sexta-feira, 4 de setembro de 2020

OLHAR DE PESCADOR

Canoas de caiçaras em Ubatuba (Arquivo JRS)


O vento passou forrando o chão de folhas
As pegadas ficaram pela areia
No pedra do Canto Bravo Tio Lindo sentou.
Os olhos espreitaram
As narinas se abriram
Ele parou ali pouco tempo.

No cheiro da maresia
Continuava mais um dia.

Ao seu lado o cachorro  Satélite
Preá e Branquelo chegaram depois
Bichos brincam como nós
Tio Lindo pensa com ondas aos pés.

Enxergar além do mar é questão de olhar
Cardume é brilho que tremeluz
Pode ser pequeno ou valer a pena
É coisa grande pelo vulto
Só é miuçalha quando salta
O olhar se afina.

Na esperança da pescaria
Saiu ele em correria.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

MORRO DE SAUDADES

Praia da Santa Rita - Ubatuba (Arquivo Postal)
Preguais (Arquivo JRS)


                As imagens sempre podem inspirar, despertar a nossa memória e nos conduzir para além deste momento. No caso, contemplo o morro do Saquinho Manso e a praia da Santa Rita. O tempo? Começo da década de 1980, quando o verde do morro desapareceu, dando lugar para as enormes casas (mansão de tubarão). Onde aparece a obra maior, branca, debaixo das folhas de imbaúba, era o nosso caminho, onde corríamos totôa (diversão em descer  o morro deslizando numa capa de cacho de coco). Morávamos no Perequê-mirim, mas vivíamos se tecendo, indo constantemente até a Santa Rita. Hoje, quem quiser fazer isso, não consegue mais. Um muro protege a área. Só um acesso precário existe acompanhando a costeira até chegar ao portão da Santa Rita. Isso mesmo! Existe um portão e o horário determinado de acesso, tipo assim: depois de tal hora é proibido o acesso. Aqueles pequenos veios de água que nos acudiam devem ter sucumbidos pelos cortes nos morros e aterros. Aquele espaço não é mais. Aquele morro agora é outro, onde, ao vislumbrar, eu morro de saudades.

                Na direção do primeiro barco, logo abaixo da mansão, fica ainda a Pedra Redonda, onde as crianças davam seus primeiros mergulhos ousados. No rumo da segunda embarcação, quase chegando na maravilhosa praia, era o local dos nossos orgulhosos mergulhos coletando preguaís, um molusco marinho. Mamãe cozinhava aquilo, fruto do nosso esforço, com o maior prazer. Que deliciosa iguaria que o mar nos oferecia na chegada do verão, quando as águas esquentavam! Naquele profundidade, por volta de quatro metros, apenas uma máscara bastava para vê-los passear pelo fundo do mar e logo fazer uma carga deles. Porém, muitos de nós nem tinha máscara de mergulho, mas alcançavam o mesmo sucesso de quem estava equipado. Só os olhos ficavam mais castigados pelo sal da água.


                 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

MULHERES NA VALA

O mundo: nosso único ambiente (Arquivo JRS)




                Muita gente pode ficar pasma ao ter ouvido a jornalista Heloisa Villela, moradora nos Estados Unidos dizer que “é horrível agora a imagem do Brasil aqui e por todo o mundo”. Eu confio nela e na maioria das mulheres. A verdade precisa ser dita. Quem seria eu sem uma mãe, uma irmã, uma esposa e uma filha? O que seria de mim sem a influência de tantas companheiras na minha vida?

