terça-feira, 25 de agosto de 2026

CULTURA POPULAR TEM LADO

 

Mural em Caraguatatuba - Arquivo JRS 

     Uma colega de infância me perguntou de que lado eu estava, em quem votaria nas próximas eleições. Eu lhe disse que, desde 1982, só voto em quem concorre pela esquerda. Ela se indignou.

   Mediante os absurdos que já presenciei, sobretudo nos últimos tempos, não me arrependo de estar com gente que defende pautas favoráveis à vida (que preservam nossos direitos, investem na educação e saúde, promovem a cultura popular e a conservação de um meio ambiente saudável).  Deixo o outro viés (reacionário, maldoso e repleto de idiotices) aos gananciosos, que desejam golpear a democracia, a classe trabalhadora e a soberania. Por conta disso, das mentiras propagadas no intuito de aliciar os pobres, os sofrimentos aumentam. Por isto tudo eu sigo escrevendo e ciente de que estou do lado melhor. Cultura popular tem lado! Alguém dúvida?

     Primeiramente eu quero registrar muitas das coisas que são da tradição oral caiçara. Se hoje podemos saber das imemoriais lendas, de causos e histórias (geral ou particular) é porque alguém decidiu escrever, registrou imagens e sons; nos retransmitiu representações e outras formas lúdicas que servem à conscientização. E, com certeza, há um oceano infinito de histórias não escritas nos desafiando à navegação. Neste momento estou pensando na Harumi Honda que resgatou boa parte do legado de seu pai e produziu um pequeno acervo para o deleite do público. (Está, no momento, à disposição de visitantes no Teatro Municipal de Ubatuba). Eu, na minha modesta canoa, sigo dando remadas. A tecnologia evoluída desde as plaquinhas de barro dos assírios até o computador atual me auxiliam neste desejo de contribuição às nossas raízes caiçaras. Dito isto, como apoiar políticos que são autores de projetos para fechar praias e caminhos de servidão? Como desejar que mangues sejam destruídos por leis reacionárias? Como aplaudir quem está contra a natureza e os direitos básicos? Quem já se esqueceu de nossos sítios arqueológicos sendo enterrados e dando lugar aos loteamentos e condomínios fechados? 

  O que fazer? Votar em representantes políticos das causas que incluam os marginalizados pelo sistema reinante há muito tempo! 

     Eu sigo no sonho da minha infância de transformar dor em flor. À referida colega do início do texto, que se acomodou pensando ser da elite, só uma recomendação: procure um psiquiatra, leia mais para que seus olhos vejam com amor a beleza da nossa diversidade brasileira e volte a ser do lado das causas humanitárias.


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