quinta-feira, 9 de julho de 2026

O VIOLEIRO OTAVIANO

 

Folia do Divino 2026 - Arquivo Débora 

    Tio Maneco Armiro, rabequista de primeira, fazia todos os  anos a sua parte na corrida da Bandeira do Divino. De vez em quando eu atentava aos elogios que eram feitos aos seus parceiros. Tinha predileção pelo paratiano Otávio porque era desinibido, gostava de falar e tinha uma visão de mundo diferente, era viajado, vivia de música e de um mínino de subsistência (puxava rede no Itaguá com Florindo e Aládio, limpava terrenos por empreitadas, buscava sardinhas no cais etc.).  Outros bem estimados eram Santinho e Otaviano. Este, violeiro, natural do Itaguá, faleceu em 1979. É por sua voz que apresento agora partes de uma música recolhida pela Kilza em anos de pesquisa sobre a produção musical caiçara:


Quem quisé sabê meu nome

Vai lá em casa que eu dô

O meu nome tá escrito 

Na porta do corredô, ai, eh!


     Notou que  o músico deixava um clima de suspense? Depois de outras quadras, finalmente ele revela o seu nome:


Eu me chamo Taviano

Escrevê nome não carece

Em toda parte q'eu vô

O pessoar me conhece.


      Portanto, logo é fácil deduzir que tio Maneco, Otávio Paratiano, Santinho, Otaviano, Dona Sebastiana, Pedro Brandão e outros mais eram andarilhos no cumprimento da devoção. Eram conhecidos por toda gente do município naquele tempo em que a religiosidade popular transpirava no universo caiçara.

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