sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

CAMINHO DO PARU

Outra espécie, bom fruto (Arquivo JRS)

Bacupari (Arquivo JRS)


               É em tempo de férias escolares que a gente pode sair mais com toda a família. Com bastante gente é assim, né?!?  Então, aproveitando esse tempo, resolvemos ir até a prainha do Canto do Góis, onde nossos filhos tiveram seus primeiros contatos com o mar, de onde parte o caminho de servidão que percorre toda aquela ponta até a praia das Toninhas. Ou melhor, percorria! Agora, de uns anos para cá, este caminho dos primórdios da vida caiçara foi fechado no condomínio da Ponta das Toninhas. Mesmo assim, você ainda pode avançar pelo caminho afora, visitar as prainhas (Tapiá, Pixirica, Xandra e Maria Godói), apreciar a mata, o mar e algumas espécies do entorno, do percurso.
               Logo no começo encontramos o Paulinho do Paru e perguntamos se tinha algum peixe bom para nos vender. “Tem sim. Tem uns robalos, uns sargos e umas corvinas. Passa lá e dá uma olhada. Ah! Também tem marisco que colhi agora cedo. Fresquinho, fresquinho”. Fomos andando. Num caminho bem arejado devido as árvores, fomos apreciando as jaqueiras, os cambucazeiros, os bacuparizeiros, os araçaeiros, os grandes embiruçus e suas embiranas, os capim-navalhas, as piçarras...Enfim, tudo aquilo que faz parte do ser da gente desde muito tempo. De vez em quando um desbarrancamento recente atrai a atenção. Que calor! Sorte aquela bica na minúscula Xandra. Uns rapazes estavam mariscando, aproveitando a maré baixa. Na Maria Godói, fiz questão de mostrar a cava da casa das três irmãs. “Um dia a gente vai escavar para pesquisar o que os antigos caiçaras deixaram como vestígios, como pistas de suas vidas encobertas pelos matos”. Também relembrei: “Nesta praia nasceu a Dona Josefa, grande benzedeira do Itaguá, mãe do João de Souza”. Apreciamos uns docinhos bacuparis. Agora, o que mais me intrigou foi uma espécie da família do manacaru: estava com alguns frutos, bem ali na pedra à nossa frente. Subi e peguei o único maduro, já bem comido pelos passarinhos. Suas sementes estão germinando em meu berçário de mudas. Vamos espalhar essa novidade. Afinal, tudo isso é coisa de caiçara.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

REFLEXÃO

   
Capitão retardado na praia - Arte: Fábio

      A partir da poesia Reflexão,  em https://barbatuba.blogspot.com/, o mano Mingo faz avançar nossas reflexões.


Se as pessoas fossem leões
não precisariam de armas de fogo
para se defender dos semelhantes,
não se isolariam em muros e cerca elétricas,
não aceitariam o terror
como arma de dominação
e não calariam a voz contra a injustiça.
Pessoas não são leões.


Na verdade muitos são ovelhas dominadas pelo medo,
que elegem o lobo para sua liderança
por não conseguirem ter fé ou ver sinais de esperança

domingo, 6 de janeiro de 2019

SANTOS REIS CAIÇARAS

Peixes adorando o menino (Arquivo JRS)



               Os festejos do catolicismo sempre foram bem observados pelos velhos caiçaras, quase tudo se organizava em torno dessas comemorações. Numa ocasião, entre o Natal e o Dia dos Santos Reis, quando eu passava uns dias na comunidade da praia do Puruba, entre os irmãos dali (Tio Dico, Tia Baía, Tia Zaíra e Tio Antônio. Tia Rosa ainda não viera da cidade), depois de muita prosa e risadas na noite, esta foi a versão dos reis magos:

Tia Baía:  - Os Santos Reis estão passando pelas casas. O grupo do sertão do Puruba, na sua cantoria, nos relembra a cada ano a história do menino Jesus. Desse modo nós aprendemos sobre a nossa fé desde os mais antigos.

