sábado, 31 de janeiro de 2015

ILHA DO MAR VIRADO

Sol bem cedo  (Arquivo João Ricardo Júnior)



                   Ainda bem que deu tudo certo!
                Há três dias, juntamente com os amigos  Jorge, João e Evalci, tornei a visitar a Ilha do Mar Virado, em Ubatuba.
                A Ilha do Mar Virado faz parte da minha história por parte da mamãe, da Praia da Fortaleza. De lá era a Tia Gaidinha, a minha bisavó -  a segunda esposa do Nhonhô Armiro. De lá era a Maria Barbina, a parteira, mãe do Arcide, do Eugênio Inocêncio e tantos outros. De lá era o João da Varge, o Lourenço da Ilha, o Calixto, a Dulcinéia, o Germano e tantos mais. Lá está a base de novas  gerações que estudam ou estudaram em outras terras distantes, se tornaram profissionais nas áreas de fisioterapia, arquitetura, agronomia etc. (Me refiro aos descendentes da tia Maria do Bernardino).  Daquele lugar, onde tantos umbigos foram enterrados, tem gente por muitos outros países (O Almirinho vive há anos em Singapura. A Dulcinéia tem uma filha na Holanda). De lá saíram tantas pessoas honestas que agora povoam a minha memória. De vez em quando avisto algumas delas e penso: “Será que elas sabem de suas origens, dos nossos antigos vivendo e plantando na Ilha do Mar Virado?”.
                Cresci pescando por ali com o vô Armiro e com o papai. Aquelas lajes são todas conhecidas minhas desde o tempo criança. Por ali eu vi o maior cardume de botos na minha vida! Quantas espadas, cavalas, sargos etc. eu apreciei a partir dali!?! Ali, entre a Ponta da Fortaleza e a Lage de Fora, dei os meus primeiros mergulhos e vi as maravilhas do fundo do mar. Papai me acompanhava bem de perto.
                Os mais velhos, que não moravam na ilha, mas nas adjacências (Fortaleza, Praia da Deserta e do Cedro), até a década de 1950 tinham por lá as suas roças. Atravessam de canoa, faziam os seus ranchos apenas para passar a semana e cuidar da plantação. O motivo? Nas terras do continente as saúvas destruíam tudo. Na ilha não havia tal problema. A tia Maria do Genésio dizia que o único medo era das jubartes, abundantes numa determinada época do ano, quando estavam com crias novas. É que elas, descuidadamente, podiam virar canoas. A vovó Eugênia assim dizia: "Lá morava muita gente, menino! A Folia do Divino levava três dias em cantoria por lá".
                Recentemente, a partir dos estudos nos sambaquis da Ilha do Mar Virado, podemos afirmar que, antes do índios tupinambás, já viviam por aqui outros seres humanos. Os achados (ossos, utensílios...) permitem uma certeza: há mil e duzentos anos atrás tinha gente desfrutando desse pedaço de chão. Então, naquela ilha estiveram os nossos antepassados mais antigos.

                Voltar e dar a volta em torno da Ilha do Mar Virado foi um reviver em partes da minha história! Mesmo que a pescaria prevista não tenha sido a contento, creio que os meus bons companheiros desse dia adoraram a paisagem, a paz e o banho em águas tão límpidas. É isso! Valeu o dia que vivemos juntos!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

AOS QUE CHEGAM

Na parede de um edifício, em Ubatuba (Arquivo JRS)
                Olá, Pedro Caetano! Bem-vindo ao blog!

               Nesses dias passados tenho encontrado gente nova na cidade (Ubatuba) que vem me perguntar a respeito de fatos da nossa história. Querem se inteirar e interagir com o nosso lugar.  Acho muito bom! É conhecendo essa terra e a essa cultura local que a gente passa a gostar mais e a defender esse pedaço de chão tão especial por natureza.
               Eu até sempre tenho um roteiro a apresentar, mas o ponto de partida, na minha preferência, é a vida dos  habitantes que aqui estavam no século XVI (por ocasião da chegada dos portugueses), ou seja, os indígenas da etnia Tupinambá.
               Entre os diversos autores que teceram suas considerações a respeito desse importante grupo indígena, eu gosto do Benedito Prezia, cuja obra mais didática, em parceria com Eduardo Hoornaert,  tem o título de Esta terra tinha dono.
               Foi para lutar contra a escravização, no plantio de cana-de-açúcar, que os habitantes desse território se uniram na Confederação dos Tamoios, na primeira resistência organizada dos índios do continente americano.
               Tamoio queria significar os mais antigos do lugar, aqueles que estavam aqui primeiro, que não aceitavam a forma de relação imposta pelos portugueses. Então, dessa união dos diferentes grupos indígenas, desde o planalto paulista até o litoral norte fluminense, começou a guerra que durou de 1562 a 1567. De acordo com Prezia, a doença por nome de varíola foi a grande aliada dos portugueses. Até o grande cacique Cunhambebe morreu nesse intervalo. Contribuiu ainda para a vitória lusitana: a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro e a atuação dos padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta.
               Hoje, vendo a atuação dos líderes religiosos nessa sociedade de conformismo, de alienação, eu penso nos tupinambás que logo se acalmaram com a fala do padre Anchieta. Acabar com o povo que amava a liberdade era o sentido da missão dos jesuítas?
               Após as perseguições, os colonos portugueses implantaram o que se tornaria a Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, em 1637.

