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| Viva o Brasil! - Arquivo PT |
O dia foi de muita tensão. No portão da escola, me encontrando com o Marcelo, recebi as primeiras palavras animadoras, de esperança: "A coisa tá diferente hoje, tem muita gente entrando de vermelho, com adesivos, revelando que vai votar no Lula".
De fato havia um clima diferente do primeiro turno, quando a sujeira imperava ao redor do local de votação, um ambiente degradante, cheio de gente se identificando como remunerados para gritar bobagens a favor de candidatos reacionários, da extrema direita. Deu no que deu.
Depois de ter confirmado o meu voto, me juntei ao Marcelo e uns dois a mais buscando argumentar com velhos conhecidos que iam chegando. Poucos mostraram desprezo às nossas falas. Conforme grupinhos se aproximavam, eu escutava: "Nem adianta com esses, são cabeças feitas pelo pastor", "Esse é bitolado pelas redes sociais, tá alienado de tudo" etc. Mas não arredamos dali, seguimos acolhendo e conversando com todo mundo. Teve um período, de mais de hora, que uma moçada do bairro, uns seis rapazes bem animados se postaram nos arredores e se empenharam na mesma intenção. Brincavam, riam e lançavam divertidas frases aos seus conhecidos. Pareciam saber identificar em quem cada cada eleitor ou eleitora votaria.
Eu e Marcelo ouvíamos das mostras de golpe acontecendo, principalmente nas cidades de São Paulo e Salvador, com prefeitos suspendendo o transporte coletivo. Uma companheira chorava de ódio. Chegamos ao final da eleição, veio a apuração. Em casa, acompanhando tudo pelo ICL, pela maravilhosa equipe de jornalistas, vibramos muito quando eles cravaram Lula como vencedor; o foguetório na vizinhança revelou que havia uma multidão contendo a esperança de ver mais um período do nosso Brasil nas mãos do "Filho do Nordeste", do imigrante metalúrgico debochado por seu opositor durante toda a campanha. Venceu a esperança!
Venceu a esperança não apenas nossa, mas de multidão mundo afora. O Brasil, no dizer repetido, era "a última trincheira contra a onda reacionária, contra a extrema direita, contra o nazifascismo".
A trincheira é a mobilização da juventude que despertou nossas forças. É a reação organizada dos diferentes grupos, da diversidade regional e étnica que reconhecem as conquistas sociais empenhadas pelo cidadão que se tornou liderança do nosso país e respeitado no mundo inteiro.
A trincheira é a ressaca vermelha em chão caiçara. Aquela massa na Avenida Yperoig desmerecida por exploradores, por gente que se acha rica e poderosa. Ela fez a diferença. Cada voto nosso está nesta barreira, nesta trincheira que somos neste novo dia. O amor venceu o ódio.