Tia Zaíra:  - José e Maria passaram um sufoco. Diz a história que não havia lugar para se acomodarem decentemente e ainda precisaram fugir da perseguição de Herodes. Foi numa toca de pedra que Jesus nasceu.

Tio Dico:   - O pior foi enfrentar aqueles caminhos seguindo a estrela-guia. isso quer dizer que eles viajavam de noite. Nós sempre viajamos daqui até a cidade [distante 25 quilômetros] de noite, não é mesmo?!? Quando é tempo de Lua cheia até que não é tão difícil, mas em noite escura de breu só coruja se dá bem!

Tio Antônio:  - É desse jeito, Dico! Agora mesmo eu não estou sem a unha do dedão por causa de um escorregão na semana passada, na volta da madrugada da festa de encerramento da novena na praia Vermelha?!?.

Tia Baía:  - Ah! Mas o que aconteceu também teve a ajuda do tanto que você bebeu de consertada, ouviu Antônio?! É doce, é gostosa, mas também embebeda!

Tio Dico:  - É por isso que eu não bebo. Depois, Antônio, sempre tem alguém jogando essa verdade na  sua cara, está ouvindo? E você já imaginou aquele pessoal se embebedando pelos caminhos: os Santos Reis e a Sagrada Família subindo as grimpas do Léo e rolando naquela grota do Canto do Félix, depois das Conchas? Teriam que dormir na areia grossa, debaixo daqueles abricoeiros, antes da capela. Se apagariam ali! E qual balseiro toparia em atravessar toda essa gente tonta de cansaço e de outras coisas? Teriam que ir à bau primeiro o Indaiá e depois a barra da cidade, o rio Grande.

Tia Zaíra:  -  Que nada! Nem chegariam lá! É certo que seguiriam o caminho contrário, aquele ensinado pelo perverso rei Herodes.

Tio Dico:   - Iriam parar então em Paraty?

Tia Baía:  -  Deixem de falar disso. Não se brinca com coisa sagrada.

Tio Antônio:  -  Você acha, minha irmã, que coisa sagrada, que gente sagrada é diferente da gente? Que eles não precisavam correr no mato quando tinham as necessidades deles? Não se agachavam para tomar no rego quando batia a sede? Será que não pararam nenhuma vez para pedir um café com farinha e peixe seco assado?

Tio Dico:  -  O Antônio tem toda razão. Contam os mais velhos que quem fez caridade assim recebeu uma benção, se compadeceu do grupo que tinha muito ainda para andar, foi junto, seguindo eles até a cidade. A Maria era jovem, mas estava muito pesada e não conseguia andar depressa. Por sorte que a pensão do Braga, logo ali, perto da igreja, sempre dava um jeito de acomodar quem precisasse. Não sei se fosse igual à temporada de hoje, com tanta gente, seria possível isso.

Tia Zaíra:  -  É, isto é certo: iam devagar, no ritmo dela que estava quase na hora do parto. Confiavam que tudo daria certo.

Tio Dico:  -  O menino na barriga foi se sacudindo todo.

Tio Antônio:  -  A mãe, coitada, deve ter vomitado demais.

Tia Baía:   -  É mesmo, né?

Tio Dico:   -  Mas as Escrituras não diz que ela tinha a força do Espírito Santo?!? E os outros?

Tio Antônio:  -  Ah, Dico! Deixa disso! Os outros tinham a força da nossa comida! Eles não se alimentaram como nós? Não comeram do nosso peixe, da nossa farinha de mandioca? Você acha que ninguém deu um grosso biju para irem roendo na longa pernada? Além do mais, já era tempo de jaca e de goiaba maduras. Só não comeram muito para não se empaturrar e ter de parar.

Tia Baía:  -  Vamos deixar de prosa. Agora já é hora de ir para a capela porque o compadre Dito Fernandes, a comadre Mocinha, o Pedro Brandão, o Anastácio e mais gente do sertão estão chegando assim que o galo anunciar a madrugada. Depois da cantoria a gente desmonta o presépio e guarda para só montar de novo em dezembro.

