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| Cará-roxo. Arquivo JRS |
Depois de um café com cará, me assentei para leitura. "Cará de onde?". De Ubatuba, ué! Ainda não avistei por outras bandas, longe do litoral, desse cará-roxo. (Do branco tem por todo lado). São os últimos da safra deste ano; no inverno eles invadem as bancas caiçaras da feira livre. Os consumidos agora foi presente de um querido amigo. Grande Jorge! Professor, escritor e leitor que é da nossa imensa estima, ele avistou o tubérculo, e, sabendo da minha predileção, comprou para mim. Gratidão demais!
O título da página no livro do Seo Filhinho é: A Santa da Maranduba. Eu, nascido na praia de Sapê, sempre ouvi dos mais velhos essa história. Agora vejamos um autor do centro da cidade:
No longínquo 1917 ou 1918 ocorreu a notícia de que no bairro da Maranduba três meninas viam uma santa. Mais precisamente a Virgem Maria, que por vezes chegou a dirigir-lhes palavras, dando conselhos e fazendo recomendações. A notícia provocou repercussão nos arredores, chegando à cidade onde os mais desencontrados comentários se faziam ouvir. Uns acreditando, outros - a maior parte -, não dando crédito à boataria. Mas pequenos grupos, e depois grandes romarias se dirigiam à Maranduba para acompanharem de perto as manifestações populares.
A santa, no dizer das meninas, fora vista pela primeira vez numa curva de caminho. Mas ali não permaneceu. Estava sempre a perambular pelo bairro, da praia para o sertão, dali para o Pontal, deste para o Sapê e para a Barra. Sempre a caminhar, era seguida pelas três videntes que, por sua vez, se faziam acompanhar de uma multidão de crentes e curiosos.
Aquele tempo (Primeira Guerra Mundial) era de muito temor, sobretudo porque as notícias chegavam se arrastando. Hoje também vivemos tempo de temor, mas temos chance de ouvir as notícias, analisá-las e escolher entre a mentiras e as verdades. São estas últimas que podem nos livrar do pior candidato à presidência do Brasil. De nada vale correr atrás de qualquer santa, mas abraçar as mentiras, votar em quem sempre viveu da corrupção, sem nunca trabalhar pelo bem dos mais necessitados.

Meu amigo, infelizmente, um termo que temos ouvido muito ultimamente é viés de confirmação, definido pela Wikipédia como “a tendência cognitiva de buscar, interpretar, priorizar e lembrar de informações que confirmam crenças, hipóteses ou expectativas preexistentes, ignorando ou descartando dados que as contradigam”.
ResponderExcluirOu seja, muitas pessoas acreditam na desinformação disseminada em suas bolhas e, mesmo tendo à disposição ferramentas para verificar a veracidade das informações, tendem a aceitar aquelas que confirmam suas opiniões, desconsiderando evidências e fatos que as contradizem.
Pois é. Lembro agora de uma charge onde uma multidão seguia vidrada em seus celulares e era engolida por um buraco. Abraços a toda família!
ExcluirLembrei-me de alguns casos envolvendo pessoas que conhecemos, mas vou citar um em específico.
ExcluirNo grupo de WhatsApp da escola, era comum alguns professores compartilharem notícias falsas. Como tenho o hábito de verificar as informações, quando identificava uma fake news, avisava a pessoa, que geralmente apagava a mensagem. No entanto, continuava compartilhando notícias sem antes verificar sua veracidade.
Até que comecei a contestar, no próprio grupo, que determinadas notícias eram falsas e que era fácil verificar sua autenticidade pesquisando na internet e conferindo a fonte e a data da publicação. Existem, inclusive, manuais que orientam como fazer essa verificação.
Isso aconteceu antes de 2018, quando as notícias falsas que circulavam eram frequentemente relacionadas a pessoas desaparecidas e a outros assuntos de caráter sensacionalista, que viralizavam com facilidade.
Vale lembrar que, em 2014, no Guarujá, uma mulher inocente foi brutalmente assassinada após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças, em meio à circulação de informações falsas nas redes sociais. O caso demonstra como a disseminação irresponsável de informações pode ter consequências trágicas.
No caso do nosso colega, o fato de eu passar a questionar publicamente as mensagens que ele compartilhava parece ter surtido efeito, pois ele deixou de publicar esse tipo de conteúdo no grupo.
Em 2016, durante a eleição presidencial nos Estados Unidos, as fake news ganharam grande projeção no debate público e se tornaram uma importante ferramenta de desinformação política, especialmente no ambiente digital. Dois anos depois, no Brasil, a disseminação de informações falsas também teve presença significativa na campanha presidencial, marcada pelo uso intenso das redes sociais e de aplicativos de mensagens.
Se quiserem saber um pouco mais sobre esse assunto, recomendo o livro A morte da verdade: notas sobre a mentira na era Trump, da autora estadunidense Michiko Kakutani. A obra analisa como Donald Trump e seus aliados políticos utilizaram estratégias de comunicação e manipulação da informação, contribuindo para um cenário em que os fatos passaram a ser frequentemente questionados ou desconsiderados. A leitura também permite refletir sobre as semelhanças entre determinadas estratégias políticas utilizadas nos Estados Unidos e no Brasil. O livro também aborda a pós-verdade, conceito que se relaciona diretamente com essa discussão. Em um contexto de pós-verdade, as crenças pessoais, as emoções e as convicções ideológicas podem sobrepor-se aos fatos objetivos. Isso ajuda a compreender por que algumas pessoas continuam compartilhando informações falsas mesmo depois de serem alertadas, pois