domingo, 15 de maio de 2022

FESTAR É CELEBRAR E RESISTIR

Eu e Lucas - Arquivo JRS

O cacique e as professoras - Arquivo JRS

Ilha do Prumirim vista da aldeia - Arquivo JRS



      As lideranças jovens da aldeia Boa Vista estão de parabéns. As lideranças antigas mais ainda por continuarem na tradição do protagonismo juvenil! Este foi o meu primeiro pensamento ao ver crianças e jovens se movimentando para o sucesso de mais uma festa na aldeia. Logo depois foi chegando a geração mais velha trazendo produtos artesanais e outros. 


     Eu e minha filha aguardávamos ansiosamente a chegada do dia de sábado para podermos ir até o Prumirim e rever o povo querido da aldeia do grupo guarani mbya. Embarcamos no ônibus da 7:50 h, na direção norte do município. Depois, subindo um trajeto sob as árvores, chegamos no território indígena por volta das 9:30 h. Maravilha ver aquele espaço, escutar aquele rio de água cristalina e ver a movimentação do “grupo do Altino”.


   Altino é pai do atual cacique Marcos Tupã. Eu o conheço desde quando chegou. Me lembro bem de quando o reduzido grupo ainda ia aos sábados à noite na Praça da Matriz, na década de 1970, para vender seus produtos. Meu tio Nelson dizia assim: “Aquele que está sempre em pé, como se vigiasse os demais, se chama Altino. Ele é o capitão da aldeia que se localiza no alto do Prumirim, por onde agora está passando a estrada que vai ligar a nossa cidade a Paraty”.


   A abertura do evento coube ao jovem cacique e à Luiza acolhendo com maior prazer a todos. A sensação era de que estávamos em casa. A fala do Marcos logo nos relembrou que: “É o quarto ano desse desgoverno que vem afetando muito os povos indígenas. Estamos perdendo nossos direitos. Reclamamos no nosso canto, mas precisamos resistir, pois somos povos originários, nos compomos nas comunidades tradicionais aqui em Ubatuba. No município, agora brigamos pelo Conselho das Comunidades Tradicionais. Esperamos que o calendário cultural da nossa aldeia seja contemplado no calendário cultural da cidade. Também queremos ter um espaço no centro da cidade para expor os nossos produtos, nos dar a conhecer e receber o respeito que merecemos.  Que a prefeitura nos garanta isso. Vocês são bem-vindos não só para nos prestigiar, mas, sobretudo, para se somar às nossas lutas. Agora, além da perseguição física, há a perseguição aos nossos direitos lá no Congresso Nacional, onde iremos, com os demais parentes, em julho, pressionar contra o projeto maléfico do marco temporal”.


  Logo após a fala das duas jovens lideranças, teve início a programação do dia. Grande satisfação!


Deseja ajudar? Eis o apelo oficial da aldeia:

Nós, povos indígenas Mbya Guarani da TI Boa Vista – Ubatuba – SP, lideranças cacique Marcos Tupã, Luiza, Ivanildes e Patrícia, estamos nos mobilizando para ir a Brasília a fim de acompanhar o julgamento de repercussão geral do Marco Temporal no STF, a  partir de 23/06/2022. Toda ajuda para essa viagem é bem-vinda! Marcos dos Santos – Tupã (Cacique) – BB: Ag. 2748-0  - C/C 26930-1 – CPF/PIX: 133.337.838-60 – Contato: (12) 99661-2574

https://www.instagram.com/aldeiaboavista/

sexta-feira, 13 de maio de 2022

REFLEXOS DO PATRIARCADO


Juventude de outro tempo (Arquivo JRS)

      

       Eu vou partir de minha própria experiência para abordar um assunto que parece banal, mas não é. Há trinta anos tenho acompanhado as evoluções dos/das adolescentes. Posso dizer que as meninas me alegram mais porque têm demonstrado que estão levando mais a sério os estudos. Prova maior disso é quando se indica os destaques discentes a cada bimestre. Isto é evolução! Mas quero retransmitir o que dizem alguns estudiosos do motivo principal dessa apatia generalizada dos meninos: é reflexo do machismo, do patriarcado que marca a nossa sociedade baseada nos princípios dos pouquíssimos homens brancos e ricos. Como assim?

