sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PASSARINHO NA PAREDE

 

Viva a arte! - Arquivo JRS 

     Eu me encontro apreciando a arte no muro enquanto os profissionais da fisioterapia aplicam suas habilidades na recuperação de pacientes. Vozes estranhas ao ambiente de solidariedade, de empatia, se imiscuem no ar, causam revolta no meu ser.
     Sabe o que vai aumentando desmesuradamente a alienação, a imbecialidade? Parece incrível, mas estamos num paradoxo: perante um infinito mundo de informações disponíveis em qualquer aparelho celular, há muita gente sem exercitar a reflexão, evitando desenvolver o senso crítico. Indivíduos na fila para receber o atendimento público de saúde, mas se declarando favoráveis ao candidato ao cargo de presidente deste país que é contrário às políticas sociais voltadas aos mais desfavorecidos. Como pode?
      Noutro momento, mas ainda em contexto de atendimento à saúde pelo Estado, noto muitas pessoas simples, humildes mesmo, mas também uns traços são reveladores de gente com mais posses, boas vestimentas e se revelando muito à vontade em perguntar e percorrer o ambiente. Gente esperando condução sem  saber o horário certo e gente com moderno carro esperando no estacionamento logo ali. Então escutei esta pérola da dona Francisca:

     "Eu sou da roça, de Natividade da Serra. Vivo lá desde que nasci. Meu marido se foi há dois meses. Foi muito depressa, nem doente estava. Numa tarde ele chegou da tarefa e recomendou que eu guardasse tudo, fechasse muito bem as vasilhas, não desse chance ao ataque dos bichos. Quando eu quis saber a razão das preocupações, ele apenas disse que logo eu saberia. O senhor acredita que dois dias depois ele morreu, assim do nada?"

Nenhum comentário:

Postar um comentário