                Há quatro anos uma mulher foi destituída do governo deste país chamado Brasil. Era Pindorama dos indígenas. Os primeiros navegadores lusitanos, afobados que só, a chamaram logo de Ilha de Vera Cruz, cujo ponto mais alto recebeu o título de Monte Pascoal por estarem na Semana Santa daquele distante abril de 1500. Depois viram que era terra firme e imensa. Tomaram -na dos índios. É urgente perceber de onde enxergamos as coisas. A acusação principal contra essa mulher teve o apelido de pedalada fiscal. Era "um crime tão perverso" que, uma semana após lhe roubarem o cargo, deixou de ser crime pelos mesmos congressistas (absoluta maioria homens) que a julgaram e aplicaram a devida punição. Pelas palavras de um deles (Romero Jucá), tinha de ser assim, senão aconteceria uma sangria em que a maioria deles seria tocada pelo dedo da Justiça permitida por aquela mulher. No fundo há outra verdade além do medo de serem desmascarados em suas condutas: deveria prevalecer o machismo. “Onde já se viu uma mulher comandar o nosso país?!”. Quem nunca ouviu frase semelhante?

                É o sentimento machista que desencadeia outras coisas ruins, tão criminosas quanto as práticas de tantos que ocupam cargos políticos, principalmente daqueles a se revelarem em discursos idiotas há quatro anos, achando que brilhavam diante das câmeras. Parabéns aos poucos que entraram com honra na História!

                Alguns anos antes desse fato nacional, por ocasião das eleições municipais, ao passar perto do aeroporto da minha cidade (Ubatuba), avistei um lixo incomum por ali: na vala, além de garrafas plásticas e embalagens, estavam panfletos (“santinhos”) de candidatos aos cargos municipais. Mas um monte desigual chamou a minha atenção por ser de candidatas, de mulheres que participariam do próximo pleito. Deduzi que alguém havia recolhido apenas as propagandas femininas e lançado-as ali, diminuindo as possibilidades de serem vistas, de despertarem atenções e até de serem eleitas.

                Estudos revelam que elas (mulheres) têm tudo para que haja uma virada radical na vida em sociedade. Jogá-las na vala parece ser muito significativo. Desconfio que o maior dos desafios, inclusive a elas, é superar o machismo. Penso nisto agora porque sei de tantas que vibraram com o golpe contra a valente mulher que chegou ao posto de governante desta Nação. Faço questão de escrever porque percebo, além de tanta gente humilde, muitos estudados (até professoras!), deixando que princípios machistas tomem as rédeas em momentos tão críticos, reforçando que a economia (leia-se lucro de poucos) se sobreponha à vida. Não percebem elas que o sentimento machista quer ser superior, pisá-las, não reconhecer que vivemos num único ambiente. Seguindo assim, acabam revigorando hierarquias estúpidas e suas derivações de maldades. Defendo que só vivendo de verdade no mesmo ambiente é fácil nos tornarmos amigos, nos entendermos e rumarmos a algo melhor. Caso contrário, a vala continuará como alternativa para gente capaz de se deliciar em reduzir a força feminina, tê-la sob controle. Por enquanto apenas tristeza pela submissão dessa impressionante energia. Ainda bem que, bem ao meu lado, tenho uma guerreira! Ela e muitas outras farão um outro Brasil!

                Pessoal, que a vala nos sirva de lição! O país não merecia passar pela vergonha atual.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ESTÁ TUDO DENTRO DA LEI

              
Boca-da-barra do rio Hubatyba  (Arquivo JRS)

                Isso de fragilizar ainda mais os povos indígenas, fartamente sabido por todos no Brasil atual, é cruel. O título deste seria mais justo se fosse Atualização do Genocídio Tupinambá, pois prevalece a lei de levar vantagem, de remover qualquer obstáculo ao lucro de alguns, mesmo que isso inclua o desaparecimento de povos inteiros, de culturas que vem dos primórdios, onde nem mesmo foram devidamente estudadas ou que seguem ainda sem contato com os descendentes dos invasores de cinco séculos atrás. O documento de hoje, apesar de ser antigo, vai nos mostrar que é atualíssimo, confere com a prática que aí está. Ou seja, conforme seguem exterminando as Nações Indígenas, os invasores legalizam as terras como suas, afirmando: “Agora eu posso fazer o que quiser, não tem ninguém para atrapalhar”. E assim, "está dentro da lei", sobretudo quando o domínio é fascista transvestido de moralismo cristão.