      Por nascerem machos, os meninos são ideologicamente convictos de que são superiores. Portanto, já estão em vantagem em relação às meninas. Assim, não estudam como deveriam, não refletem de forma mais apurada, abraçam as “verdades” que lhe são convenientes, seguem alimentando o velho patriarcado com suas mazelas. Estas “verdades”, quase sempre satisfatórias ao macho, são reforçadas na atualidade tecnológica pelos algoritmos e realimentam os aspectos reacionários que compõem o patriarcado. Ou seja, essa moçada, cabeças novas, abraçam na maior fé/fanatismo velhas mentalidades, certamente até nem percebendo a incoerência ao cantar com Zeca Baleiro: "Você, por sua vez, se orgulhando da bravata/ de ser apoiador de um imbecil sociopata/ Requenguela, mequetrefe.../ Cada um tem a cultura que merece". Assim, deixam de evoluir e/ou alimentam uma sociedade de ódio às
minorias em geral. Pior: é notório muitos pobres perpetuando essa situação lá dos primórdios, essa miséria cultural. Comparo estes a um supliciado aplaudindo seu algoz. Agora ilustrarei este papo com um exemplo bem caiçara, da década de 1950, quando eu nem estava nos planos da minha mãe e do meu pai. Como foi que eu soube? Minha tia Tereza anunciou: “O que vou contar agora, menino, aconteceu há muito tempo, lá para as bandas de onde nasceu a vossa mãe. O ........, um homem da roça e do mar como todo mundo daquele tempo, havia se casado com a finada Maria. Depois de 15 dias, ele compareceu diante das autoridades para anular o casamento. Alegava que ela não era mais virgem. Ele, na lei, tinha o direito. E foi atendido! A coitada da mulher retornou envergonhada para a casa dos pais. Ele, não demorou muito, já estava de casamento marcada com outra caiçara”.

       Essa  história, que sempre achei injusta, permaneceu na minha memória. Imagine só que, depois de duas semanas dormindo com a esposa, ele resolveu apelar e anular o matrimônio. Que coisa, né? Onde ele se apoiava? No Código Civil de 1916 que considerava a mulher casada “civilmente incapaz”, a exemplo de crianças, índios
e alienados. Ela não podia trabalhar fora sem autorização do marido, aceitar heranças, administrar bens, votar ou se envolver em política. O homem podia anular o casamento se ela – mulher – não fosse virgem. Também as filhas podiam ser deserdadas caso fossem “desonestas”. Oh, céus! Pois é! E sabe quando ela lei caiu? Somente em 2002 o Código Civil retira a perda da virgindade como
justificativa para anulação do casamento. Ou seja, depois de 86 anos tal lei é banida. Se fosse hoje, com o governante e seus apoiadores que aí estão, ela continuaria existindo. Sabe por quê? Porque prevalece o machismo e outras heranças do patriarcado. Então já sentiu o quanto é desanimador ver grande parte da juventude perpetuando essas velhas mentalidades?  Cá entre nós: aquele pobre caiçara apelou a uma lei para repudiar a pobre companheira. Não sei dizer o quanto de caiçaras e de migrantes que acham certo tal princípio surgido, de acordo com a Sociologia, há 12 mil anos, quando o homo sapiens deixou de ser nômade e se fixou próximos dos rios e fundou as primeiras cidades. Só tenho uma certeza: essa gente que continua nessa mentalidade arcaica está na porcentagem de apoiadores
desse governo fascista. Logo, estudar a sério, refletir e tomar partido de um pensamento que inclua mais gente em vez de excluir é a melhor atitude.

