sexta-feira, 18 de abril de 2014

ADEUS, AMIGO!



Um momento do "Ranchinho Caiçara" (Arquivo Júlio C. Mendes)



         Este texto do Júlio é muito comovente porque relembra gente que adotou por um bom tempo a nossa cidade e percebeu o quanto de riqueza existia nessa cultura (caiçara), promovendo eventos e querendo compreendê-la melhor. O Tony e o Ney, sem dúvida alguma, estão entre essa gente. Valeu, Júlio!

       Essa imagem é uma cena no estúdio da Rádio Costa Azul de Ubatuba durante o programa “Ranchinho Caiçara”, que ia ao ar todas as sextas-feiras dos anos de 2005 a 2008. Em primeiro plano está o saudoso folclorista Ney Martins, depois o radialista do programa, Tony Luiz, em seguida vem este que escreve e por fim a figura do caiçara João Barreto.
     Hoje, recebi a notícia através de mensagem do Facebook, posta por Carol, sobre o falecimento de seu pai, o radialista Tony Luiz, falecido no domingo passado, com 53 anos de idade, numa cidade do interior paulista.
      Escrevo essas linhas ainda muito sentido e triste, e passo aqui os meus pêsames aos familiares.
    Tony Luiz foi uma pessoa muito importante na minha vida e acredito que importante também para o povo e para a cultura caiçara, pois ele abriu espaço, deu crédito, valorizou e até defendeu a cultura caiçara através de seu programa, e isso eu digo com certeza e propriedade. Ele fez brotar em muitos caiçaras o orgulho de ser caiçara e após isso, os valores humanos, artísticos e culturais caiçaras foram tomando um maior conhecimento. O programa radiofônico “Ranchinho Caiçara”, por ele comandado, desvendou talentos como João de Souza, João Barreto, eu (modéstia a parte), Dito Fernandes do Puruba, Seu Orlando do Prumirim, Clementino, dona Nena, Bigode, Carlos Rizzo, Eduardo Souza, Sineia, Fátima Souza, José Ronaldo e tantos outros que na forma de cantar, compor, escrever e de contar causos e história, revelaram um acervo muito rico da cultura caiçara, que resultou em alguns livros, CD musical e vídeo.
     Tony Luiz, Ney Martins, caiçaras de coração, a vocês fica aqui a minha gratidão e peço licença para falar em nome do povo, a gratidão do povo caiçara também.


      Obrigado amigos!

FONTE: O GUARUÇÁ

quinta-feira, 17 de abril de 2014

REPENSAR O ESPAÇO MARÍTIMO

Baía de Ubatuba (Arquivo JRS)
                       Relendo um texto já publicado, após ter ouvido alguns comentários na Zona da Rampa, onde me encontro sempre com pescadores e vendedores da diversidade de pescados e frutos do mar, achei por bem republicá-lo na intenção de não deixar de oferecer a mais gente esta reflexão sobre desenvolvimento sustentável a partir do nosso mar.


                Eu pude conhecer a Baía de Ubatuba piscosa, mas de acordo com os mais antigos, ainda “não era nada em comparação com outros tempos, quando não havia traineira arrastando até no quebramar!”. Lembro-me bem dos lances de rede dados por Florindo T. Leite, por Aládio e outros. Ainda era fartura, alimentava muita gente. Enfim, parece que o pessoal, desde aquele tempo (do início dos arrastos mecanizados nas nossas baías), já sabia o que diminui a oferta de pescados. Afinal, a rede de malha miúda pesca tudo, inclusive os filhotes. O que tem de ser feito?

                  a) Optar por uma pesca mais artesanal, ou seja, que deixe o peixe procurar a isca;
                    b) Garantir a proteção dos peixes, sobretudo dos que precisam crescer.
              c) Zelar pela qualidade das águas dos rios que desembocam na Baía de Ubatuba.

                Eis a minha sugestão: fazer da Baía de Ubatuba um espaço de parcéis artificiais para que os frutos do mar se reproduzam e atraiam os peixes para a alimentação e proteção. Quantas carcaças de automóveis vemos abandonadas no município? É certeza que, após um semestre afundadas, as cracas as infestarão e os peixes já estejam em casas novas. E por que não criar um charme para a cidade das canoas, com o mar coalhado delas, praticando a pesca esportiva? E por que não desenvolver a canoagem desde os primeiros anos escolares como uma marca coerente com a tradição natural, gerando futuros campeões na canoagem?

           Nós todos precisamos refletir sobre isso, mas é dever principalmente da Colônia dos Pescadores e daqueles que dependem diretamente da atividade pesqueira e precisam ir cada vez mais longe para trazer uns pescados que, há coisa de quarenta anos, eram devolvidos ao mar porque faziam parte da miuçalha.