               Ao se deparar com nomes, tais como: Avenida Iperoig, Rodovia dos Tamoios, Rua Cunhambebe, Travessa Koakira, Condomíno Paz de Iperoig etc., tenha a certeza de que esta cidade já fez parte do território livre dos tupinambás. Foram dizimados, mas deixaram seus traços na cultura caiçara. Hoje, as duas aldeias que existem (Corcovado e Prumirim), são da etnia guarani, que migraram da região sul, no final da década de 1970, na firme esperança de alcançar a Terra sem males. Quer teologia mais nobre que isso?

domingo, 25 de janeiro de 2015

FREI PIO BUSCOU SE ACAIÇARAR

Muro da Creche Francisquinho 2014 - Estufa (Arquivo JRS)

               Vale a pena recordar!

          De vez em quando eu recordo de algumas passagens a respeito do saudoso Frei Pio Populin, sobretudo de embates com o finado João Pimenta, da praia do Sapê, onde nasci. Era interessante escutar uma espécie de prosa que não era comum em nosso meio. Hoje eu digo que tratava-se de enfrentamentos teológicos. Quando? Segunda metade, quase final da década de 1960. A imagem do disposto religioso escondido por um hábito marrom, tendo um cordão encardido pela cintura, foi marcante na minha infância. Bem depois disso, já na década de 1980, na Estufa, lá estava eu ajudando o mesmo frei nas obras da futura Creche Francisquinho. Também estive com ele me inteirando do Posto da ASEL, na Praia da Ponta Aguda. Deste lugar estão na memória: Aristeu, Odócia, João Araújo, Ambrósio, Filhinha e tantas pessoas desta terra (Ubatuba) maravilhosa!
               Agora, relendo a tese de doutorado do Olympio Corrêa de Mendonça, defendida em 1978, novamente sou instigado a escrever a respeito do Frei Pio.

              "A instabilidade social da região dificulta muito o levantamento estatístico do número de suas casas e seus habitantes. A transformação causada pelas obras da Rio-Santos, a especulação imobiliária, a presença de potentes barcos de pesca nesse litoral e a proibição da caça de subsistência têm estimulado o êxodo para as cidades. O Bairro da Estufa, em Ubatuba, tem recebido um enorme contingente de famílias de retirantes. Em Ubatumirim, porém, onde se instalou uma missão franciscana, o êxodo rural é menor. Há casos, inclusive, de famílias que mudaram para Ubatuba, gastaram o dinheiro da venda de seus terrenos, e depois voltaram para a região, internando-se nos sertões do sopé da Serra do Mar, para formar novas posses, onde lavrariam a terra, beneficiariam a mandioca, e dedicar-se-iam à caça de subsistência, únicas atividade para as quais estão preparados."

               [...] De 1970, quando começou o desmatamento para a construção da estrada de serviço [dando início à rodovia que nos ligaria à vizinha Paraty],  até hoje, quando o asfalto corre por vales, corta morros, aterra mangues e já está para se encontrar com o trecho que vem de Santa Cruz (R.J), e as autoridades prometem a inauguração do trecho Ubatuba a Santa Cruz, para meados de 1976, a região já sente os sintomas e as consequências de uma transformação radical. Junto com o desenvolvimento chegou a destruição. [...] O caiçara antes já abandonado, recebe agora o tiro de misericórdia. As pressões econômicas, físicas, psicológicas, despojam-no de suas posses seculares (Ver SEMEDO, Fernando. “Rio-Santos ameaça tudo, até os caiçaras”. O Estado de São Paulo. São Paulo, 29 out., 1973). Os terrenos chegam a ser vendidos por centímetros. É a Costa do Ouro Brasileira; não há lugar para os que a lavraram durante cerca de 300 anos.
               Os caiçaras expulsos das terras de seus ancestrais, são apertados nos sertões dos sopés da Cordilheira Atlântica, tornam-se, mais raramente, caseiros de suas próprias terras, já vendidas a preço baixo, e, no mais das vezes, são jogados às sarjetas das cidades vizinhas, que se incham nas favelas, que já começam a proliferar pelos mangues e morros.