Em tempo: o dito caiçara, depois que fez aquilo com a companheira, “se aproveitou” de umas moças do lugar. Ao menos dois filhos estão por aí como “prova do crime”. E depois? Ah! Ele se converteu a uma religião fundada por Louis Francescon, um ítalo-americano, se
tornou um “homem honrado”, e, se não estou enganado, morreu como um respeitável ancião no seu grupo religioso. Agora me pergunto: como aquele sujeito isolado sabia da existência dessa lei  e das condições para repudiar a mulher?

 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

DÚVIDA SIDERAL

 

Nas grimpas da Mantiqueira - Arquivo JRS


O mano Mingo está a bilhões de anos-luz desde o tempo em que olhávamos para o céu ainda pequenos, quando não havia luz alguma a atrapalhar o espetáculo de uma noite iluminada em infinitos pontos, com suas estrelas cadentes e luzes estranhas aparecendo de vez em quando para nos encher de mistérios.



Poema da dúvida sideral

 

Este que vos escreve não sabe de nada, 

só matuta no universo de 14 bilhões de anos old, e entrevê

o que as lentes do telescópio espacial Hubble permitem ver -

formações estelares a 13 bilhões de anos-luz de distância,

e ri baixinho enquanto vai girando no carrossel da Via-Láctea:

na cabeça dos cientistas falta um parafuso,

como viemos parar tão longe

se a velocidade da luz é impossível?


sexta-feira, 6 de maio de 2022

DESARRANJO NA CASA

Comemorando o carnaval em outro tempo - Arquivo JRS

Quarto dia de lixo num ponto de ônibus - Arquivo JRS


     Eu, como de costume, estava bem cedo, num ponto de ônibus no centro da cidade. O dia não estava claro de vez. Um rapaz se aproxima e começa a falar: “O senhor poderia me arranjar R$ 4,50 para eu ir embora? Eu moro na Almada e preciso ir para casa”. Eu escutei esta primeira parte e permaneci em silêncio à espera, talvez, de mais "justificativas" . Outra pessoa estava ali perto, tal como eu, esperando o transporte para ir trabalhar. Em seguida o rapaz me perguntou: “O senhor é daqui mesmo?”. Eu respondi: “Eu moro no Ipiranguinha. Não tenho dinheiro, pois uso passe da empresa”. Mediante a minha resposta ele se retirou, foi seguindo em frente. O senhor que também estava atento, esperando para embarcar, comentou: “Vez ou outra esse rapaz está por aí. Se ele é da Almada, o que passa fazendo toda a noite por aqui, na cidade? Aí tem coisa”. Nisso vem chegando um casal jovem, discretamente se acomoda junto à parede. Pelo jeito, passaram a noite na balada, tiveram uma noitada agitada. Assim que a outra pessoa embarcou para o seu destino, ficamos a sós: eu e o casal. Então o rapaz se aproximou de mim e explicou: “Sabe, moço, nós somos do Puruba, mas não temos dinheiro para voltar. Você não poderia dar uma ajuda?”. Novamente eu disse que tinha apenas a carteira de passe. Em seguida veio o veículo com destino ao bairro onde eu iria trabalhar. Naquele dia, por diversos momentos, fiquei pensando nesse desarranjo da cidade, do pessoal que se dizia ser de comunidades do lado norte do município onde, até poucos anos atrás, não tinha nem acesso rodoviário; talvez gente ainda dos estimados Dito Fernandes, Tio Dico, Tia Baía, Agrício, Mané Grande e tanta gente antiga deste chão caiçara. Vai saber!

   Enquanto as regiões central e sul já começavam a febre do turismo, das construções de "casas ricas", essas pessoas do norte viviam quase que isolados, sem contato com atividades noturnas (que aconteciam no centro da cidade) na década de 1970. Seus momentos de lazer e suas interações aconteciam por lá mesmo, sobretudo nas festividades religiosas e nas funções (bailes). Agora, caso eles não tenham mentido, vislumbrei sinais de degradação, precisando pedir uma ajuda para voltarem às suas casas após uma noite se divertindo. E tomara que tenham se divertido mesmo! Pode ser que sejam migrantes ou descendentes de migrantes, mas também há possibilidade que sejam caiçaras, filhos ou netos de caiçaras. Em qualquer das alternativas, uma coisa me parece evidente: um espectro miserável se alastra, contagia o meu povo, degenera a "Casa de Putifar". Há uma teia de mecanismos que precisa ser entendida e alterada para evitar a ruína da cultura caiçara e das demais culturas que vão se compondo com ela. Tudo isto passa pela política? Sim, tudo passa pela política! Por uma ideologia que seja mais inclusiva, que invista em educação de qualidade e não persiga os mais humildes, as minorias exploradas há mais de 500 anos neste país! Cadê as oportunidades a esse pessoal?

