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| Arte: Tom Cotrim - Arquivo Instagram |
Eu
apresento agora um comentário do amigo Carlos Lunardi, de Caraguatatuba, após
ter apreciado o texto “CAMALEÃO CEGO”. Entenda porque uma reduzidíssima parcela
da população determina os rumos sociais. No Brasil, mais de 40 milhões são
analfabetos funcionais. Milhões de eleitores estão nesta categoria! Quem “faz a
cabeça” deles? Como escapar da massificação cultural?
O problema é mais grave do que parece. A
associação civil sem fins lucrativos que atua nos campos da educação, cultura e
juventude, na perspectiva dos direitos humanos, Ação Educativa
(acaoeducativa.org.br), criou, em 2001, o Inaf (Indicador de Alfabetismo
Funcional). Sua função é realizar pesquisas periódicas para determinar o índice
de alfabetismo funcional da população brasileira adulta. A pesquisa é realizada
com amostras da população entre 15 e 64 anos, e seu objetivo é oferecer
subsídios para orientar políticas públicas e mobilizar esforços da sociedade na
superação desse desafio. Nessa pesquisa, é medida a capacidade das pessoas de
compreender, interpretar e utilizar informações escritas, numéricas e digitais
no cotidiano e em diferentes contextos sociais.
O
resultado não é nada animador. Na última edição, realizada em 2024, 30% das
pessoas que participaram da pesquisa eram analfabetos funcionais, ou seja, não
conseguem usar a leitura ou escrita de forma funcional ou conseguem ler
palavras e frases simples, mas tem dificuldade para compreender textos curtos.
Quando
observado o número aproximado de pessoas que estão nessa faixa etária, o número
ultrapassa 40 milhões de pessoas, considerando que a idade mínima para votar é
16 anos, podemos concluir que a grande maioria dessas pessoas são eleitores, e
que essas pessoas podem decidir o futuro de um país inteiro, onde os maiores
afetados são os mais vulneráveis.
Em 1964, o golpe civil-militar levou à prisão
de Paulo Freire e interrompeu o Plano Nacional de Alfabetização, que tinha como
objetivo não apenas alfabetizar a população adulta, mas também promover a
conscientização sobre seus direitos e seu papel na sociedade. De lá pra cá, uma
frase do antropólogo, historiador e sociólogo Darcy Ribeiro define bem qual é o
projeto das classes dominantes para a educação: "A crise da educação no
Brasil não é uma crise; é um projeto."
Não poderia encerrar este texto sem uma
citação de Paulo Freire, de seu livro A importância do ato de ler: “Não basta
saber ler que 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva
ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra
com esse trabalho”.
Mais Paulo Freire, menos pastores!
Repetindo: de
acordo com o Inaf, alfabetismo funcional é mensurado pelas habilidades das
pessoas em compreender, interpretar e utilizar informações escritas, numéricas
e digitais no cotidiano e em diferentes contextos sociais.

Zé, o simples fato da Eva ver a uva, sem ter uma noção global do fato gerador do ato, nos remete ao cotidiano, onde as pessoas ao ver a paisagem ou o objeto, crê que eles sempre estiveram ali, e que é obra do acaso!
ResponderExcluir"O homem ao ver suas mãos calejadas e sangrando, um dia acordou, e disse não!"
Verdade mesmo, mano Jairo! O nosso trabalho faz o mundo.
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