Eis a obra de Santiago Bernardes, diretamente da comunidade do Camburi (Ubatuba) para nós (caiçaras, ubatubenses, migrantes e visitantes). Valeu, irmão! O primeiro dia do ano
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
NOVO ANO
Eis a obra de Santiago Bernardes, diretamente da comunidade do Camburi (Ubatuba) para nós (caiçaras, ubatubenses, migrantes e visitantes). Valeu, irmão! O primeiro dia do ano
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
MAR GROSSO
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| Caiçara ao mar - Arquivo Louzada |
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
MAS SERÁ O BENEDITO?
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Benedito Caravelas - Imagem Facebook |
sábado, 17 de dezembro de 2022
BEM LONGE
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| Grupo Escolar Dr. Esteves da Silva - Ubatuba - Arquivo Ubatuba |
Uma prosa, dias destes, me levou a refletir sobre o lixo que produzimos. O autor, Luciano, afirmou que “lixo é um erro de design, é energia que está sendo jogada fora porque é desperdício de recursos retirados da natureza”. Perante toda a problemática da nossa produção de lixo, sobretudo nesta época de temporada que se inicia em Ubatuba, na faixa litorânea, continua urgente repensar nossos hábitos alimentares, de consumo de produtos e serviços etc. Não cansamos de repetir que as mudanças já passam da hora de acontecer, mas nossos passos são tímidos, imperceptíveis. A maioria de nós diz que não adianta esperar mudanças significativas, pois “as pessoas são destruidoras mesmo, só pensam em si, nos seus interesses”. Então eu digo que o mundo só muda se a gente muda. Pequenos gestos irão fazendo diferença para o futuro que esperamos deixar às futuras gerações. Lógico que os nossos passos servirão de apoio a outras pessoas que acalentam sonhos semelhantes! Porém, devemos nos atentar para conseguir se desvencilhar de gente que é apenas exemplar mal acabado da nossa espécie. Caso contrário, faremos parte de um mal exemplo, de uma engrenagem que está causando muitos males nas proximidades e além dos limites da nossa existência. Eu posso ser parte dessa engrenagem que está em movimento há muito tempo e que parece impossível parar, levando ao pensamento e atitudes de aceitação da destruição da natureza, da perseguição às minorias, às diversidades culturais etc.
A questão é: no que eu estou usando as minhas energias? Se não me cuidar, as propagandas, as muitas fantasias e tentações acabam por jogar todo o meu ser nesse movimento, nessa engrenagem... E a minha potência se torna destrutiva e autodestrutiva. Eu me torno “um erro de design” também, uma energia desperdiçada (porque está colocada a serviço de mal). Depende de mim - também! – até mesmo a continuidade da cultura caiçara. Enfim, os estímulos para produzir lixo, barulhos e confusões se intensificam a cada temporada de verão na nossa realidade. E, de acordo com a colega Patrícia, “quem faz muito barulho não quer se ouvir”. Então, que o hoje, o amanhã, o próximo ano e cada período que nos resta de vida seja oportunidade para reduzir os barulhos que querem abafar as nossas vozes. Eu sou um animal que raciocina, capaz de redirecionar o meu ser e de se harmonizar com os demais seres. Os problemas vividos no contexto brasileiro nos últimos anos me levam a atentar às disputas de narrativas, a promover mais e melhores reflexões acerca da política. Aceito as teorias científicas que apontam o desfecho do planeta Terra, mas espero que as nossas atitudes o mantenha bem longe. A vida tem de ser plena para todos! Equivocados - ou tomados pelas maldades! - estão aqueles que se engajam em projetos de morte embrulhados como presentes maravilhosos. Gente que não quer se ouvir destrói até mesmo a própria cultura!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2022
A MENINA DAS TONINHAS
| Mané Hilário - Arquivo JRS |
| Dona Gertrudes - Arquivo JRS |
quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
CENSO 2022
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| O nosso cão - Foto: Maria Eugênia |
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| Akamaru é o nome dele - Foto: Maria Eugênia |
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| Vai Brasil! - Arquivo Nosso |
Em 1980 eu fiz parte dos grupo de recenseadores que contaram os habitantes de Ubatuba. Neste ano, cujo último mês começa hoje, a minha querida filha Maria Eugênia está em igual tarefa, correndo para "dar conta do recado". Segundo ela, a principal dificuldade são pessoas que se negam a responder, não atendem as muitas visitas que são feitas e refeitas. (Desconfio de que lado político tais espécies estão). No meu tempo foi bem diferente. Os caiçaras eram a maioria, eu era acolhido com muita simpatia, quase sempre me ofereciam ao menos um café.