Tio Antônio:  -  E, depois da comidoria, vamos para o tio Durval. Já está tudo pronto para o bate-pé no assoalho dele! É hoje que o Sol desponta na Justa com gente lascando tamanco! Viva os Santos Reis! Viva!!!

Todos (inclusive eu):  - Viva os Santos Reis!!!



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

MAIS UM QUE SE VAI

Dona Maria: todo dia é dia bonito. Feliz 2019 (Arquivo JRS)

               Assim que me entendi por gente, ficava imaginando como seria o ano 2000. Achava que estava muito longe. Agora, já estou vivendo o ano 2019! Que coisa, né? Como tudo parece estar passando tão rápido! Agora já sou casado, meus filhos estão dando passos decisivos em suas vidas e já voam contemplando outros horizontes... E o Sol, desde que despontou vermelho sobre as águas,  está iluminando toda a serra e o mar! Hoje é um belo dia! Me corrijo. Conforme escutei de uma pessoa idosa no ano passado: “Todo dia é dia bonito porque a gente precisa de sol e de chuva; precisa de tudo que a natureza nos dá.” E não é que é mesmo!?! Acabei de ver, olhando através do portão, a Dona Maria sentada na sua cadeira de rodas e tomando um delicioso café. Entrei para cumprimentá-la e logo o seu esposo me trouxe uma xícara quase transbordando. Viva essa gente nossa!

               Sou grato pela vida, pelas pessoas-partes de mim (Gal, Má e Estevan) e por tantas outras que enfrentam o mundo comigo num espírito de partilha, de apoio, de carinho, de apreço à natureza, de solidariedade com os mais necessitados de fome e sede de justiça etc.

               Que avancemos neste ano com bastante energia para fazermos a diferença (dar o melhor de nós e querer o melhor dos outros).

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

GENTE QUE FAZ


Frutos do caminho do mar (Cerâmica  na Cocanha- Arquivo JRS)

                    Olga: Seja bem-vinda ao nosso lar!

          Faz parte do meu ser sempre tentar perceber algo mais, buscar coisa que não se apresenta: querer enxergar, ir além do ver. Por isso meus olhos são inquietos. Ao avistar uma pessoa, por exemplo, alguns detalhes sempre me marcam: pode ser o olhar, ou o sorriso, ou o jeito desconfiado, ou a afabilidade, ou a firmeza, ou a disposição de escutar sempre, ou a curiosidade, ou a sensatez... Outro exemplo: ao firmar a vista numa planta a primeira coisa que me atrai são as folhas, caso não tenha  flores. As linhas de uma folha me levam a me lembrar do Vovô Estevan, de suas histórias quando éramos crianças. Numa ocasião, estando debaixo de uma amendoeira, na praia do Perequê-mirim, ele, assentado na areia, com uma folha de amendoeira na mão, assim começou a história:

               “O mundo é muito grande, mas igual esta folha, ele é cheio de caminhos...”. E mostrava as veias na folha amarelada que segurava. “Tem estradas largas, que passam carros, tem aquelas que passam animais e gente... Tem os caminhos que passam gente e bicho do mato, tem as trilhas de bichos, tem os carreiros de formigas, tem os brilhos gosmentos por onde passou lesma... Tudo é isso é caminho deste mundo!
               O meu finado pai, Francisco Félix dos Santos, dizia que os antigos Félix, antes de viverem na Caçandoca, viviam na Bahia. Foi de lá, de Ilhéus, que três irmãos, seguindo outras direções de caminhos, vieram parar aqui, na nossa cidade. Chegando, cada um escolheu um caminho: um foi se estabelecer no Sertão das Cotias, no Iriri (hoje Rio Escuro), outro preferiu se esparramar pelo Morro da Formigueiro ( depois Morro da Quina e hoje Sertão da Quina) e o terceiro se plantou na Caçandoca. Deste viemos nós! E vocês, com toda certeza, vão seguir outras veias da folha, vão viver coisas maiores que eu e os antigos que já são finados!.”