quarta-feira, 4 de maio de 2022

A DONA DA CASA DE PUTIFAR

   

Três dias de lixo num ponto de ônibus - Arquivo JRS

    Putifar  era  um  general  importante  na  corte  egípcia,  no tempo antigo,  na época  em que  o meu xará foi levado para o Egito. Diz o texto do livro do Gênesis  que  ele era eunuco e foi quem comprou o filho de Jacó como escravo. Precisa lembrar que o José fora entregue pelos irmãos por ciúmes?

    A saudosa Tia Maria Mesquita, caiçara da praia da Fortaleza, contou para nós uma história estranha: “A mulher de Potifar sofria porque o marido era eunuco, por isso cobiçou namorar o escravo José. que ele era santo, não quis cometer nenhum delito com aquela senhora. Ela então mentiu, levando Potifar a encerrar o inocente na prisão, onde o coitado se revelou como alguém especialista em decifrar sonhos e alcançou as graças do faraó, vindo a ocupar um alto cargo no Egito.  Depois disso, o general se tornou símbolo de marido traído, e, sua mulher, de adúltera”.   Na minha infância eu não captava todo o sentido dos termos, mas entendi o motivo da queda da casa de Putifar: o desarranjo doméstico.

   Desarranjo doméstico nos remete a lar desequilibrado, casa se desmoronando. Andando por alguns lugares da nossa cidade, não consigo deixar de relacionar o desarranjo da casa do personagem egípcio com algumas anomalias na nossa realidade próxima, no nosso país. Buracos pelas vias, lixos acumulados em ponto de ônibus ou ocupando locais impróprios, perseguição aos mais frágeis na sociedade, educação/educadores relegados a quase nenhuma importância, Bancada da Morte alcançando sucesso a favor dos agrotóxicos, do genocídio indígena, da privatização das praias e costeiras etc. são sinais de desequilíbrio na casa.  Mas a pouca consideração dispensada ao conjunto que move a Educação no município e pelo país afora é o que mais me angustia. Exemplo: “O departamento jurídico estabeleceu que o professor readaptado [quem passou a uma outra função por motivos de saúde] não deve ter os mesmos direitos de quem está na ativa, na sala de aula”. A Prefeita desta Ubatuba não é professora? A Secretaria da Educação desta cidade não é professora? Ah! Deve ser mentira essa falta de consideração e mais esse ataque aos direitos trabalhistas! Se for verdade, danou-se a casa de Potifar, o eunuco do faraó.

   Eunuco do faraó porque eunuco do genocida. Eunuco do genocida...eunuco do genocida...eunuco do genocida...eunuco do genocida... 

sábado, 30 de abril de 2022

A LÍNGUA PROIBIDA QUE NOS FEZ POVO



Nossas raízes tupinambá - Arte: Eudes Cavalcante



     Estou no ônibus, sigo para o trabalho conversando com a amiga Jacqueline. De vez em quando explico algo do percurso a essa pessoa que tanto gosta da nossa terra. "Aqui é o Sapê, onde nasci. É triste ver essas casas assobradadas que vão tirando a visão do mar. Pior é imaginar as areias sendo tomadas pelos esgotos assim que esses edifícios forem sendo ocupados. Você sabe o que é sapê? É planta, da família das gramíneas; nasce pelos morros secos e serve para fazer coberturas. Vou lhe mostrar o tanto que cobre o morro entre o Rio da Prata e a Tabatinga. Quando eu nasci, a maioria dos caiçaras usava sapê para cobrir suas moradias. As telhas eram caras, pouca gente podia adquiri-las. Meu pai era um exímio carpinteiro, fazia coberturas com sapê. Quando aparecer a oportunidade de encontrar um sapezal, arranque uma planta e experimente a raiz, mastigue. Parece cana. Bem antigamente, dizia a vovó Martinha, o meu povo  socava essa raiz, deixava na água para mais tarde tomar, pois servia de remédio para as vias urinárias". 