                Em Ubatuba, os indivíduos do povo Tupinambá eram os moradores originais, tudo era parte de seu território onde caçavam, coletavam e tinham suas habitações. O seu desaparecimento, após a Guerra de Yperoig, era inevitável mediante a cobiça crescente pelas terras e riquezas deste território. Benedito Prezia, um pesquisador e palestrante de outro tempo, constatou que no século XVIII, no Vale do Paraíba, se fez o último registro de remanescentes dessa Nação Indígena, do grupo dos Tamoios, uma das nossas raízes caiçaras. Após os resultados com os tupinambás, o massacre pelo mar e terras tamoias, logo apareceu a burguesia portuguesa faminta pelos espólios. O Seo Filhinho, em Ubatuba Documentário nos informou:

                Sabe-se que nos primeiros anos do século XVII aqui já haviam inúmeros portugueses radicados, entre eles Inocêncio de Unhate, Miguel Gonçalves, o capitão Gonçalo Correa de Sá e seu irmão Martim de Sá, os filhos deste, Salvador Correa de Sá e Artur de Sá, além de Belchior Couqueiro e muito outros. [...] De Inocêncio de Unhate e Miguel Gonçalves, encontra-se registrado no Terceiro Livro de Registro de Sesmarias, existente no Arquivo da Tesouraria da antiga Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional em São Paulo, a petição e despacho do teor seguinte:

Inocêncio de Unhate e Miguel Gonçalves, que eles são moradores da Vila de Santos e haviam ajudado a defender a terra dos rebeldes franceses, holandeses e ingleses que a ela vieram e em todas estas guerras e rebates sem acudirem com suas pessoas, fazendas e armas e escravos, e nunca foram premiados por Sua Majestade, nem pelo Sr. Lopo de Sousa, os seus serviços e por não terem terras e por todas as terras do Brasil desde o Rio Juquiriquerê até a Ilha Grande estão devolutas, pediam-se-lhes desse três léguas, tanto de comprido como de largo na terra firme, na costa do mar, indo para o Rio de Janeiro e começarão a partir de um rio que se chama Marajahimirindiba [Maranduba] e irá correndo para a costa e correndo direto pelo rumo daquele até chegar a outro rio que se chama Hubatyba [Rio Grande ou da Barra, em Ubatuba] que está da dita costa para a banda do Rio de Janeiro, defronte da Ilha dos Porcos [Ilha Anchieta] sendo de três léguas de terra em quadra, com todas as suas entradas e saídas. – Despacho – Dou aos suplicantes as terras que pedem. Santos, 9 de Dezembro de 1610 (a) Gaspar Couqueiro – Capitão Mor da Vila de Santos.



segunda-feira, 31 de agosto de 2020

ESGOTO COMO OFERTA?



            Para quem não sabe, a capela da Santa Rita se localiza na praia da Enseada, mas foi trazida há mais de setenta anos da praia da Santa Rita, em Ubatuba. Por interesses imobiliários, algumas poucas pessoas sem escrúpulos se aproveitaram da ingenuidade dos poucos moradores, negociaram com o pároco e transferiram a Santa Rita para uma nova capela, deixando o campo livre para toda a praia ser imediatamente vendida. “A nossa santa foi desterrada. Os poucos moradores dali seguiram para as praias vizinhas. Tudo aquilo virou deserto, o mato tomou conta das roças, as casas se acabaram no abandono. Foi um acordo do padre com o Maciel, o Bráulio Santos e mais alguém que eu não sei do nome”, assim me contou a Dona Santa, uma pescadora que se casou com o Argemiro, gente que findou seus dias no Perequê-mirim. “A capela era movimentada, tinha reza sempre. Muita gente comparecia na festa da Santa. Agora, ali é de gente rica, de ricaços da capital”. Recentemente, lendo uma denúncia do Peter (canoadepau.blogspot.com), tudo vai confirmando o que alertamos faz tempo: o mar vai virando esgoto. Vou postar a notícia (do dia 06 de agosto de 2020):