               Os caminhos, penso agora, servem para distribuir sabedoria pelo mundo: aprendemos e ensinamos conforme vamos nos aventurando nas andanças. Assim como as veias das folhas, eles são muitos e permitem infinitos encontros e reencontros. É a diversidade que nos enriquece. Ainda bem!

               Hoje, aniversário do amigo Jorge, grande amigo baiano que, “seguindo as veias da folha” veio se assentar em Ubatuba,  cabe a mim lhe apresentar uma de suas poesias:

GENTE QUE FAZ

Na Bahia,
Quem não canta,
Assobia;
Quem não planta,
Rega flor;
Quem não samba,
Faz tambor;
Quem não manda,
Tem apito;
Quem não pesa,
Mede em litro;
Quem não reza,
Se persigna;
Quem não lê,
Grafa e assina.

        Parabéns, Jorge! Parabéns, Joana! Parabéns a vocês pela família que muito estimamos! Muita força para todos nós nos caminhos do próximo ano!

               Feliz aniversário Caio Cabral! 

sábado, 29 de dezembro de 2018

COBRA QUEBRA FEITIÇO

Viva Dona Gertrudes! (Arquivo JRS)


               A tarde anunciava trovoada passageira quando eu já estava na casa da Dona Gertrudes, que festejava os seus quase cem anos anos. Todo final de ano é assim: reencontro-festa dos parentes e amigos, onde a gente sempre aproveita as agradáveis prosas de caiçaras de outras gerações. Não demorou para vir chuva barulhando e coriscando. “É coisa rápida, passa logo. Espere só estrondar umas duas ou três vezes”, falou do meu lado uma figura garantida de todo ano: o Ataliba, caiçara do lado do Norte, mas que há muito tempo se mudou para o centro da cidade. Depois de quarenta e sete anos trabalhando embarcado (na pesca e cuidando de lanchas de passeio), ele se aposentou.

               Conversar com o Ataliba é ouvir de tudo, mas o que mais me agrada é ver as suas emoções ao contar coisas do mar, de tempo em que viveu embarcado em grandes barcos pesqueiros:

               “A gente pescava desde o litoral capixaba até quase no Rio Grande do Sul. Tinha lugar de pesca que ficava por volta de vinte horas de viagem até o porto mais próximo. No Rio de Janeiro, nas principais fábricas de sardinhas enlatadas, eram toneladas e toneladas de sardinhas que a gente deixava! Aqui mesmo em Ubatuba, o barco esvaziava para abastecer as salgas do Altino Maciel, do Igawa, do Gitano... Era fartura de peixe! Até mesmo para fazer adubo a gente entregava peixe! Imagine você que a caixa de sardinhas, pesando oitenta quilos, era entregue a cinco cruzeiros (Cr$ 5,00). Era barato demais! Agora, veja só, se acabou o peixe. Imagine entregar peixe até para adubo!  Eu já dizia naquele tempo que um dia isso tudo se acabaria. Era perseguição demais aos coitados dos peixes!”.

               Se recordando de coisas impressionantes, o Ataliba contou:

               “Tem gente que tem um poder especial. Eu me lembro de um homem que passava de vez em quando na Rampa (área dos bares e mercearias e do comércio de pescados, na Barra dos Pescadores) ajustando balanças. Ele, com apenas dois dedos, envergava enormes pregos, encostando ponta com cabeça. Uma vez, estando ele na peixaria do Caetano, eu lhe dei um prego, desses de 22 por 48, só para ver a proeza que tanta gente admirava. Assim, diante dos meus olhos, sem fazer força nenhuma, o prego se dobrou. Fiquei bobo. Em outra ocasião, tinha um sujeito com um galo chamando a atenção de quem zanzava por ali, na ponte que vai para o Perequê-açu: ele fazia um galo arrastar tranquilamente uma viga de 12 [6 x 12 cm], de peroba. E não era pequena não! Imagine você! Se ajuntava um monte de gente para ver aquilo: um galo arrastando uma viga como se não fizesse nenhum esforço. De repente, chegou o Cristino, do Perequê-açu, trazendo um cacho de banana. No meio do cacho vinha uma cobra, mas ele não sabia. Quando passou perto daquela gente toda olhando o galo, ele quis saber o porquê. Logo as pessoas lhe disseram que a ave arrastava uma viga sobre a ponte pra lá e pra cá. Ele olhou e viu outra coisa: o galo puxava furiosamente era uma palha de esteira, bicava, largava, tornava a arrastar. Então, veja você: a cobra, que estava no dormindo no cacho de banana quebrou o feitiço. As pessoas estavam encantadas, viam uma coisa, mas era outra. Imediatamente o Cristino disse: ‘Vocês estão cegos? Eu só tô vendo um galo brincando com uma palha de taboa, de esteira velha!’. Na verdade, o dono do galo tinha poder, um magnetismo forte. Ele fazia todo mundo enxergar uma coisa que não era. É, meu amigo, cobra quebra feitiço. Aquilo confirmou o que os nossos velhos já diziam, não é mesmo?”.

               Parabéns, Dona Gertrudes! Valeu mais um ano e uma oportunidade de reencontrar toda essa gente boa! Que todos  nós tenhamos um bom ano próximo.                                                                             

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

LENDA DA SEREIA (II)

Sereia  sob encomenda (Arte: Maria Eugênia - Arquivo JRS)


               Na prosa de Idalina, Moisés, continuando o assunto da sereia:

               “O tempo foi passando... O jovem pescador caiçara retomou o gosto pela vida, se casou com Emília, novamente se empolgou pela pescaria. Numa noite, em tempo de tainha encostando, vindo do Sul, o vento fez os pescadores, que estavam no correr da linha da Ponta Grossa, procurarem o rumo da praia  do Itaguá. Foi quando ouviu-se um canto monótono, mas suavíssimo, chamando por um amor ausente. Os homens, extasiados, procuravam distinguir através da escuridão, de onde vinha o som tão doce e suave.
               A ‘Norma’, assim chamava-se a canoa do Guilherme, foi ficando para trás, e Brás, endiabrado com sempre, gritou: - ‘Ouve, Guilherme! Tu já esqueceste da mulher-peixe? Olha que ela está te chamando!’.
               O rapaz não respondeu, Se os seus companheiros pudessem enxergar na escuridão, veriam que, pelas faces do moço pescador, as lágrimas desciam lentamente, enquanto seus dedos crispados, comprimiam contra a palma da mão um pequeno amuleto contendo uma oração da Virgem Maria, para que ela protegesse contra o desejo da sereia, escapando do encantamento. Tinha sido um presente da esposa, apavorada com o que o Brás, muito em segredo lhe contara. E ela, devota de Nossa Senhora, entregara seu noivo nas mãos de Deus e de sua bendita Mãe... A partir dessa noite, os pescadores não mais contaram com Guilherme para a pesca da tainha. Renunciou de vez. Jamais retornou ao mar”.

               Idalina, indagou curiosa: -  ‘E de que ele foi viver depois, Moisés?’.

               Moisés, todo sorridente explicou: - ‘Foi trabalhar na roça, teve muitos filhos. Depois de velho contava histórias aos netinhos. Olha, dona: o mais moço dos filhos dele foi meu avô. Só que nunca teve a sorte do Guilherme. Nem ele nem eu. Falta de sorte, dona! Também meu pai e eu sempre fomos feios como o diabo! Nenhuma sereia cantaria para nós!’.

               E Idalina confessa que disse isto para agradá-lo:   - ‘Até que não. Se você continuar contando lindas histórias como esta, vai ver como ainda fica bonito'."