                Na verdade, trata-se de repensar o espaço marítimo e os nossos comportamentos para continuar tendo uma natureza exuberante e uma boa qualidade de vida.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

NEM AS COBRAS

"Envelopes de cobrinhas"    (Arquivo JRS)

              Zorandir Soares: seja bem-vindo ao blog !

       Quando se é criança, a  gente faz coisas inacreditáveis. Imagine, então, para quem foi criado cercado por matas, rios, costeiras, praias e um mar imenso nos convidando a qualquer instante para um mergulho ou uma pescaria.
        Quando brincávamos num morro cheio de pedras ao lado de nossa casa, escutávamos a mamãe gritando: “Saiam daí, vão brincar pra outro lado. Vocês não sabem que aí  está cheio de cobras? Não escutam sempre, na noite, os pios delas?”. Ah! Era como se não falasse com ninguém! Imagine se na empolgação da brincadeira, pulando pedras, criando pontes de madeira etc. alguém iria dar atenção às preocupações da mamãe!?!
         É isso mesmo! As cobram piam. Porém, eu nunca li em lugar algum que elas fazem isso. Elas piam como os passarinhos. Só que é um piado solitário, ou seja, você escuta um pio, depois de um breve tempo vem outro e assim por diante. Mamãe explicava que elas piavam para atrair os pássaros da noite, sobretudo aqueles que eram perseguidores de filhotes. Papai dizia que elas estavam namorando. “Que nada! É conversa de namoro delas! Logo logo tem ninhada delas por ali!”. Assim, altas horas da noite, quando o silêncio imperava, eram comum escutar, não longe da nossa casa, os piados delas. Então, tinha razão a mãe preocupada ao nos ver se tecendo por aqueles lugares, pelos buracos e tocas formadas pelas pedras.
          Não tinha jeito, de nada adiantavam as advertências da mamãe. Até que um dia...Estando naquela corrimaça, brincando de esconde-esconde, avistei umas coisas parecendo sementes murchas de jaca. Juntei uma mãozada e levei para o quintal, onde mamãe estava estendendo roupas para quarar. Fui logo perguntando sobre aquilo. “O que é, mamãe? Achei ali, perto da casa da Maria Caçuroba, atrás da pedra”. Que susto dela. “Largue isso, menino. Não tá vendo que é ovo de cobra? Pega já a enxada para dar um fim nisso”. E chamou todos os demais que brincavam por ali. “Agora vocês entendem porque eu estou sempre preocupada quando estão brincando pelas pedras dali?”.

              Coitada da mamãe cobra. Ficou sem os filhotes.

        Coitada da mamãe. Nunca nós deixamos de brincar em nenhum lugar por medo de cobras.
             
              Nem as cobras podiam com a gente. Essa era a verdade.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

COM QUANTOS PAUS...(II)

   
           Dando prosseguimento ao assunto de como fazer a canoa caiçara, desde já agradeço ao pessoal de Paraty que publicou, há quase três décadas esse material, inclusive com lindas ilustrações.

Pesquisador: - O que é desbojar?

Ditinho: - Desbojar é ir tirando a lateral de um lado e de outro. Tirar o bojado da tora pra ela ficar reto dos lados. depois eu vou cavocar dentro, que é pra ficar mais leve. Tirar a maioria da madeira por dentro, tá entendendo? Pra poder virar a tora. Aí eu tenho de dividir bem o centro, pendurar um prumo na proa e um prumo na popa.

P: - Por fora?

D: - De cima pra baixo, assim, peço lado de fora. Bota dois prumos bem no centro. Lá na proa e na popa. E onde der embaixo tem de marcar, sabe? Aqui é pra fazer o fundo. Aí, depois que estiver marcado, nós vamos virar de bruço. Depois que de bruço, eu vou botar o nível de boca pra baixo, no bordo dela,tá entendendo? Pra ver se ela está no mesmo prumo que estava de boca pra cima. Então, deu tudo certinho, aí eu arraso pra fazer o fundo. Tem que ter aqui o que tem ali. Não está acochado nem pra lá nem pra cá.

O objetivo dessa marcação é encontrar os pontos básicos da canoa. Desses pontos sairão todas as demais medidas. A partir deles, traçam-se duas linhas: uma na frente do tronco e outra atrás, que determinarão se a canoa está em prumo. Depois, as linhas de garra e do centro.

P: - Então o senhor põe o nível para poder fazer a parte plana do fundo? E depois?

D: - Depois que arrasar o fundo, que estiver no nível direitinho, então eu vou bater nova linha no fundo. Fazer três linhas.

P: - Para saber o meio do fundo no sentido do comprimento da canoa?

D: - É; e pra medir a largura da garra. Três linhas: uma no centro e uma de cada lado.

A  “garra” é uma saliência para a saída e entrada de água na parte externa da canoa.

