinhas, fora de hora. Ele tem um saco sujo às costas, onde põe as crianças. Depois as leva para um lugar misterioso, que ninguém sabe onde é. Aquelas crianças que ele pega nunca mais voltam para suas casas, desaparecem”.
               Não me lembro se eu tinha muito medo. Acho que não, mas... ao avistar um desconhecido barbudo, eu logo tomava outro rumo, entrava no mato, me escondia. Recentemente um primo me confessou: “Eu sempre tive medo do homem do saco; por isso sempre andava acompanhado por mais alguém, de preferência mais corajoso do que eu. Tudo por causa desse homem do saco que eu nunca vi, mas que talvez exista”.
               Hoje digo que nossas mães estavam nos educando com tal história. Não era muito agradável essa pedagogia assustadora, né? Mas era assim no senso comum do nosso lugar. E a gente foi aprendendo a escolher os momentos mais propícios para sair com tranquilidade de casa, a selecionar as amizades e os lugares onde os riscos eram menores.

               E o meu querido amigo Avedis,  caiçara e frei franciscano -  encerrou a prosa: “Tantas histórias e tantos encantos!”.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

BALAIO DE GATO

Travessia no Castelhanos (Arquivo Rê)

               O meu pessoal antigo usava a expressão “balaio de gato” para dizer que a coisa era confusa, embaraçada, muitas coisas juntas num só espaço, gente de diferentes lugares convivendo juntos etc.
               Em certa ocasião, em meados de 1994, desembarquei à tarde na Ilhabela com destino à casa dos amigos Vera e Pedro Antônio. Do Engenho Velho até o endereço deles tem um bom pedaço de chão para andar, cerca de trinta minutos para não ficar de brincadeira pela estrada de terra. Logo fiz amizade com um caiçara que iria bem mais além, para a praia dos Castelhanos. Seu nome: Décio. Levava umas compras num saco branco, desses de farinha de trigo. Ou seja, tinha uma longa jornada pela frente, iria escurecer antes mesmo que estivesse na metade do caminho. “Eu estou acostumado; sempre atravesso de um lado pro outro”. Sujeito agradável! Gente da gente! E eu, conforme o hábito, fui escutando e especulando. Nem percebi o tempo e a distância. Achei bem interessante a história do Décio.

               “Meus pais sempre fizeram questão de contar as histórias deles, desde os seus antepassados: de onde vieram e como as coisas aconteceram naquela época. Por parte de mãe, meus bisavós eram gente da África e foram trazidos como escravos para o Brasil. Ficaram no Castelhanos após um naufrágio. Hoje são muitos os seus descendentes. Por parte de pai, eram italianos da região de Nápoles, comerciantes que tiveram de vir para cá por causa de guerras na terra deles. Foi aqui na ilha que os meus pais se conheceram, se casaram, tiveram nós (oito filhos) e nunca mais saíram daqui. Castelhanos é um pouco longe de tudo, mas a gente está acostumado a andar por terra e por mar”.

               Me despedi dele com aquela sensação de que nunca mais o veria. Triste, né?!?

                Que balaio de gato, gente!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

CARÊNCIA DE SONHOS

Tia Maria Mesquita e neta  (Arquivo Alix)

               A minha saudosa tia Astrogilda, de acordo com o meu pai, morava no morro da praia do Pulso: “A casa do tio Anastácio, pai da tia Astrogilda, era pra cima da barra, no pé do morro. Hoje, a praia do Pulso, o lugar onde me criei, é só casas de ricaços. Lá a gente nem pode entrar”. Essa minha tia, que nasceu tão perto do mar (aproximadamente cinquenta metros), ao morrer habitava o Morro das Moças, bem longe da praia, na rua que já levava o seu nome: Rua Astrogilda da Conceição. Foi uma tia que me marcou muito devido à garra de lutar pelos nossos direitos, pela questão das terras da Caçandoca.
               Tia Maria Mesquita foi outra mulher decisiva em muitos momentos da minha vida. Também nasceu no jundu da praia da Fortaleza. Assim mamãe explicou para nós: “Ali no Canto do Cambiá era a casa do tio Onofre Mesquita, pai da tia Maria que foi esposa do tio Genésio”. Também terminou os seus dias longe da praia, no bairro da Estufa II.
               A tia Maria, assim como a tia Astrogilda, caiçara de outros tempos, tinha muita sensibilidade, percebia as coisas de longe. Um dia, depois de tê-la visitado com um amigo, esta foi a expressão dele: “A sua tia tem uma alma nobre, tem algo divino em si”. Creio que essa percepção decorreu da narrativa da titia a respeito da sua infância, quando havia muita pobreza. Depois, com o advento do turismo, de como era a sua lida como doméstica, tendo de andar a pé todos os dias até a praia Vermelha [distante quatro quilômetros] “para trabalhar na casa do doutor Paulo Sérgio”.
               Entrando numa preocupação dela naqueles dias, continuou a tia Maria:
               “Tem gente que carece de valores. Digo isso porque aqui perto vejo bem isso quase toda noite quando vou dar uma espiada na rua: uma moçada, gente daqui mesmo, até os filhos da comadre Maria, fumando maconha no pé daquele muro ali. Pra quê? Pra quê serve qualquer droga? Digo que é pra provocar ilusão no pobre! Quem é iludido não enxerga aquilo que deveria enxergar, leva vida de ovelha”. Então lhe perguntei se aquilo não seria miséria cultural. E a resposta dela: “Pode ser, Zezinho. Só sei que é carência de valores! Eu já tentei conversar com esses jovens várias vezes, mas eles até dão risada das coisas que falo. Na verdade, os pais dessa juventude, desses jovens, não sonharam eles; foram criados largados, sem nenhum projeto de vida. Como é que posso eu jogar um caroço de milho no cisqueiro, não cuidar e esperar que dê uma bonita espiga?”.
               Nisso me lembrei das palavras do poeta: “Não adianta ao velho ganhar a discussão com os moços; a vida está do lado dos moços”.

