Ubatuba Hotel - (Arquivo Edson da Silva) |
Ao me deparar com gente encantada pela tecnologia, mas aparentando um nível muito pobre
de reflexão, me recordo de um filme antigo – 2001: uma odisseia no espaço. Quando assisti esta interessante produção,
era o ano de 1978, no antigo Cine Iperoig, em Ubatuba.
O
Cine Iperoig ficava ali, na Praça da Matriz, bem onde se construiu um Centro do
Professorado que se converteu num teatro encarangado, ou seja, que não é de fato.
Dinheiro do contribuinte desperdiçado! Tudo isso, parafraseando o polêmico Rochinha,
“porque nossos políticos têm a visão para apenas quatro anos”. Outrora, era
naquele lugar que ficava o Hotel Ubatuba, onde Idalina Graça e Albino se
sustentavam. Mais tarde, por risco de desabamento no sobrado colonial que
ocupavam, se mudaram para perto do Casarão do Porto, onde hoje se localiza um agradável
restaurante. Aos mais novos: Idalina foi a primeira escritora daqui. Vale a
pena ler Terra Tamoia e Bom dia Ubatuba. Foi no hotel deles que
chegaram os primeiros turistas vindos pela Estrada de Taubaté. Dentre muitos,
Idalina cita o escritor Monteiro Lobato.
Após
este volteio, retorno ao filme: a imagem que me marcou demais foi quando o
macaco, sem querer, transforma um osso em ferramenta. Ele percebe que a sua
força é aumentada com isso. Não me lembro bem do contexto, mas num determinado momento
ele arremessa o osso para cima. Nem sei se era para acertar alguma coisa.
Quando o tal osso começa a cair, no lugar da sua imagem aparece uma nave
espacial. Já é uma! O diretor Stanley Kubrick foi muito feliz nessa escolha!
Afinal, é inegável que toda a sofisticação tecnológica que continuamos a
alcançar teve início com ferramentas bem simples. Foi quando viramos humanos!
E
agora, nessa massificação cultural, quem pensa em sair do lugar-comum? Ou
melhor, quem se percebe nesse lugar? Enfim, o desafio é redescobrir a si mesmo, conhecer
o mundo e fazer interferências salutares.
Idalina
Graça, essa caiçara que nos legou valorosos registros da nossa cultura caiçara,
indicou, em 1967, o seguinte:
“A
verdade é que, se os homens de hoje lutam mais, em compensação amam muito menos
o seu próximo. Quero crer que nunca o ser humano necessitou tanto de ajuda e
amor como agora”.
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