P: - Como é que o senhor acha essas linhas laterais?

D: - É por ideia, entende? De acordo com o tamanho da canoa é a largura do fundo.

P: - Quer dizer que, além da garra, ela marca também a largura do fundo?

D: - É isso mesmo. Elas não são retas não. O senhor começa aqui e daí ela fica mais larguinha no meio e volta a apertar no fim. Se a canoa é pequena pode botar no meio uns 15 centímetros; se é bem grande, pode botar até 30 centímetros. Uma canoa bem maior pode botar até 40 centímetros de fundo (e nas pontas uns 5 centímetros).

Ele se refere à parte plana que existe no centro da canoa, na parte de baixo pelo lado de fora.

D: - Depois eu vou fazer o delgado da proa, o boleado da popa, as duas garras. Vou fazer tudo por fora direitinho. E aí no molde está pronta. Aí eu vou tirar um pouco de madeira, dar mais um cavoque por dentro pra ela ficar mais leve. Aí é botar os barrotes: um num caanto, um no outro e outro no meio. Bota bem na boca,paralelo com o bordo. E aí no molde já está pronto. É só fazer a puxada.

P: - O que é a puxada?

D: - É quando a gente leva a canoa pra casa, ou pra beira de um rio, ou pra praia pra poder dar o acabamento. A gente arruma o adjutório, o pitirão (mutirão). Vamos dizer umas 15 pessoas. Compramos uns 5 litros de Coqueiro (cachaça); o senhor toma um golinho, nós tomamos outro e preparamos pra puxar a canoa.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

COM QUANTOS PAUS... (I)


As ferramentas do português - Arte: Eudes Nunes

A  canoa caiçara vai ganhando espaço, se tornando um patrimônio cultural do território caiçara para o mundo. Saudações aos que lutam nessa intenção.
Na década de 1980, apesar de ter crescido vendo canoas sendo tiradas das matas,  conheci os primeiros textos que apresentavam os detalhes das etapas da construção canoa caiçara. Achei maravilhoso ter pessoas estranhas querendo conhecer  e dar ao mundo os segredos, os passos dessa arte tão nossa. 
Hoje, faço questão de apresentar parte de uma entrevista daquela época com o seu Ditinho, de Paraty. É parte de um trabalho etnográfico de publicação limitada.

Pesquisador: - Sr. Benedito Ricardo de Jesus (seu Ditinho), qual a melhor madeira para se fazer uma canoa?

Ditinho: Bom, a madeira especial pra se fazer canoa é o cedro.

P: Por quê?

D: Porque é um pau forte, que cresce roliço e que resiste bem na água e no sal. É leve, de pouco peso e dura muito. Tem umas canoinhas de cedro por aí que o senhor olha e não dá nada, mas vai ver, já tem uns 80 pra 100 anos.

P: Seu Ditinho, além do cedro, que outras madeiras o senhor usa para fazer canoa?

D: Depois do cedro vem a timbuíba, o goiti, ingá-de-flecha, ingá amarelo, canafístula, vinhático, jequitibá, guapurubu, canela, tarumã, cedrinho, figueira branca, arecurá, carquera da crespa. São madeiras apropriadas para fazer canoa.

Depois de escolhido o tipo de madeira, é preciso encontrar um tronco com tamanho e grossura que se deseja. Uma canoa bem proporcionada deve ter a medida do comprimento igual a sete vezes e meia a medida da largura.

D: Vamos supor, de acordo com a largura da canoa é o comprimento. Então é sete bocas e meia.

P: Como o senhor sabe a largura da boca da canoa pelo tronco da árvore?

D: Bem, aí é o seguinte, né? A gente mede o rodo dele com um cipó de imbé, depois dobra o cipó no meio e depois dobra novamente, o senhor tá me entendendo? Dobrou bem no meio e depois faz outra dobra e então é uma parte daquela, o que sobrou, é que dá a boca da canoa. Então, faz o comprimento. Sete pedacinhos e meio daquele total. Tá entendendo?

Ou seja, a boca (largura) da canoa é igual a um quarto da circunferência do tronco e o comprimento, sete vezes e meia a medida da boca. Escolhida a madeira e medido o tronco, temos de esperar pela lua nova, para evitar brocas e fungos. [...] Dependendo do tamanho do pau, abre-se em volta dele uma clareira no mato, fincam-se forquilhas de madeira (tarumã ou ingá, preferencialmente) aos pares, formando um corredor. Sobre elas colocam-se madeiras macias com o pati, o palmito ou a bananeira. São as “estivas” sobre as quais deverá tombar o tronco, para evitar rachaduras que o inutilizariam).

D: Bom, eu vou dizer para o senhor: nós derrubamos a árvore e aqui eu estou torando da ponta com o machado. A ponta de lá, que faz a popa.

P: Quer dizer que a proa fica do lado da raiz?

