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| Imagem: gratidão ao Marcos Martimiano |
1- Era
cedo, dois meninos brincavam com bola na rua. Os dois, entre 5 e 7 anos, se
encontravam vestidos como jogadores da seleção brasileira de futebol, até meias
azuis de destacavam nas pernas finas. O menor deles adentrou no quintal e eu
ouvi em seguida a pergunta inocente: “Vó, tô parecendo com o Flávio?”.
2- Um
jovem portando uma mochila deu demonstração de querer conversar. Eu me embalei
e muito feliz me despedi dele duas horas depois. Paulo estava chegando de
Niterói, RJ; é aluno de Pedagogia na Universidade Federal Fluminense (UFF),
viera para votar, depositar sua confiança num quarto mandato para o Presidente
Lula. É graças aos programas sociais do governo federal que ele que está distante de Ubatuba, cursando numa universidade
pública. O rapaz, filho de um companheiro de obra, pedreiro, não demorou muito
para, todo feliz, abrir imagens no celular das manifestações que fizeram os
discentes da UFF, onde o medo de retorno do país à barbárie acendeu o pavio das
manifestações que resultaram na vitória do candidato petista.
3- Na
parte da tarde, durante a manifestação alegre na praça da pista de skate, duas
moças com estereótipo de “religiosas bem comportadas”, passando pela multidão
agitando bandeiras, gritando palavras de ordem, comentaram: “Essa gente é
maconheira; nunca vamos votar na esquerda, no candidato de tipo assim”.
4- Um jovem
enfermeiro gay, pobre, batalhador como a maioria, filho de migrante pernambucano amigo há décadas estabelecido no bairro da Estufa II, se agitava todo
sorridente na manifestação pró miliciano mentiroso e criminoso. Ao me ver
demonstrou vergonha. Ele sempre soube do meu posicionamento político. Será que se enxergou
como incoerente naquele instante?
5- Um veterano da cidade, apenas conhecido de
vista, estava bem próximo da Onda Vermelha na praça. Assim que bateu os olhos
em mim, interpretando que eu apenas era um observador de toda aquela agitação,
disse: “Eu não estou nisto não. Eu voto no Flávio”. Aí eu retruquei: “Ah é?!?
Pois saiba que eu voto no Lula!”. Ele abaixou a cabeça, não disse mais nada.
4-
Dentre toda aquela moçada e aquelas famílias com seus filhos avistei a Nalva,
outra retirante nordestina que se compôs na cultura caiçara. Gritei: “Eis a
nossa militante porreta!”. Carinho, sorrisos e palavras vieram, seguem nos movendo na
esperança de uma sociedade mais justa, sem ódio; superando discursos que querem
inferiorizar a maioria em detrimento de pouquíssimos neste chão. Parabéns aos familiares
e amigos que me fortalecem na utopia de um mundo melhor! Com o poeta Zé Vicente, amigo cearense de décadas, me despeço: “Quando o dia da paz renascer eu vou cantar...”

Gente como a gente de coração limpo
ResponderExcluirGratidão, amiga. Abraços e beijos a toda família.
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