segunda-feira, 2 de março de 2026

COMEMORAÇÕES (XI)

 

Sertão da Quina e Sapê presentes no coreto (Arquivo JRS)

Viva os 15 anos do blog!

    Muitas interferências tendem a acabar com alguns dos nossos traços culturais, algumas das marcas caiçaras ainda existentes em Ubatuba. Triste quando os gestores não percebem o valor e a riqueza possível por intermédio do turismo cultural. Porém, a nossa gente resiste e segue fazendo bonito em suas manifestações. Parabéns às lideranças que não esmorecem! É isso ai, pessoal! 


Parte 4

     Nos últimos anos, o encontro voltou a receber um apoio ainda tímido, restrito basicamente à sonorização. Em 2026, contudo, o encontro não foi realizado, embora aproximadamente cinco grupos tenham mantido suas atividades de forma independente. Esse cenário acende um sinal de alerta: as Folias de Santos Reis em Ubatuba vêm se enfraquecendo em virtude de inúmeras interferências externas, da falta de políticas públicas continuadas e da ausência de um projeto estruturado de salvaguarda. O risco de desaparecimento dessa manifestação é real e iminente.

     Diante desse contexto, é imprescindível reconhecer publicamente o considerável comprometimento, a defesa incansável e a atuação concreta de Nei Martins e Rogério Estevenel como referenciais na manutenção das manifestações culturais tradicionais caiçaras, especialmente das Folias de Santos Reis. Suas trajetórias demonstram que, quando há sensibilidade, diálogo com as comunidades e respeito ao sagrado e à tradição, é possível fortalecer identidades culturais e garantir a transmissão de saberes entre gerações.

     Assim, este texto se soma ao clamor das comunidades, dos mestres e dos foliões para encorajar os poderes públicos — em especial o município de Ubatuba, por meio de seus órgãos de cultura, educação e turismo — a assumir um compromisso efetivo com a salvaguarda das Folias de Santos Reis. Faz-se urgente a criação de um projeto de fortalecimento dos grupos e dos festejos natalinos, que contemple: apoio logístico permanente; registro e documentação das cantorias seculares; ações formativas para jovens; reconhecimento dos mestres como detentores de saberes tradicionais; e a institucionalização do Encontro de Folias de Santos Reis como evento oficial do calendário cultural da cidade.

    Preservar as Folias de Santos Reis não é apenas manter uma tradição religiosa: é proteger um patrimônio imaterial que expressa a alma caiçara, a fé popular e a história viva de Ubatuba. Sem ações concretas e continuadas, corre-se o risco de silenciar vozes que, por séculos, anunciaram em canto e devoção o nascimento daquele que veio pobre, sem palácio, mas coroado de amor — O Menino Jesus!