sexta-feira, 20 de setembro de 2019

DÁ O QUE PENSAR





Qual pátria?    (Arquivo JRS)




Passos do jabuti desprezar...

E querer rastro do míssil enxergar.


Acreditar no Deus de amor...

E votar no ditador.


Moradores de rua apedrejar...

E na sociedade protetora dos animais se alistar.


Negar um prato de comida ao irmão...

E ao cachorro desperdiçar milhão em ração.


Lixo e esgoto nos rios jogar...

E depois se refestelar no mar.


É...

Dá o que pensar!

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

PEIXE NO CUMBU

Tio Salomão, tio Salvador e a caçoa (Arquivo JRS)


               Tio Neco, num desses sábados, logo após o café da manhã, começou a relembrar da sua infância na praia do Pulso, onde nasceu, terra de origem da vovó Martinha, a parteira. Essa praia fica no Sul do município, antes da Caçandoca. Alcança-se ela partindo do canto da barra da Maranduba.

               “Naquele tempo, ali, não tinha mais do que dez casas: nós e os nossos parentes. A  nossa moradia ficava no meio da praia, perto da vó Zulmira, depois do jundu. No canto direito morava o tio Basílio, mais para o morro era a casa do tio Zé Cesário. Os demais se espalhavam por ali mesmo. Numa ocasião de trovoada forte, caiu um raio no mato, no caminho para a Caçandoca e incendiou tudo. A nossa sorte foi que o mato estava todo molhado e logo se apagou, deixando apenas um pequeno estrago, queimando bem apenas uma pequena área. Se o mato estivesse seco... o morro todo ardia!

               Eu era criança, faz muito tempo, mas tenho tudo bem vivo na memória! Vejo os caminhos, a gamboa, o bambuzal logo atrás de casa, os ranchos de canoas... Guardo aqui na cabeça muitas histórias e causos que contavam.

               Tia Luzia, a primeira mulher do tio Basílio, morreu cedo, era bem nova ainda. Então, o titio começou a ter um caso com a Izídia. Não tinha nada de errado, afinal ele enviuvara. Só não sei por qual motivo ele não assumiu o namoro. Nem sei como eles se encontravam. Só me recordo que ele tinha uma estratégia para fazer sempre um agrado à namorada. Era assim: ela armava um cumbu no Morro do Canto, quase na costeira. Na madrugada de cada dia, ele saía para visitar o tresmalho, para pescar. Assim que tinha em mãos uns bonitos peixes, ele desembarcava na Costeira do Pão com os pescados de maiores valores, os mais apreciados, e coloca-os no cumbu da Izídia, fechando a porta. Mais tarde, ao visitar a armadilha, ela recolhia num balaio o tão estimado agrado do tio Basílio e voltava feliz para casa. Passava na beira da nossa casa cantarolando. Que lindo, né?”.

domingo, 15 de setembro de 2019

QUE É ISSO?





Artes da minha Gal (Arquivo JRS)


Que é isso?



À margem,

Rabiscando as margens:


Ventou suave,

Movimentou barcos

Rodeados de gaivotas.


Estrelas tomam outra margem,

Cobras linguarudas também.

As folhas se decompõem,

E nas pautas 

Notas se compõem.


Rabiscos ganham as margens:


Arte marginal?




Amanhã é o prazo final para as inscrições nos concursos (poesias, contos, crônicas e teatro) da Fundart.  
Ainda é tempo! Participem!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

NEGAR INFORMAÇÃO PARA CONTROLAR


Arte da minha Gal (Arquivo JRS)

Espaço nosso (Arquivo JRS)


O filósofo Jean-Jacques Rousseau, há mais de duzentos anos, defendeu que, o povo enquanto  corpo coletivo, é capaz de decidir o que é melhor para o todo social. O povo é que é soberano. Portanto, se um governante não está de acordo com os anseios do povo, é legítimo ser desobedecido. Por isso todos precisam do saber, dos saberes, da Ciência.

          Uma coisa imprescindível para todos, sobretudo aos mais carentes, é a informação. Na verdade, ela está na base de tudo. E, na escola, pela lógica de milênios, é o lugar onde a confiança na informação e formação é maior. Agora, depois de dois infelizes episódios, creio que as pessoas, os cidadãos, devem refletir acerca da legitimidade de certos governantes. Estou me referindo, primeiramente, ao governo do Estado de São Paulo que, agindo talvez motivado pelo interesse nos votos de pessoas religiosas, aquelas de mentes fechadas (conduzidas por falsos pastores), recolheu os livros didáticos do 8º ano do ensino fundamental por conterem uma página, na disciplina de Ciências, informações pedagógicas a respeito de gêneros sexuais. O texto aborda a diversidade sexual e explica diferentes termos como “transgênero”, “homossexual” e “bissexual”. Isso é ruim? Aprender da forma correta, científica, sem sacanagem alguma é errado? Há muito tempo, nos idos de 1970, quando eu estudava na 6ªsérie ginasial, no colégio Capitão Deolindo, o professor Jairzinho, ao nos ensinar sobre o aparelho reprodutor, nos alertou: “Pode ser que algum pai de vocês venha aqui tirar satisfação comigo, sobre isso que estou ensinando. Caso isso aconteça, direi a eles que é melhor vocês aprenderem aqui comigo, na aula, de maneira correta, do que ficar dando atenção a açougueiro de esquina, com um monte de besteiras e cheio de preconceito”. O governador não teve um professor assim! Certamente que ele estudou nas melhores escolas, onde se aprende de tudo e com todos os recursos. “Filho de pobre não precisa de tudo isso”. Talvez nem um representante do Exército, tipo professor Simeão, fosse necessário nas escolas dos ricos.

