quarta-feira, 12 de agosto de 2026

SE FOSSE HOJE

 

Espera... Arquivo JRS

       Estou no AME (ambulatório médico de especialidades) de Taubaté, pois a minha filha tem uma consulta agendada faz tempo. Do lado de fora, num espaço de espera, vejo encostar o veículo que transporta pacientes desde a nossa cidade de Ubatuba. Duas das mulheres, assim que desembarcaram, vieram se acomodar ao meu lado, nas cadeiras vazias. Escuto delas uns absurdos (se levar em conta que elas estão ali dependendo de um serviço público). Se depender delas, a ultra direita política será eleita. Miséria cultural é isto: ser favorável aos seus algozes. Digo isto porque esses reacionários já provaram que farão de tudo para estabelecer um Estado mínimo, são contra a soberania e a democracia. Pior: declaradamente são contrários aos programas sociais que tanto salva a nossa população mais necessitada. E essa gente, atendida graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), como vai se virar a partir do momento que o pobre deixar de ser prioridade?
    Dei um pulo, pensei numa citação a respeito de Jesus onde está escrito que levaram até ele uma mulher surpreendida em adultério. (Mas não levaram o homem que estava com ela?). Queriam saber o que esse líder espiritual iria fazer. (Segundo a religião judaica ela teria de ser apedrejada). O escriba do episódio relatou que o nazareno se agachou, pegou uma vareta e começou a  escrever algo no chão. O que seria? É quase certo que questionava a turba presente que acusava aquela mulher. Se fosse no dia de hoje, sob os olhares das duas mulheres e de um tantão de gente reacionária, eu estou a imaginar o teor do que marcaria o nosso chão: "Por que vocês querem apedrejar quem é mais pobre?". "É natural tanta gente simples não enxergar quem está descaradamente contra eles?". "Quando vocês acordarão para perceber os lobos em vestes de cordeiro, prontos para abocanhar os mais fragilizados da sociedade?". "Em qual momento deixarão de ser hipócritas, fingindo santidade, mas buscando se aproveitar do esforço alheio?".
   É, muitos outros questionamentos Jesus traçaria na areia! Qualquer líder religioso provido de espiritualidade solidária e sedento de justiça não faria ouvidos moucos diante da atual situação, do contexto político brasileiro.
   "Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra".
    Qualquer líder político de verdade sabe quem vai receber as pedradas da multidão alienada/usada pelos poderosos.

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