Oferta à santa (Arquivo Peter)

VARRENDO ESGOTO PRA DEBAIXO DO BUEIRO
Agosto de 2020, Praia da Enseada, Rua Santa Rita, Ubatuba - SP
INACREDITÁVEL!!
Nos últimos dias vários caminhões do tipo limpa fossa estão descarregando esgoto diretamente no bueiro da esquina da Rua Luzia Maciel Leite com a Rua Santa Rita (foto). Tudo isso está indo diretamente para o mar que está a 50 metros de distância. Existe um emissário irregular nesta rua que já não dá mais conta do volume normal, imagine de vários caminhões.

            Já escrevi em outra ocasião que, no começo da década de 1980, a pedido do Jorge e Dona Maria, zeladores da capela linda da fotografia, eu e papai fizemos o forro todo. É o que existe até hoje, sob cuidados de Nelson de Góis, segundo o amigo Elder Giraud. Foi a nossa oferta naquela ocasião, bem diferente do que agora está sendo ofertada à Santa e ao lugar de tanta gente nossa. Vale a pena conferir a beleza do lugar, o aconchego do recanto reservado à Santa Rita desterrada. O que não vale é o descaso de tanta gente com a linda praia da Enseada e à natureza em geral. Parabéns Peter por estar atento!


domingo, 30 de agosto de 2020

VEM DO LADO DA BOCAINA


 
Vovô Armiro (Arquivo JRS)

Nuvens demais (Arquivo JRS)

                De vez em quando, na minha infância, assim como nos dias de hoje, o tempo virava de repente, ficava feio; uma escuridão parecia querer acabar com o dia. Em ocasião assim, vovô Armiro dizia: “Quem tá no mar, nessa hora vem desesperado para a praia.  Já escureceu tudo. É lá do lado da Bocaina [serra ao Norte] que a coisa vem. Hoje bem cedo já se armava  lá na Bocaina”. Nós, toda a netalhada, crianças ainda, silenciávamos. Alguém dos adultos acendia uma vela no oratório. Não tinha como não ficar com medo, apreensivo com algo ruim que se aproximava. Outro alerta que era feito por ele ocasionalmente era do vento de Sul: “O tempo virou, vem aí vento forte. Se cair forte mesmo, como é de costume, deita todo o nosso bananal que fica na divisa com o Dito Selidônio. Pouca coisa escapa de vento de Sul”.  

            Assim era a vida de quem dependia da roça e pesca: tinha de estar atento à natureza. Era costume sair de casa a cada amanhecer olhando para o céu, sentido o ar e botando reparo no comportamento dos passarinhos. Gerações e gerações precisaram desenvolver e  cultivar esse sentido (de percepção dos fenômenos da natureza). Por isso sabiam tanto das marés, dos ventos, das chuvas etc. Sabiam como  escolher a época melhor para derrubar árvores destinadas à construção de casas e canoas. Além disso tudo, os antigos caiçaras sentiam a necessidade de comentar seus sonhos, como se os outros pudessem ajudar a interpretá-los. Coisa comum era, na hora do café, bem cedo, cada um ter um sonho daquela noite para compartilhar em torno da mesa. Me lembro de um desses momentos, estando na cozinha com vovó Eugênia e vovô Armiro, escutei dela o seguinte: “Hoje ninguém deveria  ir pescar. Sabe por quê? É que eu sonhei com o Sol se escurecendo ao mesmo tempo que um vento forte chegou derrubando árvores no jundu. É uma tormenta medonha que vem chegando. É dia que não presta para sair no mar”. Prontamente o vovô deixou a mesa: “Vou agora mesmo dizer isso ao compadre Maneco Mesquita porque ele e a comadre Bertolina estão se preparando para ir na roça do Mar Virado, mas antes pensam curricar no Lage da Ponta”. E foi saindo todo afobado pelo caminho, entre os bananais. Não demorou muito para voltar e dizer que deu tempo e eles lhes deram ouvidos. E completou: “O seu sonho tá certo, Eugênia. Vem coisa feia por aí. Saia agora no terreiro e olhe lá para o lado da Bocaina e veja o cu preto que já  se forma. Hoje ninguém vai à roça e muito menos ao mar. Não tem precisão nenhuma disso”. E foi assim mesmo naquele dia! O mundo parecia querer se acabar naquele tempo distante. Duas grandes amendoeiras não aguentaram a força do vento, tombaram na praia. Tivemos muita madeira para gamelas e lenha para a próxima festa de São João, padroeiro da Fortaleza, a praia onde mamãe nasceu. É por isso que, ainda hoje, ao perceber o tempo se escurecendo, parece que vejo o vovô nos alertando acerca de tempo ruim do lado da Bocaina, chamando a atenção para o tal de “cu preto”.

