sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano vai...vida vem!



              Hoje, último dia de 2011, parabenizo o amigo Jorge Ivam, estimado companheiro de magistério que busca fazer sempre mais para aperfeiçoar a nossa cidadania.
             Jorge Ivam Ferreira nasceu no último dia de 1959, em Iaçu, cidade cravada no sertão baiano. desde 1999, vive em Ubatuba, onde é professor de Língua Portuguesa nas redes estadual e municipal.  A sua companheira é a Joana. Eles são pais de quatro jovens maravilhosos!
             Em parceria, com Pedro Paulo, Jorge é autor do livro Ser Tão Mar.  Da poesia Rio Poruba é de onde escolhi a parte que eu considero mais caiçara. Afinal,  foi nessa confluência que teve início o meu namoro com a Gláucia:

            Logo abaixo desse cenário,
            Fraternalmente o rio poruba
            Dá a mão ao rio Quiririm
            E ambos entram no mar.
            Quem os vê unidos assim
            como um casal apaixonado,
            Se pensar na sua existência,
            Decerto fica emocionado.

          Felicidades é o que desejamos ao Jorge, Joana e filhos. Com carinho: Zé, Gláucia e filhos

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As imagens e as nossas avaliações

 Avenida Yperoig - Ubatuba - 1970 (foto postal)

              A imagem acima possibilita muitas reflexões. Olhando-a, faço questão de destacar:

              a) A avenida tinha um canteiro central maravilhoso, que diminuia o impacto do asfalto;
              b) Potentes refletores iluminavam a orla da praia;
              c) Não existia poluição visual;
              d) Prevalecia o máximo da natureza no jundu;
              e) É notório, ao longe, os morros verdes e sem construções;
              f) Nenhum prédio se avista nas cercanias;
              g) Havia uma harmonia com o entorno e intensas relações sociais;
              h) O turismo tinha um outro nível e ainda não tinha tanto impacto na cultura local.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Imagem desconhecida para muitos





         A imagem acima é de uma rede do pessoal da praia do Puruba (Dico, Antonio, Severiano, Zico e outros). Trata-se de chumbeiros, ou seja, de pesos da tralha de fundo da rede. Não se sabe desde quando eles são usados, mas atualmente são substituídos por chumbo. Bem antigamente eles eram feitos de pedras; depois veio o cimento para formatar a massa adequada a cada tipo de rede.
         Esta foto, feita por Marcelo Galvão, primo da minha esposa, que mora na Alemanha há quase duas décadas, participou de um concurso e foi uma das selecionadas. Virou cartão postal. Ela é de 1995. É isso! Coisas que nem todos que aqui moram ainda conhecem, mas que são apreciados por aí afora!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reconhecimento de valor


                       Transcrevo, agora, como arremate da história publicada no mês de junho p.p., a manifestação aprovada pelos vereadores em solidariedade à Família Patural (dona Silvia e seus filhos) por ocasião da tragédia ocorrida.

Of. 47/61    Em 10 de outubro de 1961
Sra. Viúva Jean  Pierre Patural.
                Para vosso conhecimento, transcrevemos o teor do requerimento número 17/61, de autoria do vereador Mário Celso Guisard Cembranelli, aprovado por unanimidade na sessão ordinária realizada no dia 5 do corrente:
                Requerimento nº17/61. Requeiro à Mesa, ouvido o Plenário, no sentido que seja constado em ata, um voto de pesar pela trágica morte de Jean Pierre Patural, como também oficiado a sua família. Justificativa: se a nossa vida é uma luta, o lugar onde vivemos é o nosso campo de batalha. Nem todos porém escolhem esse campo. Uns são sedentários e não gostam de mudar. Outros são levados, talvez, pelo espírito de aventura a sair pelo mundo à procura de um  lugar para viver. E quando  encontram esse lugar será também uma pátria, mas acolhida pelo coração. Aos vinte anos de idade, Jean Pierre conheceu Ubatuba e a amou. Desde então dirigiu sua vida no sentido de aqui se fixar. Sua alma de pioneiro impressionava-se com as imensas regiões incultas da nossa Ubatuba e o seu desejo era desbravá-las, levar até elas o progresso. Para conseguir isso lutou contra dificuldades que a muitos teriam feito desanimar, mas ele as soube vencer. Não há caiçara no Ubatumirim que não conheça o Jean, como era por eles chamado, e como se admiravam de seu esforço inédito e constante para arrancar da terra o seu fruto. Nós que o conhecemos e avaliamos o seu caráter, sua energia indomável, o seu saber vasto, mas modesto, sem alarde, sem exibições, suas maneiras suaves e polidas, seu ar tímido e o seu jeito calado; sua vida sempre branda e serena com todos os que lhe falavam; mão firme e decidida; não podemos deixar de ficar tristes e sentir toda a amargura pelo seu triste e doloroso fim. Ele, que afrontou sempre perigos do mar com o seu barquinho e no ar com o avião que ele mesmo construiu, que enfrentou a fúria dos elementos e foi um dia colhido por eles e a tragédia aconteceu. Porém, homem intrépido e corajoso, com as forças que lhe restavam, tenta salvar-se. Caminha com passos vacilantes e incertos, depois não pode mais, arrasta-se então, por vários dias e dias seguidos. Antes que o socorro possa alcançá-lo, ele morre. E que triste fim o seu: a dor, a fome, o frio, a solidão e a certeza do abandono. Ele que tanto ajudou os seus semelhantes, que curou feridas, que mitigou a dor, que transportou doentes no seu avião, sentir-se assim ao desamparo. Que ele encontre agora a recompensa pelos seus atos de bondade e pela sua caridade desinteressada. Que Deus o premie, pois nós nada mais podemos fazer. E nosso pesar é maior ainda por isso, por não podermos, digo, por não termos o encontrado a tempo. Sabemos que lutou com todas as suas forças para que aquela não fosse a separação definitiva dos seus entes queridos. Morreu com ele um sonho de progresso, uma ambição sadia de construir, plantar, traçar novos rumos para a exploração dos nossos sertões. Queremos levar agora aos seus entes queridos a nossa palavra de consolo, a expressão de nosso pesar, da nossa dor e da nossa admiração por aquele que tão cedo foi arrebatado do convívio familiar.  É por isso, colegas, que conto com apoio integral dessa Egrégia Câmara Municipal para esse ato de solidariedade humana. Sala das Sessões da Câmara Municipal, 28 de setembro de 1961. a) Mário Celso Guisard Cembranelli. Vereador.
                Aproveitamos a oportunidade para apresentar as nossas condolências.
                                                                        José Alberto dos Santos