Com o título de Censo 2022, o Mano Mingo dá uma pista para rever nossas atitudes e nossas doenças (inclusive aquela que reproduz o oposto de amor).
CENSO 2022
No meu bairro tem 20 ruas,
cada rua tem 50 casas,
cada casa tem, em média,
duas crianças e um cachorro
menos nos endereços das pessoas
que padecem, sem saber o porquê,
de solidão ou depressão.
domingo, 27 de novembro de 2022
HÁ DE SE CUIDAR DO BROTO
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| Praia do Saco da Ribeira: privatização do espaço público - Arquivo JRS |
“...E há de se cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto” (Coração de estudante – Milton Nascimento)
As previsões políticas e econômicas do Brasil para o próximo ano são medonhas, sobretudo para os mais pobres que nem imaginam o que seja especulação financeira, neoliberalismo e geopolítica. Todos os programas básicos (saúde, educação, moradia etc.) estão defasados e com orçamentos falidos, parte do plano de um presidente desonesto e de extrema-direita. Considerando que os deputados e senadores eleitos são, sobretudo, empresários e latifundiários dessa mesma ideologia, os boicotes a qualquer medida visando amenizar as desigualdades sociais aumentarão. Quem sofrerá mais?
Me agarro à questão cultural para me fortalecer. A cultura caiçara, os traços culturais herdados dos mais antigos renovam a esperança que eu tenho na vida. Estou cada vez mais convicto que é por esta narrativa que eu vivo, converso com as pessoas, escrevo e educo os meus filhos. E reconheço que cada cultura traz em sua origem princípios semelhantes, querem a vida feliz, desejam a vida plena. Na semana que passou eu tive de questionar um jovem caiçara, cujos pais e avós eu conheço bem, pelo motivo de dizer tolamente que “caiçara é vagabundo, por isso que esse tanto de gente vem para cá na temporada ganhar dinheiro”. Ele deveria estar pensando até agora nesta pergunta que deixei para reflexão: “Então os seus pais, o seu avô Daniel e a sua vó Maria são vagabundos? Você, que rala desde cedo até o escurecer, é vagabundo?”.
Agora, mais do que nunca, reconheço que precisamos focar nas narrativas. A disputa de narrativas é o eixo para perseverar na nossa humanização. Não podemos deixar que discursos de ódio elaborados pela classe dominante (branca, machista, preconceituosa, vingativa etc.) invadam nossos princípios caiçaras e das diversas culturas que preenchem, desde o advento do turismo, o espaço litorâneo privilegiado que ocupamos no planeta. O meu medo, notando o que se propaga pelas redes sociais e abraçada por tantos do meu povo, é, conforme a música cantada por Milton Nascimento, que o broto esteja sendo estragado e comprometendo totalmente o futuro. Assim, faço questão de rememorar uma parte da História: no ano de 1942, na defesa da pureza da raça, os nazistas avançaram na discussão da “solução final” com a construção de eficientes campos de concentração, onde os mais aptos se tornavam mão de obra escrava. E os demais? Eram submetidos a experiências horrendas, exterminadas sob gás letal, deixados a morrer de fome, frio e sede, incinerados ou lançados em valas comuns. Um médico nazista teria escrito depois do primeiro morticínio por gás: “Comparado a isso, o inferno de Dante parece comédia”. E agora me apego ao escritor Ian Crofton acerca dessa gente, dessas pessoas que se tornaram cúmplices de Hitler e foram envolvidos na execução dessa triste solução: “Não eram monstros desumanos e, sim, homens e mulheres que haviam sido tão doutrinados que acreditavam estar fazendo seu trabalho de maneira eficiente e de acordo com a vontade do líder máximo”. Pergunto a todos se percebem a escuridão que se instalou no Brasil, sobretudo com o golpe de 2016 aplicado pela classe dominante. O que emergiu da podridão, dos esgotos da sociedade? É esta mesma narrativa (contra as minorias e contra as injustiças sociais que fundamentavam a “solução final” dos nazistas que fizeram horrores indizíveis) que é abraçada por gente do meu povo! É essa gente que está chocando o ovo da serpente, o nazifascismo evidente na sociedade brasileira atual. Triste ver caiçaras e migrantes doutrinados nos mesmos ideais do nazismo e do fascismo.
Quem são os caiçaras? Uma minoria social!
Quem são os migrantes (mineiros, baianos, cearenses, paraibanos etc.)? Minorias sociais!
Se queremos vencer a escuridão, ousemos na narrativa que remova ignorância, maldade e ideologia de rebanho. Ousemos educar para o exercício da cidadania na justiça social!