sábado, 29 de agosto de 2020

É COISA ANTIGA, ESTAIS VENDO?

Prainha do Doca, entre as praias Dura e Vermelha (Arquivo JRS)



Herança dos antigos (Arquivo JRS)


                É costume meu, sobretudo quando estou nas minhas caminhadas, prestar mais atenção nas coisas. No meio do mato, então, reparo ainda mais em tudo! Tem detalhes interessantes nesses caminhos, nas trilhas deste chão caiçara, pelos lugares que ainda estão preservados dos invasores, das ocupações humanas. Tem ruínas de antigas fazendas, tem divisas de terras... É possível avistar árvores que imagino serem ainda do tempo dos tupinambás, grutas de pedras que podem ter vestígios da pré-história... Tenho certeza que essa nossa exuberante mata, com seus frutos, aves e animais, além de nos equilibrar, guardam remédios essenciais a serem descobertos.

                Quando eu me aventuro em caminhadas, sobretudo pelos caminhos de servidão, busco sinais de antigas ocupações, de cavas de casas e de árvores frutíferas. São os sinais mais evidentes de que outras gerações passaram por ali. E quase sempre me atenho ao chão, buscando restos de alguma coisa capaz de revelar algo mais.  Influências? Sim, quando crianças, ao ir com o meu pai cortar bambus na Prainha do Doca para a construção da nossa casa no morro da Fortaleza, me entusiasmei com o único morador dali. Ele nos levou mais para dentro da mata, de onde vinha um rio capaz de me encantar como todos os rios daquele tempo. Depois de um poço (onde o correr das águas, com o tempo formou um lugar fundo), ele nos conduziu a um espaço plano (uma cava no morro), com tijolos ainda inteiros e cacos de telhas. “É coisa antiga, estais vendo?”, esclareceu ele. “Algumas telhas lá de casa foram daqui. De vez em quando, quando preciso de tijolos, venho aqui buscar. Dentro do poço, ali embaixo, existe cacos interessantes, mostras do que possuía e fazia uso alguém que viveu aqui”. Meu pai também achou interessante tudo aquilo. Passamos aquele dia ali, cortando bambus, pois na semana seguinte o Getúlio, um caminhoneiro que buscava mensalmente as cargas de bananas nas praias (Brava e Fortaleza), distante uma légua dali, faria o favor de levar os bambus para o nosso trabalho, a nossa obra. No final, o pessoal terminaria a nossa nova moradia num animado pitirão.

                Daquela nossa casa não restou nada porque era pobre e outra lhe tomou o lugar. Somente uma mangueira plantada por papai deve estar ainda como sinal da nossa vivência naquele lugar, no morro da Fortaleza, onde começava a Badeja do Tio Custódio. Só posso dizer que, aquela fala do Doca, a sua empolgação para com os sinais na mata da sua prainha, me marcaram para sempre. Espaço de algumas das minhas heranças dos antigos. O que será agora de tudo aquilo?