quinta-feira, 30 de julho de 2026

A PEDRA DA CRUZ

 

Toninho, eu e Ditinho - Arquivo Estevam


 

     Era dia de domingo. Bem cedo trepei no pé de carambola para recolher alguns frutos e fazer doce. Você já comeu? É bom demais, minha gente! Naquele momento me veio à memória a ocasião em que conheci essa fruta tão singular: foi no terreiro do tio Dário, no morro da praia da Fortaleza. Eu, criança de tudo, batia pernas por todo lado, mas gostava de me deter na casa desse parente para escutar toda a família tocando e cantando. Bons momentos que merecem ficar na lembrança, serem recordados. Veio a tarde. Conforme eu tinha planejado, me preparei para visitar os primos Toninho e Ditinho, filhos do saudoso casal Dário Barreto e Maria Estefânia. Estevan, meu filho, topou de ir junto. Assim, pedalando com tranquilidade, fomos até o centro da cidade. Eles moram há muito tempo próximo do sítio Aratoca, mas são da praia da Fortaleza. Na minha infância, éramos vizinhos no morro.

    Ditinho e Toninho demonstraram muita alegria com a nossa visita. A prosa passou por muitos assuntos: álbum de fotografias, novidades de familiares, saúde, lembranças nossas de tantas coisas que jamais eu seria capaz de imaginar sozinho. Tudo às pressas, na entonação do “dialeto” caiçara!

     Ao relembrarmos as festas, um de nós citou a tia Martinha. Doce de mamão distribuído para todo mundo era um capricho dela. Tio Cláudio, irmão do nhonhô Armiro, foi marido dela. Também lembramos de como ela, depois de viúva, se virava sozinha na lida da roça. A imagem dela descendo da roça com vários cachos de bananas me marcou demais. Ditinho completou dizendo: “Vez ou outra o Mané Bento ajudava ela”.

     Eu percebi que o Toninho estava muito empolgado com nossas recordações. Foi ele quem perguntou: “Vocês se lembram da Pedra da Cruz?”. Eu não sabia do que se tratava, mas o Ditinho explicou de imediato: “A Pedra da Cruz era quase chegando na Ponta, onde um filho da tia Martinha morreu. Ele foi pescar e sofreu um ataque epilético. Caiu na água e morreu. Foi preciso passar a rede para resgatar o defunto e sepultar. Sobre a pedra firmaram uma cruz. Depois, com o tempo, ela se acabou”. Eu quis saber o nome desse parente que se foi no mar, mas os primos não conseguiram se lembrar. Quem poderá colaborar nisto?

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