D: É, porque a proa tem que ser mais larga.

P: E depois?

D: Depois que eu atorei, eu tenho que procurar o jeito da tora, pra fazer a boca da canoa. Eu vou escolher o lado que tem chatura da madeira, que é pra arrasar pra fazer a boca. toda madeira tem um lugar mais chato. Ela não é perfeita, não é rolicinha. Tem um lado mais chato, que então eu vou arrasar. dei um arraso, aí então eu viro ele para cima e vou desbojar.

sábado, 5 de abril de 2014

SANTO OU TRAIDOR?

Fonte: canoadepau.blogspot.com

PADRE JOSÉ DE ANCHIETA, SANTO OU TRAIDOR?

TAMOIOS, TAMUJOS
TAMBÉM ERAM TUPINAMBÁS
SÓ QUE, DESSES, OS PRIMEIROS, OS ANTIGOS.

SE STADEN NÃO FOI COMIDO
POR PURA SUPERSTIÇÃO,
QUE DIRÁ O ANCHIETA
COM SUA BATINA PRETA
E A MANIPULADA ERUDIÇÃO.

A ESTE MÍSTICO CONSELHEIRO
O CACIQUE ESTENDEU A MÃO
NÃO O CUNHAMBEBE DE STADEN,
MAS SEU FILHO, DE IPEROIG,
ÁGUA DE TUBARÃO.

E ASSIM A MÃO SINISTRA
DO PADRE DE FALA MANSA
AMANSOU A TRIBO DO FLECHAL,
ANTES A TIVESSEM DECEPADO
COMO AIMBERÊ DESEJOU, MOQUÉM.

DESDE ENTÃO NEM TAMOIOS,
NEM TUPINAMBÁS, NEM TUPINIQUINS,
O PERÓ VENCEU,
E TUDO SE ACABOU.

REVELADO O PEABIRÚ
NENHUM TEIÚ RESTOU.

HOJE SÓ RESTOS, ECOS,
QUE NOS VERSOS DA FOLIA,
AINDA RESISTE,
O SANGUE TUPINAMBÁ.

(Fonte: Peter, o Alemão - Blog canoadepau)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

NEM SÓ DE PAU...


Remando...remando...remando...   (Arquivo Clóvis)

     No final da década de 1960, na Praia do Perequê-mirim, o caiçara Valentim de Jesus, o Xarazinho, era proprietário do Depósito Itajá, de materiais de construção. Mais tarde, em meados de 1970, vendeu esse ponto comercial para os irmão gregos. Se não me engano, hoje funciona uma danceteria no mesmo local.
     Por ali, naquele tempo, a rotina era pesca, roça, construção civil e diversão. O time de futebol do lugar, o Anchieta Futebol Clube,  era destaque. A cada domingo lá estávamos nós torcendo pelos jogadores de uniformes azuis. Destaque especial para o árbitro Domingos Barreto, filho do Licínio, o “homem que se tivesse estudado seria o melhor advogado da nossa Ubatuba”, conforme diziam muitos.
     Havia os canoeiros, os fazedores de redes etc. Das mãos do Ditão da Ditanha saíram os melhores remos daquele tempo. Hoje, ao me encontrar com o seu filho, o Roberto Paió, me recordo de tantas coisas...
     Depois de deixar os negócios de materiais de construção, o Xarazinho montou uma distribuidora de sorvetes da marca Kibon ao lado de sua casa, nos fundos do referido depósito. Bons negócios! O Joel Góis, rapaz muito compenetrado,  era como um gerente: monitorava tudo, desde os sorveteiros até as compras. “Menino esperto!” 
    Na temporada, sobretudo nas praias da Enseada e do Lázaro, os sorveteiros faturavam. Era do ponto comercial do Xarazinho que saía toda a mercadoria refrescante. Poucos não se aventuravam em faturar sob o sol escandante, aproveitando para apreciar as beldades tão variadas. Dizia o vovô nessas ocasiões veranistas: “Que beleza! Tá todo mundo lavando as ovas!”.
     Eu, de vez em quando, passava para uma prosa com o Joel. Aproveitava para admirar a movimentação. Alguns sorveteiros se destacavam: Almeidinha, Alcides Lopes, Tião Mortadela, Zé Corneta, Joel Pelado... Até o Ditão, especialista em tirar da madeira maravilhosos remos, se rendia à tentação de vender sorvetes na temporada. E faturava! Certa vez, enquanto aguardava ser atendido, vendo o Ditão se afastar empurrando o carrinho amarelo da firma, o Zé da Nhanhã comentou: “É como disse o 'irmão' Cláudio: nem só de pau vive o homem”. Nisso o Joel arregalou os olhos. Eu só ri e pensei um pouco. O velho caiçara, recém-chegado de Santos, era mesmo irreverente.