          O outro fato, ainda mais grave, ocorreu na bienal do livro, no Rio de Janeiro, quando soldados fortemente armados invadiram o espaço das obras e retiraram tudo aquilo que fazia parte do acervo em torno do mesmo tema perseguido pelo governo paulista. Pode isso? Como se espera diminuir a violência, o preconceito e até mesmo os suicídios tratando a educação assim, ou seja, negando aos alunos as informações e novas possibilidades reflexivas para uma verdadeira civilidade, deixando que suas únicas guias sejam mentes preconceituosas, violentas contra as diversas minorias, sem nenhuma empatia por tantas situações de sofrimentos da nossa gente? O pior é escutar no ambiente escolar alguém dizer que essas medidas estão corretas, que "é preciso arrancar o câncer pela raiz".

sábado, 7 de setembro de 2019

BRASIL DOENTE

Mural  na Cocanha (Arquivo JRS)


               Cheguei cedo, como é costume, para trabalhar. Estando quase na frente da creche, vejo um ajuntamento de gente e paro porque a minha colega, que também vem de longe, está discutindo com alguém. É uma das mães; naquele momento elas estão buscando as crianças (por volta de três ou quatro anos, se não estou ruim de cálculo) no final do período. A Nice, especialista em educação especial, argumenta sem se exaltar, mas a outra está enfurecida, xingando horrores. Entro na discussão, ou melhor, tiro a minha amiga, pois é inútil perder tempo com determinadas situações, sobretudo quando temos ainda um período de trabalho pela frente que exige muita paciência (lidar com os filhos dos outros não é fácil!). Saímos dali deixando a mulher quase espumando. Lembrei-me das palavras do professor Karnal: “Todo violento é um covarde”. E, sentados mais adiante, sob um ipê todo rosado, já jogando suas pétalas nos passantes, exigi: “Me conta”. E ela, ainda soluçando: “É o seguinte: eu estava passando por ali quando escutei a mãe perguntar assim para a criança, que parecia ter uns três anos: ‘O que a vagabunda da sua professora ensinou hoje?’. Eu não me contive, não quis acreditar que tinha ouvido aquilo. Parei e quis que ela me ouvisse, afinal, há quinze anos sou professora de crianças, de adolescentes bem especiais. E ela já foi xingando, nem deu bola para o que eu falei. Baixaria, Zé. Foi isso”.

               Tristeza, né? Conforme o já citado professor, que em outros tempos, após o período das aulas, ao anoitecer, ainda se dispunha a tirar do piano suaves melodias para nós: 

      “Professor é o ser da trincheira, sobretudo do ensino fundamental. Esse professor é um herói. Se o Brasil continua existindo, é porque ele existe. Sem essa frente de trabalho que é o professor, o país se desintegra. Apesar dos péssimos índices que temos hoje, as coisas só não estão piores porque os professores não ‘jogaram a toalha’. Como estimular alguém numa trincheira? Eu sei que é quase insuportável. É muito difícil. É um milagre alguém trabalhar nas condições que temos hoje na educação”. 

            Mas eu, amiga Nice, sei da sua força que se junta à minha e a de tantos.  Essas forças, elas são libertadoras. Creio que só a educação liberta! Infelizmente, conforme atesta a mãe sem educação, que vai conduzindo a criança pelo mesmo caminho, este país despreza a educação. Com gente assim, o que será do espaço ubatubense, da nossa sociedade? O que será do Brasil?

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

AMANHÃ... INDEPENDÊNCIA

Arte na passagem (Arquivo JRS)

Cadê o Sol da liberdade? (Arquivo JRS)

               Contam os historiadores que, em meados de agosto de 1822, dom Pedro, o príncipe regente do Brasil, morador da cidade do Rio de Janeiro,  resolveu visitar a província de São Paulo. Após sua partida, chegaram ordens de Portugal para que ele obedecesse novas determinações administrativas, senão... seria levado à força para a sua terra natal, perto do mar dos bacalhaus.

               Essas ordens o alcançaram perto do riacho Ipiranga, quase chegando na cidade de São Paulo. (Hoje faz parte do centro da cidade!). Era o dia sete de setembro. Ele, seguindo determinação da esposa regente, (mas isto a história não resgata), anunciou a independência do Brasil. Por isso o hino nacional começa com o “ouviram do Ipiranga as margens plácidas”.

               Antes da independência e depois dela, muitas revoltas aconteceram. E elas continuam acontecendo porque fazem parte de um conjunto de manifestações a favor de um país mais justo, de mais liberdade, onde todos se realizem o mais plenamente possível, sem dominação de uma elite, de ditadores ou de outras nações. São ações imprescindíveis, para que, “de um povo heroico brado retumbante” se escute, apareça “o Sol da liberdade, em raios fúlgidos” e brilhe radiante no céu sombrio da Pátria neste instante, dando-nos novas esperanças.

               Amanhã... Independência!



               

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

EM TERRAS BAIXAS

Arte da minha Gal (Arquivo JRS)
                   






                      Adoro passear! 

                    Conforme uma pessoa famosa, "o melhor caminho é aquele encontrado junto com alguém". E é mesmo!

                    No final de semana que passou, eu e Gal nos juntamos a um grupo de gente boa e fomos visitar Holambra, a terra das flores. Adoramos o lugar fundado por colonos holandeses na metade do século passado. Eu, por ser fanático por plantas, sou suspeito em falar disso.

                    Começamos o dia com uma viagem de trem - Maria Fumaça - partindo de Inhumas e chegando em Jaguariúna, na linha Mogiana, a ferrovia do café. Outro percurso em ônibus nos deixou em Holambra (Holanda - América - Brasil), onde nossas vistas se extasiaram com os espetáculos, os arranjos florais, os projetos paisagísticos, o museu etc. Ah! "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".