               É isso, tia Maria! Bençãos em sua memória é o que desejo!

domingo, 5 de novembro de 2017

NATAL VEM, NATAL VAI.

Tio Maneco e Otávio, foliões de outros tempos (Arquivo Ubatuba Histórica)

               Para falar do Natal atual, preciso falar dos vividos em outros tempos, quando ainda vivia na praia do Sapê. Ao se aproximar o tempo litúrgico do Advento, vovó Martinha, Maria Balio, Livina, Ana Cruz e outras mulheres da comunidade se embrenhavam na restinga, na Queimada, em busca de musgo em diversos tons, de pequenas plantas e de cascas de cigarras para compor o presépio da capela, vizinha da venda do João Pimenta, o “Incréu”, onde hoje se chama Largo do Sapê.
               O presépio era a atração de todas as crianças. Nós ficávamos olhando os bois e carneiros arrumados próximos da manjedoura, cuja cobertura de sapê era um capricho do tio Chico. Naquele tempo eu acreditava que os bichos também recebiam presentes. Afinal, eles ficavam ali paradinhos, contemplando o Menino Jesus por mais de mês. Só sei que a gente sempre recebia algum agrado nessa época do ano. Ah! Também tinha vinho! Nunca soube se era vinho suave ou seco, mas sempre ficava  bem doce, quase melaço, porque mamãe sempre teve o hábito  de adoçar vinho.
               Tempo de Advento era tempo de Folia. A cada noite deveríamos ficar atentos, pois um grupo de cantadores andava a correr as casas cantando a história de Jesus. Na escuridão, sem nenhuma lamparina acesa, da tarimba mesmo eu escutava atentamente cada verso. E como eu admirava a narrativa da aventura de Jesus ao escutar que “bem podia ter nascido em colchão de ouro fino, mas para dar exemplo ao mundo, nasceu pobre o Deus-menino”! Pensava: tal como nós esse Jesus! Só faltava aparecer no dia 25 de dezembro, esganado para comer a macarronada e tomar do vinho adocicado pela mamãe! Ah! E também era capaz de avançar no nosso omelete reforçado com farinha de mandioca! Um pouquinho de tudo... Como não era muito, a gente escutava da mamãe: “Façam regar porque tem de dar pra todo mundo”.

               Natal de hoje tem muitas coisas, mas não era o tudo daquele tempo.

FOLIA NA CADEIA

Antiga cadeia de Ubatuba, na praça Nóbrega (Arquivo Ubatuba histórica)

               Cadeia é lugar triste. O pai do Joaquim Sirvino dizia: “Cadeia não é lugar de homem. Ali a pessoa fica confinada, sem participar da vida comum de todos”. De vez em quando, no meu tempo de criança, eu ouvia a palavra cadeia como sendo lugar de castigo para alguém que cometeu erro grave. Tanto por parte de pai como por parte de mãe eu tive parente que foi inspetor de quarteirão.
               O inspetor de quarteirão era uma autoridade local escolhido por quem era a lei máxima na comarca. Na verdade, o escolhido era um caiçara comum – roceiro-pescador – indicado para “representar a Lei” (a Justiça), resolver os casos mais simples ali mesmo ou encaminhar os casos mais graves (brigas mais violentas, intrigas por terras etc.) para o delegado da cidade. Tio Nelson fala do vovô Armiro, inspetor de quarteirão por vários anos, atravessando o largo, da Fortaleza para o Lázaro, remando com dois detidos por briga feia. “Um na proa, outro na popa e papai no meio, mas cada um com um remo”. Os dois ficaram uns dias na cadeia da praça; vovô teve que romper sozinho o mar na volta.
               Fidêncio e Teotônio escutaram a bronca, varreram o chão e depois foram recolhidos na cela vazia. Na outra se encontrava um dos Mesquita devido arruaça no carnaval. Cansados que estavam, não tardaram a dormir. Logo começaram a sonhar com festa em meio a bonitas toadas, com barulho aumentado cada vez mais. Nisso acordaram. Era um bloco carnavalesco que festejava na praça Nóbrega, com muita gente animada em torno de um boi que cabeceava pra lá e pra cá. Nele estava escrito Boi do Veiga. Tinha gente conhecida dos dois, mas muitos estavam fantasiados. A empolgação era tanta que os dois começaram a se sacudir ao ritmo da marchinha “Velho traz, velho leva”, do compositor caiçara Domingos Anagro. O Mesquita continuava roncando na esteira, num canto da cela, mas os dois logo se soltaram no refrão: “Ratambufe se despede desta tarde de folia/ Subindo a Maria Alves com arco de guatambu/ Velho traz, velho leva com prazer e alegria/ Agora com muita fome só mesmo um prato de angu/ Angu, guatambu... angu, guatambu...Velho traz, velho leva...Velho traz, velho leva enquanto esfria”.

               Após festejarem, cansados até... o soldado de plantão abriu a cela, mostrou as duas vassouras encostadas na parede e deu a seguinte ordem: “Agora vocês dois vão varrer toda a praça, juntar o cisco para depois jantar e dormir. A dona Donata trouxe arroz e peixe frito. Depois que saírem daqui vocês terão quinze dias para acertar as contas com ela, senão... voltam a festejar na cadeia”.