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| Observatório - Brazópolis 2023 - Arquivo JRS |
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
O GALO NÃO CANTARÁ
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
FANDANGO CAIÇARA
17 de novembro de 2019. O dia amanheceu lindo, com uma claridade esfuziante. É dia de pitirão. A caiçarada e os novos caiçaras, adeptos da nossa cultura, foram convidados para o embarreamento do Rancho Caiçara, na praia do Perequê-açu. Bem-vindo, pessoal!
Cheguei cedo, mas o Rochinha e o Tião já começavam a transportar o barro, a ocupar o espaço de masseira. Logo foi chegando todo o nosso pessoal, homens, mulheres e crianças. Molhar barro, sovar bem com os pés, molhar, sovar de novo e perceber o ponto ideal para embarrear. É quando todo mundo mete a mão no barro para preencher os vãos do pau a pique. Que festa! As histórias e os causos não podem faltar em ocasião assim. No mesmo ritmo da odisseia do barro, algumas pessoas vão preparando o de comê. Até batata-doce foi assada junto com as carnes. A consertada era farta. Da minha parte, na garrafa de azeite, deixei a pinga com cambuci, em homenagem a um grande líder. A Roberto e Ostinho, recomendei ao partir: “Cuidem da ‘criança’, viu!”.
Pitirão é o nome original de mutirão. A origem é tupinambá: pitirum; quando as pessoas se juntam para um adjutório, para um trabalho em comunhão. O pitirão que mais marcou a minha vida foi na nossa casa, no morro da Fortaleza. Lá, onde debaixo da aroeira do terreiro, nós avistávamos todo o mar da baía e de mais longe, onde os navios passavam soltando grossos rolos de fumaça. Naquele dia distante, veio gente até da praia Grande do Bonete, mostra da grande irmandade caiçara. Tal como se repetiu no Rancho Caiçara, logo a grande tarefa estava pronta. Antes mesmo do fim já tinha peixe assado, café, farinha e cachaça. E muitas histórias, lógico!
Hoje, quatro anos depois daquele dia do embarreamento, ao ler o anúncio da 6ª Festa do Fandango Caiçara, fico muito feliz que seja no Rancho Caiçara, cujo nome homenageia a saudosa Dona Antônia dos Santos Mariano. Ah! Tem muitas mãos envolvidas naquele espaço, naquela edificação! Parabéns a todas e todos que sustentam a cultura caiçara!
segunda-feira, 27 de novembro de 2023
RIO ABAIXO
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| Chão de barro - Arquivo JRS |
Um homem inútil dobra a esquina,
Tenta se vender como honesto.
Parece ter se esquecido das tantas maldades:
Destruiu árvores da nossa calçada,
Depositou lixo mais além,
Saqueou áreas públicas,
Grilou terras,
Sujou rios,
Se aproveitou da fé alheia,
Deu calote em serviçais.
O inútil segue adiante.
Não assume as tantas maldades.
Agora anda lentamente,
Mas é o mesmo de antigamente.
domingo, 26 de novembro de 2023
PESCARIA EM ESPERA
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
ARAUCÁRIAS E DINASTIAS
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
CORROMPIDOS
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| Um trabalho surgindo na telha - Arquivo JRS |
Escolhi o pensador acima para debater com um colega que reagiu ofendido porque eu afirmei que os pobres que continuam apoiando o reles ladrão de joias – para dizer o mínimo! – foram corrompidos. Genericamente falando, pratica a corrupção quem se aproveita de uma posição dominante para levar vantagem. Mas, conforme a definição primeira, é uma mudança que vai de algo ao não-ser desse algo. Assim, pobres que abraçam ideais de ricos são corrompidos. Pobres que dependem do Sistema Único de Saúde, dos medicamentos da Farmácia Popular, dos direitos trabalhistas e das tantas conquistas sociais, mas que votam em candidatos que declaradamente são contra esses princípios são corrompidos. Trata-se do supliciado adulando, fomentando o seu algoz. Não importa sob que meios isso tudo aconteceu, mas a corrupção é notória. “Ah! Mas eles (pobres) foram persuadidos!”, exclamou o colega. Ser persuadido implica em acreditar que vai levar vantagem, lucrar alguma coisa, ser aceito num grupo etc., mesmo que não queiramos admitir. Vamos pelo emocional. Isto é o que geralmente ocorre, parecendo normal.
