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| Folia do Divino 2026 - Arquivo Débora |
Tio Maneco Armiro, rabequista de primeira, fazia todos os anos a sua parte na corrida da Bandeira do Divino. De vez em quando eu atentava aos elogios que eram feitos aos seus parceiros. Tinha predileção pelo paratiano Otávio porque era desinibido, gostava de falar e tinha uma visão de mundo diferente, era viajado, vivia de música e de um mínino de subsistência (puxava rede no Itaguá com Florindo e Aládio, limpava terrenos por empreitadas, buscava sardinhas no cais etc.). Outros bem estimados eram Santinho e Otaviano. Este, violeiro, natural do Itaguá, faleceu em 1979. É por sua voz que apresento agora partes de uma música recolhida pela Kilza em anos de pesquisa sobre a produção musical caiçara:
Quem quisé sabê meu nome
Vai lá em casa que eu dô
O meu nome tá escrito
Na porta do corredô, ai, eh!
Notou que o músico deixava um clima de suspense? Depois de outras quadras, finalmente ele revela o seu nome:
Eu me chamo Taviano
Escrevê nome não carece
Em toda parte q'eu vô
O pessoar me conhece.
Portanto, logo é fácil deduzir que tio Maneco, Otávio Paratiano, Santinho, Otaviano, Dona Sebastiana, Pedro Brandão e outros mais eram andarilhos no cumprimento da devoção. Eram conhecidos por toda gente do município naquele tempo em que a religiosidade popular transpirava no universo caiçara.

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