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No
dia 27/11/2026, na Biblioteca Municipal de Ubatuba, acontecerá a premiação do
Concurso Literário anual. Estou na torcida por muita gente que enviou a sua
produção na categoria preferida. Enquanto aguardamos, vou publicar as três
crônicas selecionadas no ano passado. Detalhe: elas apresentam dilemas da
atualidade, nos fazem pensar o sentido da vida, da humanidade e do lugar onde
vivemos. Hoje, escrita por Bianca Collus da Silva, lhes apresento:
O TURISTA DISTRAÍDO
O turista
distraído chega com o celular na mão, uma saída de praia, uma hospedagem
garantida, um óculos de sol comprado na rodoviária e um sorriso que brilha mais
que o verão.
O turista
distraído chega com pressa de aproveitar, pisar em Ubatuba e descobre praias
com águas claras, peixes coloridos, areias finas que se agarram aos pés. É como
se descobrisse um tesouro escondido, ignorando que ali vivem pessoas que
acordam cedo para trabalhar, enfrentar o trânsito das 17 horas e o ônibus
lotado em horário de pico. Para ele, a cidade é sinônimo de mar fresquinho,
água de coco gelada e fotos para postar no feed. Para quem vive aqui, é céu
ensolarado de março, os preços que disparam em dezembro e a chuva que insiste
em cair nas folgas. Enquanto o turista se encanta com o pôr do sol na orla, o
morador já sabe que, logo depois, pode vir a tempestade.
O turista
distraído se surpreende com as praias, coleciona lembranças dos mergulhos
fundos, e promete voltar no próximo verão. O morador sabe que Ubatuba não é só
verão, é também: feira na praça, esgotos que correm para o mar, praia
interditada pela poluição, os comércios, trânsitos, política, crianças indo de
bicicletas para a escola, ônibus lotados. É rotina, não postagens.
Enquanto o turista
distraído gasta com restaurantes caros, muitas das vezes o morador está
contando moedas no mercado. Quem mora aqui conhece a outra Ubatuba. Enquanto o
turista a vê como cenário de férias, refúgio, dinheiro e lembranças, quem vive
nela enxerga uma cidade pulsante, cheia de histórias, lutas e pequenos encantos
cotidianos. O turista passa, o morador permanece no mesmo lugar – e é nesse
permanecer que a cidade se revela e você vê que a vida não é só postagens,
Ubatuba não é só destinos. É também morada.

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