   Em seguida está a Maranduba, onde as modificações no jundu são gritantes: não se vê a faixa de terra, onde uma mata, repleta de passarinhos, pitangueiras, goiabeiras, araçaeiras e pés de manacarus nos encantavam na infância, há mais de cinquenta anos. "Tia Brandina, que morava na beira do rio, perto daquela mangueira que persevera ali, dizia que Maranduba era lugar onde os moradores primeiros se reuniam para contação de bonitas histórias, onde uma geração aprendia com a outra mais velha. Pois é, amiga, essa é a razão desse lugar ser chamado de Maranduba: um ponto de encontro para prosear".

  Agora é Tabatinga:
 "A parte de Ubatuba é Galhetas (uma espécie de ave aquática), mas quase ninguém sabe disso. Tabatinga é barro branco, uma argila bonita. Pode ser que nesse lugar as habitações primitivas fossem barreadas com tabatinga, constituíam uma Tabatinga Tupinambá. Imagine a beleza que era! Eu e meus irmãos gostávamos de recolher esse barro para modelagem no rio do Seo Licínio". 

    Diante do mar do Massaguaçu, cujo significado é grande lagoa, nos pusemos a conversar sobre as riquezas que uma língua encerra. "Quase todo o Brasil, sobretudo a parte mais ao sul, falava-se uma língua geral, o nheengatu. Diz-se que o bandeirante paulista contratado para exterminar o Arraial de Palmares, em Alagoas, precisou de um intérprete ao discutir os termos com quem falava português. Imagine só! A nação brasileira se realizou, de fato, graças a essa língua-mãe, quando os descendentes de portugueses, indígenas e negros se fizeram povo, construíram a linguagem de coabitação e evolução territorial. Foi a linguagem dos primeiros e essenciais passos. De repente, em meados do século XVIII, um tal de Marquês de Pombal, uma espécie de primeiro-ministro em Portugal, decretou, dentre outras medidas, o fim da língua geral falada no Brasil. 'Deixa de nhem, nhem, nhem' foi a ordem. Ou seja, daquela data em diante somente a língua portuguesa seria permitida. Os jesuítas foram expulsos e seus manuais de ensino foram proibidos.  Imaginem o quanto perdemos ao acabar com essa linguagem dos nossos antepassados! O que chegou até nós são resquícios desses saberes acumulados pelos tempos, inclusive os topônimos que nos circundam. Me alegro em saber que em países vizinhos (Paraguai, Bolívia...) as línguas indígenas são respeitadas e aprendidas. Fico imaginando a geração atual e as futuras deste chão caiçara estudando o guarani, redescobrindo termos/conceitos que certamente iluminarão o nosso lugar, a nossa história, os nossos traços culturais". 

     Por inspiração no amigo Carlos Lunardi, acrescento: De pombo a marreco fomos às brecas.

terça-feira, 26 de abril de 2022

RIQUEZA DE SAUDADES

Em meio à natureza - Arquivo JRS

        Do poema do mano Mingo, junto com a claridade do Sol no horizonte daqui a pouco,  vem os momentos de pensar o que é riqueza.



Das riquezas 

 

Meu avô não era pobre,

pobre sou eu que nem tenho

casa de caiçara no meio do bananal

e mais uma cachoeira de águas cantantes

cantando a canção do princípio da vida.

Tampouco tenho um ranchinho

com canoas e redes de pescar

o que o oceano tem para ofertar.

O que eu tenho, tão somente,

é uma riqueza de saudades.