O nosso lugar e o temas



                Neste ano de 2011, eu tive a oportunidade de presenciar o lançamento de três livros a partir da história de Ubatuba e das culturas que aqui estão: Moacyr Pinto, um sociólogo de São José dos Campos muito apaixonado por Ubatuba, escreveu a vivência do Zé Pedro, da Casa da Farinha, no sertão da Fazenda da Caixa; Maria Aparecida Honório, estudou os rituais dos guaranis da Comunidade Tekoa Jaexaa Porã, no sertão do Promirim; Maria Helena T. C. Barros, uma descendente direta do Balthazar Fortes, dono do Casarão do Porto, conseguiu registrar as suas pesquisas, dando-nos a oportunidade de poder entender melhor para divulgar mais a nossa história.
                Assim, estão disponíveis a todos as seguintes obras:
              

1- Eu tenho o meu sonho;
2- Mba’epu ete’i – instrumentos musicais sagrados;
3- Balthazar e Benedicta.
      
        
  Parabéns aos autores e obrigado por suas contribuições ao nosso município!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tudo começou com Luís Ernesto e Praxedes


                “Numa casa, ali no acesso à praia do Tenório, Luís Ernesto  e compadre Praxedes acharam por bem montar um museu caiçara”. Foi assim que o João de Souza me contou. Também acrescentou isto: “Depois, o compadre Praxedes andava por tudo quanto é canto catando coisas para expor no museu do bairro. Diz que foi até a Ponta Grossa, lá pelo cisqueiro do Paru”.
                Fico contente em saber que, mesmo timidamente, um voluntariado persevera. Dessa forma nós trabalhamos, sob a batuta do Júlio,  vários finais de semana na apresentação atual do nosso museu. Também quero expressar a minha gratidão para com a dona Zelma. Dou a conhecer que esta filha do saudoso Pascoal se aproximou da nossa cultura a partir dos caiçaras do Perequê-mirim. Muito nos orgulha essa combatente mulher! No entanto, conforme disse o Júlio, é preciso que o poder público se sensibilize e abrace o museu como atrativo cultural/educativo e capaz de gerar rendas para o município.
                A seguir, do ano de 1986, este verso registrou o Domingos após um encontro no primeiro museu:
                As casas de antigamente
                falem um pouquinho
                das pessoas e das vidas
                que por ali passaram.
                Um pouquinho de cada coisa;
                Da imensa vida dos tempos passados.

Novos caiçaras

Imagem deste Natal:
           Pedro Elias, meu sobrinho nascido em 20 de outubro p.p., filho do Wagner (Guinho) e da Maria Inêz.

              É ao pequeno caiçara da nossa família que eu selecionei a poesia do Domingos   

         Na camarinha da infância

        Nossa cama era uma tarimba,
        com esteiras de taboa,
        com travesseiro de macela.
       Talvez seja por isso
       que nosso sono
       era tranquilo e revigorante,
       ou foi porque o mundo
       já foi mais aconchegante?