               [...] Se não tivesse existido o esforço ingente da Ação Social Estrela do Litoral (ASEL), dos Frades Conventuais, talvez esse “Império Caiçara” já estivesse totalmente devastado.
               Frei Pio Populin, missionário franciscano conventual, nascido em 17/02/1913, chegou a Ubatuba em 1966. Seus primeiros contatos com os caiçaras são narrados por Stipp Junior:

               “... no meio dos turistas, sua atenção foi atraída por aquela gente simples e pobre que chegava pelo mar, com sacos de farinha ou cachos de banana para vender...”

               Ele embarcou-se numa daquelas canoas feitas de um só tronco e penetrou no chamado “Império Caiçara”. Mais tarde, vencendo dificuldades enormes, instalou em Ubatumirim, no coração da região, o Centro de Promoção Humana e Profissional, mantido pela ASEL da qual foi fundador e presidente.


               Sei dos esforços do Frei Pio. Meus tios Salvador, Nelson e Dito Félix e tantos outros estiveram na empreitada do Estaleiro do Padre. Ele, imitando o Santo de Assis, também saía pedindo até mesmo junto aos empresários no ABC e na capital paulista. Agora, desde 18/11/2009, descansa neste chão que tanto amou, bem longe da pátria italiana. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ASSOMBRADO


Pescaria na Trindade (Arquivo Trindadeiros)
 As histórias de assombração fazem parte da nossa infância, mas até hoje adoro ouvi-las. Hoje, relendo uns textos, encontrei esta do saudoso Tio Antônio Félix. Vale a pena recordar as coisas da gente!


Tio Antônio estava casado havia pouco tempo com a tia Conceição quando isso aconteceu. Em uma noite escura como tantas, deixou sua casa no Sertão da Quina para pescar – passando a rede de “picaré” na praia. Na volta, já de madrugada, parou numa moitinha na beira da estrada e de lá onde estava agachado viu passando uma luz que julgou ser o Zeca Pedro com sua lanterna. Então gritou: “Espere por mim, Zeca Pedro, que eu te acompanho!”. No mesmo instante a luz parou e Tio Antônio, ao se aproximar um pouco, viu que não era o seu conhecido e sim uma luz esbranquiçada e informe que se transformou num vulto alto como um coqueiro que, parada, lhe impedia a passagem assustadoramente.
Tentando esconder o medo e manter a tranqüilidade, e sem entender nada daquilo, disse num tom desafiador: “Se não me deixa passar não tem problema, conheço outro caminho”. E assim se foi, pegando um desvio, até que viu a luz aparecer novamente à sua frente. O que aconteceu desse momento em diante tio Antônio não soube explicar, julgava que havia perdido os sentidos pois não se lembrava de nada mais. Somente no dia seguinte foi que acordou na casa do velho João Firmino, no Sapê, distante do ocorrido mais ou menos um quilômetro.
Segundo o João Firmino, tio Antônio bateu em sua porta desesperado, gritando pela esposa, Conceição. Ao abrir a porta o velho percebeu que ele estava “assombrado”, então apagou a luz da lamparina (pois era assim que se agia quando alguém estava assombrado) e o colocou para dormir.

E era assim que tio Antônio testemunhava a existência de assombrações.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

POESIA CAIÇARA


       Tia Isolina, nascida na Praia do Pulso, depois que foi morar em Cunha, vinha ao menos uma vez por ano em Ubatuba. Era para rever a parentada toda. Numa ocasião, quando morávamos na Praia do Perequê-mirim, ela nos fez a costumeira visita. Foi quando a mamãe deu a seguinte incumbência: " Zezinho, acompanhe a Tia Isolina até a casa da sua avó, no Sapê. Ela já está velhinha e é perigoso ficar andando sozinha por aí". Ah! Quantas coisas eu aprendi das sua prosas! Dela é o dizer: "Praga eu não rogo, mas bom fim não há de ter". Mulher de olho mais azul nunca vi!


História de Isolina




Isolina, neta de Francisco Cabral,

é por livre e espontânea vontade

que vós estais deixando a brisa do mar,

a areia da praia,o pirão de peixe,a festa das
 
gaivotas,

a raiz da família,a história de sua terra,

por marido e nova vida

em Cunha do alto da serra?

Isolina Cabral,

vós acreditais que a força do verbo amar

é mais forte que o mar?