Pois é. Atualmente, parece que há uma
renúncia ao exercício pensante, à autonomia de pensamento. E volto ao pensador
antigo escrevendo sobre a retórica, uma espécie de “metodologia do persuadir”.
É assim que chega-se aos argumentos de que homens procuram convencer outros
homens. Ela (retórica) não tem a função de ensinar em torno da verdade. Esta
função é própria da filosofia, das ciências e artes. Mas por que ela faz tanto
sucesso, “vira a cabeça de tanta gente”, acaba sendo prejudicial sobretudo aos
pobres? É porque ela identifica e parte das estruturas fundamentais, cultiva os
elementos que se apresentam aceitáveis para a maioria das pessoas.
Entinema, um tipo de raciocínio retórico
explícito na História da Filosofia, por Reale e Antiseri, “é um silogismo que
parte de premissas prováveis (de convicções comuns e não de princípios
primeiros), sendo conciso e não desenvolvido nas várias passagens”. Portanto,
as convicções comuns podem ter nada de verdadeiro, mas apenas conterem ilusões. É
pela emoção, pelos sentimentos que se torna fácil corromper as pessoas.
Portanto, se nos vigiarmos, fica mais difícil de sermos corrompidos, pois a
justa medida passa a ser a nossa referência ética. Os que vivem às custas do
pobres temem isto: de que a justiça seja a mais importante das virtudes. Bem nos lembra os autores citados de um
provérbio antigo: “Na justiça está abarcada toda virtude”. Por isso que pensar é perigoso.
terça-feira, 21 de novembro de 2023
A CASA DA BENZEDEIRA
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| Casa da benzedeira - (Arquivo Joban) |
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| Fabiano e Petiá: um adorável casal - (Arquivo Joban) |
Minha tia Petronília era muito amada, conhecida e admirada por todos os caiçaras que a procuravam para curar seus males onde a medicina da redondeza não conseguia ou não tinha. Era conhecida como D. Petiá, ela residia nessa casa linda que o tempo envelheceu, que será reformada. Esse patrimônio histórico é a segunda casa mais antiga do bairro, só perde para o antigo armazém do Maciel. Nesta casa muitos vinham com lágrimas nos olhos e com os corações esperançosos e saiam com sorrisos nos lábios. Dona Petiá, essa sensível caiçara que espalhou na vida filhos legítimos nascidos do seu ventre e filhos adotados nascidos do seu lindo coração, deixando em cada um de nós a saudades daquela que não mediu esforços para alegrar a todos nós, merece nossa eterna memória.
O amigo João Batista Antunes (Joban) fez muito bem em registrar um pouco de seus familiares, de sua gente da Pedra Branca, na praia da Enseada. Nos alegra com a notícia da reforma por acontecer na casa da benzedeira.
Dona Petiá era benzedeira
muito estimada. Eu morava no bairro próximo, mas circulava muito além da vizinhança,
enxergava a movimentação na Pedra Branca, onde até hoje mora o casal Joban/Andrea e tantos
outros conhecidos da minha infância.
Benzedeiras e benzedeiros se
distribuíam por vários bairros/praias. No Sapê, a tia Livina vivia atendendo a
todos. Na Fortaleza, benzer era o trabalho da tia Aninha. No Corcovado, tio
Francolino era o benzedor. No Itaguá, dona Josefa atendia desde a os parentes
da Ponta Grossa até o centro da cidade. Na Estufa, Seo Manoel Mariano, nascido
no Canto da Paciência, atendia em sua pobre casa os moradores do entorno. Na
Sesmaria da Estufa, João Alexandre, natural do Sertão do Ubatumirim, era a
referência. (Até ganhou nome de escola municipal). Toda essa gente, essa caiçarada de outras gerações, sensível às dores dos pobres, além de benzer e
rezar, também recomendava as ervas que conheciam. Corpos e almas eram aliviadas pela fé e pelos conhecimentos dos nossos antigos.







