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| Cidade pequena - Arquivo JRS |
José Ademar, bem mais vivido do que eu, me reconheceu primeiro. De um chute inicial no futebol, adentrou na política, na onda nefasta, reacionária, da atualidade brasileira. Estávamos em viagem. Fizemos aflorar os principais temas e problemas. Passeamos pela geografia miúda, pois na área maior nossos filhos se debruçam, nadam nas escolas. Assim viajamos horas. Nas suas falas empolgadas eu me inspirei.
Resistir nesta chão,
Torná-la outra terra
Onde patifes serão delimitados.
No agora, absurdo refúgio,
Fisionomias sucumbidas,
Corpos resignados,
Sonhos perseguidos
Ou duramente resignados.
Utopias aparentemente imobilizadas,
Frestas para pouco se ver;
Sacolejos nos obstáculos.
Nós chegamos aqui!
Onde nós estamos?
Distinguimos democracia de autoritarismo?
Firmamos posição por mais vida?
Sustentamos bandeiras contra egoísmo?
Vivemos no mundo próximo,
Vi o mundo lá fora.
A Terra foi alargada,
Subi muitos degraus,
Distinguí corpos enterrados,
Gente carregando o próprio caixão;
Multidão de alienados.
José Ademar, gente da roça,
Migrante ainda menino.
Despertou na cidade,
Se fez no operariado;
Na arrogância da força
Que distinguia o militar
Ousou enxergar mais longe.
Diálogo de sonhos a fermentar.

A luta de um povo que disse não!
ResponderExcluirBem isso!
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