Autor: Domingos Fábio, o Mingo.

domingo, 18 de janeiro de 2015

MUSICALIDADE CAIÇARA

Café com abacate e farinha de mandioca: vai aí? (Arquivo JRS)



       Hoje, homenageando os artistas caiçaras de outros tempos e atuais (Júlio, Aguinaldo, Ostinho...), apresento a composição feita na Praia da Enseada, com base na cultura caiçara. Valeu, Ostinho! 
Vale a pena conferir na página do Ostinho e Artes: https://www.facebook.com/video.php?v=1522355964714439&set=vb.1400459476904089&type=2&theater

Samba de enredo - Ao pôr do sol a Enseada é carnaval (Composição - Ostinho)

É lindo é lindo!
O pôr-do-sol na praia da Enseada
Um esplendor, a natureza do Criador
Eu mergulhei, eu naveguei
Eu mergulhei na história do lugar
Tantos mistérios, tantos segredos nas águas do mar
É ela tão bela, Dona Zenaide me falou
Um santo que era de barro
Hoje ele ressuscitou
Trazendo de volta
Nosso folclore o nosso valor
A alegria de um povo
E do caiçara pescador
Oi pega, pega o boi
Bota o boi pra dançar
Oi pega, pega o boi
Deixa o boi farrear
Oi pega, pega o boi
Bota o boi pra rodar
O carnaval é uma festa popular

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

SE RECICLANDO NO AMBIENTE QUE NOS GEROU

                

                  Bem-vindos ao blog Marcos Prado e Carla Santos!


                Reciclar, no texto de hoje, significa aprimorar a partir de tornar a experimentar, de uma revisão, de superar novos desafios, de reencontrar com antigas práticas de coleta, de reparar nas marcas deixadas pelos animais, de reconhecer os sons dos pássaros etc. que são perpetuadas por nossos mateiros caiçaras.  No caso, estou me referindo ao hábito de fazer trilhas pela Mata Atlântica, pelos nossos morros.
                Geralmente, no decorrer do ano, as minhas caminhadas são curtas, sem exigência de muito esforço, nem de grandes desafios. Na maioria delas é possível fazê-las com vestimentas leves, calçados simples ou chinelos.  Porém, sinto falta das caminhadas pesadas, onde as roupas devem ser reforçadas, além do uso de botas de borracha, do tipo usado nas tarefas dos bananais, imprescindíveis porque protegem os pés dos buracos entre as raízes e pedras, dando firmeza em pontos inseguros.  
                O parceiro de subida da serra, que contribuiu nessa reciclagem, foi o Valtinho, caiçara do Sertão do Ubatumirim, morador no Ipiranguinha há mais de trinta anos. O trajeto foi a Picada da Cachoeira do Meio, na área da Trilha da Serra Acima, o primeiro acesso das terras ubatubanas com o território do Vale do Paraíba.  Ontem, 15 de janeiro, guarnecidos com mochila e facão, começamos por volta das 5:30 horas a nossa jornada. Antes das 15:00 horas chegamos de volta em casa. Ufa!
                Foi um ritmo forçado. Nesses momentos, controlando o fôlego para não ter de parar para descansar, é que eu pensei o quanto ainda tenho de treinar para subidas íngremes, tendo apenas galhos e poucos cipós como auxílio. Já o meu parceiro, devido ao hábito regular, não perdia o pique nunca. A disposição das descidas era o mesmo que das subidas e dos escorregões. “Não é fácil acompanhar o Valtinho!”.
                A picada é um trajeto antigo, dos caçadores. “Geralmente são feitos sobre antigos carreiros de animais”, mas não são muito evidentes. Ou seja, aqueles que as utilizam não querem limpá-las para não causar estranheza aos animais. Temem também a invasão de aventureiros e o policiamento. É como se dissessem: “Quanto menos vestígios melhor”. Os sinais mais indicativos das picadas são galhos e folhas dobrados.
                A Picada da Cachoeira do Meio começa na Cachoeira dos Macacos, na região onde várias cachoeiras se juntam para constituir uma das captações de água do município de Ubatuba. Não é possível descrever as belezas das quedas e dos poços de águas límpidas que enfeitam essa nossa mata. Também não tem como deixar de perceber que esse ambiente é muito frágil. Sob nossos pés, longe das grotas úmidas, o que notamos são pedras e solo arenoso sustentado por árvores, quase sem nenhuma vegetação de menor porte consistente. Ou seja, acabem com as árvores e teremos uma desolação só, com pedras e terra descendo livremente em direção às áreas de ocupação humana, soterrando tudo.
                Na serra, aparentemente  verde, tem trechos sem água, mas é o melhor lugar para perceber as árvores como estratégia para a captação das águas. Por isso, nunca se aventure nela sem levar uma reserva de água.
                É deslumbrante perceber que aquele filete de água, brotando numa grotinha qualquer, logo vai se juntar com uma água maior e dar um espetáculo de nos convidar a ficar ali pelo resto da vida.

                Também é legal escutar pássaros que, nessa época do ano, nem se aventuram perto do mar. E o que dizer das marcas dos animais maiores? O Valtinho, criado nessa nossa mata, mais observava, mas de vez em quando dizia: “Tá vendo essa marca na areia, Zé? É cateto que passou por aqui!”. “Tá escutando o sabiá preto cantando?”. “Daqui a um mês, após a chuva, podemos vir para recolher coco pati brotado. É muito bom, né?”.