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| Derek Walcott - Arquivo internet |
Eu, prosseguindo na leitura de O Mundo da Escrita, sou transportado para a ilha de Santa Lucia, estou na referência à peça teatral O Mar em Dauphin. Tive de pesquisar. Trata-se de uma produção escrita por Derek Walcott, encenada pela primeira vez em 1954 e retrata a vida difícil de pescadores pobres na ilha, tendo o mar como uma força implacável e o motor da história. Quem é Derek Walcott (1930- 2017)? É um escritor dessa pequena ilha, um pais caribenho, ganhador do Prêmio Nobel de literatura em 1992.
O Mar em Dauphin aborda uma luta por sobrevivência, tal como todos os povos litorâneos sempre fizeram no enfrentamento ao mar, insistindo nas pescarias como alívio à pobreza e tragédias. A palavra que se aplica mais adequadamente, creio eu, é resiliência.
A introdução acima foi para dizer que o autor do livro, Martin Puchner, foi até Santa Lucia para conhecer Derek Walcott, querendo a todo custo alcançar a localidade inspiradora (Dauphin), ver se ainda existia o protagonista da peça teatral. A seguir, as palavras dele:
Depois de outra curva na estrada, cheguei a Dauphin. E não pude acreditar em meus olhos: lá estava ele, a figura solitária que eu imaginara em meu devaneio, de pé na praia, pescando. Eufórico eu caminhei em sua direção. Quando me aproximei, notei que ele vestia a camiseta da seleção brasileira de futebol. Não era exatamente a roupa desgastada, costurada à mão, com que eu revestira meu solitário pescador imaginário. Chamei em voz alta, para não assustá-lo, e ele se virou com a vara de pesca na mão. Pareceu apenas levemente surpreso ao me ver; devia ter me avistado enquanto eu me aproximava.
Só que aquele sujeito pescando ali nada tinha a ver com a busca do pesquisador, era apenas um policial de folga se distraindo na pescaria. No entanto, outra pessoa apareceu depois. Quando o autor do livro menciona Derek Walcott e O Mar em Dauphin, se emociona com a fala do recém chegado: "Claro, o Mar em Dauphin. Meu avô é o menino na peça". Nesta passagem da narrativa eu imaginei a emoção sentida por quem buscava conhecer a fonte inspiradora, naquela comunidade que nem existia mais. Fiquei pensando em quanta gente também já se refugiou em comunidades de pescadores-roceiros de Ubatuba e nelas se inspiraram à literatura, às artes. Quantos homens e mulheres, a partir do chão caiçara, seguem mexendo com nossas emoções?

O chão caiçara é realmente inspirador!
ResponderExcluirEu sou suspeito de falar. Bem como todo chão, né?
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